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Greve dos caminhoneiros: um milhão de pintinhos sacrificados no ES

Animais serão sacrificados para não correr o risco de entrarem na fase de canibalismo dentro das granjas. Produtores já se preocupam com risco de contaminação sanitária

Foto: TheBeloved/Pixabay

Cerca de um milhão de pintinhos terão de ser sacrificados no Espírito Santo por não ter comida suficiente para alimentá-los, devido à greve dos caminhoneiros. Com as pistas bloqueadas para a movimentação de cargas em vários trechos de rodovias, os empresários ficaram sem receber a ração dos animais.

De acordo com o diretor executivo das Associações dos Avicultores e Suinocultores do Espírito Santo (Aves), Nélio Hand, a paralisação dos motoristas também não permite que as aves abatidas sejam levadas até os consumidores, e como elas não podem ser congeladas, mas apenas resfriadas, há risco de perdas de produtos.

> GREVE DOS CAMINHONEIROS | A repercussão

Além disso, os incubatórios das granjas capixabas estimam o descarte de um milhão de ovos de galinhas férteis. A produção de ovos também está comprometida. Segundo Hand, as granjas podem armazenar os ovos por até 30 dias, mas não há mais espaço para estocar a produção diária. Como há cinco dias sem transporte para levar as mercadorias até os consumidores e os armazéns já estão lotados, a única alternativa que resta para os produtores, de acordo com Hand, é descartar a produção.

Além dos prejuízos, que segundo estimativa da Aves já passa de R$ 30 milhões, a condição sanitária dos criadouros por conta dos animais mortos também preocupa os produtores.

“Temos relatos de morte de animais que ficaram muito tempo na estrada. Já temos granjas com falta de ração e animais entrando na fase de canibalismo, tanto de galinhas como de porcos. O descarte e morte de animais pode gerar problemas sanitários e ambientais. A falta de ração e a manutenção dos animais em ambientes inadequados geram problemas de bem-estar animal”, afirma Hand.

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Entre os maiores abatedouros do Estado, a Uniaves e a Kajory estão parados desde quarta-feira (23). A Oi Frango e a Proteinorte estão abatendo, mas não descartam suspender as atividades.

Em relação à produção suína, três unidades da Cofril em Cachoeiro de Itapemirim e Atílio Vivácqua, no Sul do Estado, estão com abate parcial de porcos e não estão abatendo bovinos, segundo a Aves. A Fazenda Zucoloto, em Viana, voltou a abater, mas segundo a associação, pode voltar a parar na segunda-feira (28).

Dois grandes abatedouros do Estado pararam de abater e outros dois devem paralisar na segunda-feira, por falta de espaço para estocar. Entre os abatedouros de suínos, alguns voltaram a abater parcialmente hoje, mas já informaram que vão voltar a suspender as atividades na segunda-feira (28).

AGRICULTORES TEMEM TER QUE DESCARTAR ALIMENTOS

O presidente da Federação da Agricultura do Espírito Santo (Faes), Julio Rocha, afirma que muitos caminhões carregados com laticínios e cargas vivas, como galinhas e suínos, deverão ter que descartar parte desses alimentos. Ele explica que este tipo de produto é altamente perecível, alguns com um prazo máximo de 48 horas para serem consumidos.

"As cooperativas de produtores não conseguem designar os caminhões nem para levar até o destino e nem para retornar para as propriedades. Mesmo na zona rural, a ração para bovinos e aves já começa a faltar. Muitos deles já estão atingindo um nível alto de estresse e devem morrer. Independentemente do prejuízo, a gente se preocupa também com a saúde pública, porque a possibilidade de contaminação desses ambientes também é grande, se essa paralisação continuar", contou.

Rocha ressalta que a federação apoia a reivindicação dos caminhoneiros, mas pede bom senso para que itens muito perecíveis e produtos de primeira necessidade, como materiais hospitalares e medicamentos, possam passar pelos pontos de bloqueio.

"A greve é legítima. Nós produtores viemos trabalhando há algum tempo com preços que não cobrem o custo do transporte. O preço do diesel, de alguns anos para cá, subiu muito", afirma.

 

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