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Produtores de Alfredo Chaves descartam 90 mil litros de leite

Cooperativa está com as câmaras de armazenagem lotadas e teve que suspender as coletas de leite. Com isso, produtores tiveram que jogar o leite ordenhado fora

Fachada da Cooperativa de Laticínios de Alfredo Chaves
Fachada da Cooperativa de Laticínios de Alfredo Chaves
Foto: Valter Monteiro/Divulgação

Sem ter o que fazer com o leite ordenhado, cerca de 340 produtores de Alfredo Chaves tiveram que descartar 90 mil litros de leite desde o início da greve dos caminhoneiros. A produção, que normalmente é coletada pela Cooperativa de Laticínios de Alfredo Chaves (Clac), não foi feita nos últimos três dias, já que a instituição não tem mais espaço para armazenagem.

O presidente da Clac, Rolmar Boteccia, explica que a maior parte da produção da cooperativa é consumida pelo Rio de Janeiro, mas, com as estradas bloqueadas, tudo o que foi produzido está em estoque. Sem ter como escoar o leite há nove dias, a fábrica está com as câmaras frias lotadas e suspendeu a coleta nas comunidades do município. O prejuízo para os produtores, até agora, é de R$ 117 mil.

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“Com os bloqueios, não temos como tirar o leite da fábrica e, consequentemente, não tem como receber mais material. A gente está perdendo muito leite e os produtores, em sua maioria de pequenas propriedades familiares, estão sendo prejudicados. Trazer esse leite para a fábrica seria um problema ainda maior. Sem escoar essa produção, teremos dificuldade até de pagar eles no final do mês”, explica Boteccia.

VENEZA INTERROMPE PRODUÇÃO DE IOGURTE

No Norte do Estado, a Veneza também enfrenta dificuldades na cadeia do leite. O presidente da empresa, José Carnielli, conta que chegou-se a uma situação em que faltava até combustível para buscar o leite nas propriedades dos 1.100 produtores. Ele afirma que a produção continua normalmente, mas todos os produtos estão sendo estocados. Alguns itens, como o iogurte, tiveram que ser suspensos, já que o estoque de embalagens chegou ao fim.

“Nós conseguimos um socorro, graças à força-tarefa do governo do Estado, que nos permitiu reabastecer alguns postos de diesel. Isso nos permitiu voltar a coletar o leite com os produtores. Agora, temos um problema mais grave que é a saída dos produtos. A gente está produzindo, mas está tudo em estoque, não está capitalizando. Isso nos preocupa, porque no fim do mês temos que pagar os produtores. Além disso, os laticínios têm um prazo de validade relativamente curto. Quanto mais durar a greve, menor nosso prazo para vender esses produtos”, afirma.

Há informações de produtores do Sul do Estado que dão conta de que a Selita também está com dificuldades de coletar o leite dos produtores. Procurada, a empresa não quis se pronunciar.

100 MIL PINTINHOS SACRIFICADOS NO ESTADO

De acordo com a Associação de Avicultores do Espírito Santo (Aves), 100 mil pintinhos foram sacrificados em Venda Nova do Imigrante. Os animais estavam em um incubatório e seriam levados para granjas do Estado. No entanto, as propriedades estão sem ração para alimentar os frangos e, como não conseguem levar os animais para os consumidores, falta espaço para receber novas galinhas.

Cerca de 50 mil frangos foram doados somente nesta terça-feira (29). Um dos municípios com mais avicultores no Estado, Santa Maria de Jetibá estima um prejuízo de R$ 300 milhões no município por conta da crise na atividade.

 

 

 

 

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