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Disputa entre EUA e China só atrapalha agronegócio no Brasil

Disputa entre EUA e China só atrapalha agronegócio no Brasil

Segundo ministro, guerra comercial entre EUA e China eleva preço da soja e afeta custos das carnes bovina e suína

Publicado em 20 de junho de 2018 às 10:41

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O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A guerra comercial entre Estados Unidos e China “só vai atrapalhar o Brasil”, afirmou nesta terça-feira, 19, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Aparentemente, há ganho para o Brasil, porque a China deixou de comprar soja norte-americana. “Mas isso tem efeitos colaterais muito ruins”, disse. “Parece bom, mas não é.”

A briga já provocou a queda das cotações internacionais da soja. Além disso, a venda de soja para a China, que só compra grãos, tira a competitividade das fábricas brasileiras de farelo – há risco de o País perder esse mercado. Há reflexos ainda sobre o custo da ração animal aqui, uma vez que a soja brasileira tende a ficar mais cara que a americana. “É muito prejudicial, cria um ambiente ruim de negócios.”

Os produtores de carne amargam ainda os reflexos do fechamento parcial do mercado europeu para o frango – medida que, para o ministro, reflete a intenção da União Europeia de “eliminar” o Brasil de seu mercado. O excedente foi despejado no mercado interno e provocou a redução dos preços também das carnes bovina e suína. “O momento é preocupante e precisamos de uma ação bastante rápida para não deixar que o setor entre em dificuldade”, afirmou Blairo.

O ministro acrescentou que, para vender carne de frango in natura para o mercado europeu, é exigido o controle de mais de 2.600 tipos de salmonela. Porém, se o produtor brasileiro pagar pedágio de € 1.024 por tonelada, essa exigência deixa de existir. “Então não estamos falando de saúde pública”, afirmou. “Se é questão de saúde, não tem preço que libere isso, porque em primeiro lugar estão as pessoas.”

Segundo o ministro, é impossível calcular o prejuízo com a suspensão, pela UE, da importação de frango de 20 frigoríficos brasileiros. Ele afirmou que a possibilidade de exportar essa quantidade para outros mercados não está consolidada.

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A ideia de questionar as restrições europeias na Organização Mundial do Comércio (OMC) continua em estudo pelo Itamaraty e pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Já a medida antidumping imposta pela China para o frango brasileiro teve pouco impacto nas exportações. No dia 7, a China anunciou taxação provisória adicional de 18,8% a 38,4% nas importações de frango do Brasil.

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