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Com guerra comercial, dólar sobe 1,91% e fecha em R$ 3,87

Com elevação nas tensões comerciais, dólar tem forte alta; Bolsa tem queda de 0,62%, aos 74.398,55 pontos

Foto: Bearfotos/Freepik

O dólar subiu 1,91% e fechou o dia cotado a R$ 3,8755 nesta quarta-feira, 11. O cenário se deu em meio ao ambiente de aversão ao risco no exterior, depois que os Estados Unidos ameaçaram adotar novas tarifas sobre produtos da China, enquanto investidores seguiram atentos a possível atuação extraordinária do Banco Central.

Já a Bolsa fechou em queda de 0,62%, aos 74.398,55 pontos. O bom desempenho de ações específicas, como Eletrobrás e bancos, impediu uma queda maior do principal índice de ações da B3. Os negócios somaram R$ 9,8 bilhões.

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O real foi a segunda moeda no mundo que mais perdeu valor ante o dólar, nesta quarta-feira, 11, atrás apenas da divisa da Turquia. Após a decisão de Trump, Pequim falou que vai retaliar e analistas começaram a especular que uma das formas seria sobretaxar o petróleo comprado dos EUA, o que ajudou as cotações da commodity a despencarem em Londres e Nova York, acentuando o movimento de aversão ao risco.

Com a pressão para a alta da moeda vinda do exterior, o Banco Central ficou novamente de fora do mercado de câmbio, marcando o 13º dia seguido sem ofertas extraordinárias de novos contratos de swap (venda de dólar no mercado futuro). Nesta quarta, a instituição fez, assim como vem fazendo nos últimos dias, apenas a rolagem de contratos, em operação que somou US$ 700 milhões. Exportadores que venderam dólares no último pregão e ajudaram a moeda cair 1,71%, para R$ 3,80, reduziram suas operações nesta quarta, enquanto os importadores intensificaram as compras, segundo operadores de câmbio.

"O governo Trump mais uma vez abalou os mercados de câmbio", afirma o diretor em Nova York da área de moedas da BK Asset Management, Boris Schlossberg. Para ele, a reação dos mercados só não foi pior porque a decisão de Trump de mais tarifas ainda é uma proposta, não uma medida efetiva. "Os mercados esperam que o estilo característico de negociação de Trump, 'de fazer muito barulho e depois recuar', possa resultar em menos danos do que se pensava inicialmente", avalia ele.

Para o economista de mercados emergentes da consultoria Capital Economics, William Jackson, a piora das tensões comerciais entre Washington e seus parceiros pode começar a ter efeitos diretos nos mercados emergentes, principalmente na Ásia. "Estamos nos movendo para um estágio onde as tarifas podem começar a ter um efeito mais palpável na atividade dos emergentes", ressalta ele.

O cenário internacional adverso foi determinante para o viés negativo do Índice Bovespa, que fechou em baixa de 0,62% nesta quarta-feira, aos 74.398,55 pontos.

A intensificação do conflito comercial entre Estados Unidos e China gerou uma série de reflexos nos mercados mundiais, principalmente nos preços do petróleo, que despencaram nas bolsas de Nova York e Londres. A tensão foi iniciada na noite de terça-feira, com a sinalização dos EUA de impor tarifa adicional sobre US$ 200 bilhões em importações de produtos da China, que acenou com retaliação na mesma proporção.

As bolsas de Nova York recuaram desde cedo e os mercados emergentes registraram perdas ainda maiores. O índice de mercados emergentes da MSCI, composto por ações de 25 países emergentes, incluindo o Brasil, tinha queda de 1,95% por volta das 17h, bem acima da variação do Ibovespa.

"Hoje a Bolsa seguiu muito à risca o comportamento do mercado internacional, sobretudo as commodities. Mas é preciso fazer uma ponderação, uma vez que o mercado brasileiro teve um comportamento melhor, se comparado aos emergentes", disse Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial.

Descoladas do cenário externo hostil, as ações do setor financeiro fecharam majoritariamente em alta. Não houve um motivo específico para a alta, a não ser o fato desses papéis acumularem algumas das maiores quedas da bolsa no ano. Às vésperas do início de uma nova safra de balanços, as ações dos bancos sinalizam uma recuperação em julho. No pregão de hoje, o destaque ficou com Banco do Brasil ON, que subiu 1,99%. Itaú Unibanco PN e as units do Santander subiram 0,40%. As exceções foram Bradesco ON (-0,32%) e PN (-0,40%).

"É um segmento cíclico, que tem uma relevância muito grande no Ibovespa. Foram os primeiros papéis a cair e agora são os que estão na linha de frente para uma recuperação", disse Figueredo.

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