Viralizou

Capixaba faz desenho para avô usar Instagram e publicação bomba na web

O morador de Vitória usou papel e caneta para mostrar ao avô como aumentar as vendas na rede social

Laila Magesk

Publicado em 21/08/2018 às 12h45

A casa dos avós. Tá aí um lugar de carinho e aconchego, onde a criatividade flui. Nas últimas férias de julho, sentados à mesa da cozinha, coberta com uma típica toalha xadrez, neto e avô trocaram experiências que já renderam mais de 23 mil seguidores no Instagram, 700 pedidos de café e reportagens a nível nacional. O motivo de tanto sucesso? A anotação em um caderno. Nela, o neto ensina ao vovô, com desenhos e legendas, como usar o Instagram. O adolescente é o capixaba Eduardo Gonçalves Seidel, 16 anos, que mora em Vitória. Já o avô, Francisco Gonçalves de Oliveira, 73 anos, vive em Manhuaçu, Minas Gerais, onde tem um comércio de café.

"Meu avô queria expandir o negócio para outros Estados. Ele mesmo teve a ideia de criar uma página porque, com rede social, é mais fácil de divulgar a marca. Então eu criei e fui ensinando ele a mexer. Fiz aquele tutorial com os símbolos do Instagram e a legenda para ele aprender a mexer", lembra o adolescente sobre a postagem publicada no dia 22 de julho.

Em seguida, Eduardo postou no Twitter, porque achou legal. "E deu naquilo tudo. Um monte de página começou a dar print, a postar no Instagram. Algumas reportagens foram feitas sobre isso e o Instagram do meu vô tá ganhando seguidor até agora", conta, animado.

A página do Café Sr. Chiquinho já tinha 400 seguidores, por conta de uma publicação anterior do adolescente, de 12 de julho, que rendeu cerca de mil compartilhamentos. "Aí fiz uma segunda publicação que viralizou de verdade, foi a do tutorial".

Mas será que o senhor Francisco aprendeu a mexer no Instagram? "Aprendeu. Agora que tá bombando o negócio dele, ele está se esforçando bastante. Está mexendo sim, mas quem administra mesmo sou eu, porque ele não dá conta de muito direct (mensagens diretas)". Abaixo, o capixaba explica mais sobre toda essa história. 

Eduardo com os avós
Eduardo com os avós Foto: Acervo Pessoal

PEDIDOS

Já chegaram 700 pedidos para comprar o café, mas nem todos eles conseguem atender. "Porque são pessoas de muitos lugares do Brasil e o frete fica caro", diz Eduardo. 

23,8 mil

É a quantidade de seguidores da página do café do senhor Chiquinho no Instagram

EMPRESA DO AVÔ

"A empresa é um galpão que ele aluga com os aparelhos de torragem, de moer. Ele compra o café já pronto, de uma pessoa que planta. Leva na fabricazinha dele, torra, mói, empacota, vende e entrega na casa das pessoas. Faz isso há 20 anos, começou em 1998."

E A VOVÓ?

"Cuida mais da parte administrativa do café, controle de vendas. Ela, Marília Saltarelli de Oliveira, 73 anos, sabe um pouquinho mais de tecnologia do que o meu avô. Eles já mexiam em WhatsApp e e-mail. Meu avô vende muito café pelo WhatsApp. Alguma coisa de Excel eles também sabem porque tem que controlar o café."

AGRADECIMENTO FOFO

REPERCUSSÃO

"Minha família está gostando muito. Acho que meu avô não tem muita ideia do tamanho da repercussão que teve, mas está muito satisfeito". Além dos seguidores da página da empresa, Eduardo também ganhou 1.200 amigos na rede social após a publicação.  

EXPANSÃO

"Meu avô vai ter que mudar de lugar em Manhuaçu, vai ter que alugar outro galpão até o final do ano. Queremos aproveitar essa oportunidade para aumentar as vendas e ter uma administração melhor. Investir nessa coisa de marketing que praticamente não tinha."

FUTURO

"Eu andei pensando e acho que vou continuar na Medicina (Eduardo quer ser médico), porque é um sonho que tenho desde criança, mas eu curto muito essa coisa de publicidade, gosto de fotografia, antes dessa história do meu avô."

NOVIDADE

Com tanto sucesso, Eduardo está se esforçando para aprender sobre café e logística. "Eu estou tendo que aprender na marra (risos). Já li algumas coisas sobre marketing na internet, tenho alguns amigos na área, e estou pegando umas dicas. Não entendia nada de café, mas agora o meu avô está explicando muito porque os clientes fazem perguntas".

Nós já éramos bem próximos, sempre tive muito carinho com ele. Mas com certeza estamos nos aproximando mais, conversamos todos os dias agora (risos)
Eduardo Gonçalves Seidel