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Entenda por que o preço do gás encanado vai subir no ES

Custos de distribuição caíram mas o insumo fornecido pela Petrobras ficou mais caro

Gasoduto em Vitória
Gasoduto em Vitória
Foto: Ricardo Medeiros | Arquivo | GZ

Prepare o bolso porque o gás natural encanado ficou mais caro no Espírito Santo. Foi publicado o aumento médio de 8,79% na tarifa para os 51.792 consumidores capixabas, entre residências, indústrias e comércios.

A elevação se deu por duas mudanças que ocorreram em itens que formam o preço final do insumo. O preço do metro cúbico da molécula de gás ficou 13,94% mais caro, após reajuste da Petrobras, que é realizado trimestralmente. Já a os custos de distribuição da BR Distribuidora no Estado, revisados anualmente pela Agência de Regulação de Serviços Públicos do Estado (Arsp), foram reduzidos em 8,54%.

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Esse reajuste trimestral da Petrobras é determinado em contrato e leva em conta as variações da cotação internacional do petróleo e da flutuação do câmbio, sendo calculado de forma diferente para cada Estado segundo o diretor-geral da Arsp, Júlio Castiglioni. Essa elevação passa a ser válida desde o dia 1º de agosto.

Este é o quarto reajuste da molécula feito pela estatal no ano. Com isso, o preço atual do metro cúbico fornecido pela Petrobras está 88% mais caro do que ao final de 2017. “Esse item é o responsável por cerca de 75% a 80% do preço final do gás e não depende da gente, mas sim da política da empresa, que detém um monopólio”, explica Castiglioni.

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Segundo a Petrobras, os reajustes são trimestrais em todos os contratos. “As variações recentes nos preços do gás nos diversos Estados, inclusive no ES, seguiram as variações ocorridas do mercado internacional, que também afetaram os preços dos demais combustíveis. Dessa forma, as condições atuais dos contratos comerciais de gás são adequadas e mantêm a competitividade do gás natural no mercado”, informou.

DISTRIBUIÇÃO

De acordo com Castiglioni, para tentar conter essas altas do preço da molécula e evitar um aumento tão grande da tarifa final, a Arsp procurou negociar com a BR Distribuidora e realizou uma consulta pública, fazendo com que a revisão anual da margem de distribuição, que diz respeito aos custos de operação da subsidiária, fosse reduzido em 2018.

“Essa revisão é feita em janeiro, mas vinhamos negociando deste então, apontando métodos mais eficientes, e assim conseguimos a redução de 8,54%. Hoje, a nossa margem de distribuição é a menor do país. O problema é que ela é a que menos conta na tarifa”, afirma. A redução do custo aprovada já está valendo e terá efeito retroativo desde janeiro.

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O diretor-geral da Arsp citou ainda a proposta de criação da companhia estadual de gás, em sociedade com a BR Distribuidora, como uma forma de se haverem melhores práticas e, consequentemente, uma tarifa mais baixa. A proposta está em análise pela Justiça Estadual.

Procurada, a BR Distribuidora informou que a revisão anual é determinada pela agência reguladora.

ALTA AMEAÇA INVESTIMENTOS NO ES

Com mais uma elevação no preço do gás natural, o setor industrial capixaba, que é responsável por 90% do insumo no Estado, já sente o impacto da redução da competitividade, comprometendo planos de expansão e investimentos no Espírito Santo.

Embora seja o quarto maior produtor de gás natural do país, o insumo aqui acaba sendo mais caro do que em outros Estados.

Segundo Júlio Castiglioni, isso se dá pelas formas de cálculo dos custos de transporte e da molécula feitas atualmente pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pela Petrobras, respectivamente.

“Estamos dialogando para mudar isso por entendermos que é paralisante para o setor produtivo”, comenta.

NÚMEROS DO MERCADO DE GÁS NATURAL NO ES

Consumidores

51.792, sendo 51.075 residenciais

Municípios atendidos

Anchieta, Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Colatina, Itapemirim, Linhares, São Mateus, Serra, Sooretama, Viana, Vila Velha e Vitória

Rede de gás instalada

462 quilômetros

Consumo médio mensal

83 milhões de metros cúbicos

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