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Guerra comercial: onda protecionista ameaça negócios no ES

Temor da indústria exportadora é a restrição a produtos locais

Porto de Vitória - Terminal Portuário de Vila Velha
Porto de Vitória - Terminal Portuário de Vila Velha
Foto: Guilherme Ferrari/Arquivo

Ao taxar e impor cotas para a importação de aço e alumínio nos Estados Unidos, o presidente americano, Donald Trump, dava apenas o primeiro sinal de que transformaria sua rivalidade com a China numa verdadeira guerra comercial com proporções globais.

Apesar de o principal alvo das medidas serem os chineses, os efeitos desse conflito têm respingando no Brasil e mesmo no Espírito Santo. O temor da indústria exportadora local é que esse movimento contagie outros setores, afetando a pequena economia aberta capixaba.

O quadro preocupa, segundo especialistas, já que num contexto de economia integrada, essa onda protecionista gera pressão nos preços, no nível de produção e pode trazer impacto aos parceiros econômicos dessas duas potências. Diversas nações, como forma de retaliar a atitude norte-americana, também aderiram à disputa na tentativa de se blindar.

A confusão começou com acusações de Trump sobre a China roubar a propriedade intelectual da indústria norte-americana. A expectativa é que a visita do vice-ministro do Comércio chinês, Wang Showen, ao Estados Unidos no final de agosto, esfrie a tensão. Caso uma trégua não ocorra, o problema pode se transformar numa bola de neve.

“Atualmente, temos a China como grande protagonista do comércio internacional. O mundo mudou e os Estados Unidos não possuem mais a hegemonia. Tanto na Europa como na América Latina, as pessoas questionam se o eixo de confiança nos negócios possa estar se desviando dos EUA para a China”, afirma o empresário Marcilio Machado, presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado (Sindiex).

INTERVENÇÕES

A princípio, ele acredita que produtos que saem do Estado, como o mármore e granito, a celulose e o petróleo, não estejam na mira das intervenções dos EUA, que têm a maior participação na pauta de exportação capixaba, sendo destino de 34% das mercadorias.

Mesmo que alguns segmentos estejam, pelo menos por hora, seguros, várias exigências dos Estados Unidos estão valendo, acertando em cheio o setor siderúrgico. O segmento se vê ameaçado por outros países que também estudam impor barreiras para a entrada dessas mercadorias. O México já iniciou a aplicação de tarifas. Venezuela, Colômbia, Equador estão discutindo o aumento.

A União Europeia e o Nafta (Canadá e México) chegaram a elevar o tom contra o líder americano, aplicando represálias por causa da sobretaxa do aço.

A Europa por exemplo colocou tarifas para tecidos, suco de laranja, bebidas e motocicletas. Após um cessar-fogo temporário, acertado no final de julho, o bloco manteve os impostos criados, mas suspendeu a adoção de novas tarifas. Trump decidiu não tarifar os carros europeus.

AÇO

De acordo com o professor da Fucape, André Aroldo Freitas de Moura, PHD em Contabilidade e Finanças, quando anunciou em março a taxação do aço, inicialmente, houve isenção dessas tarifas para vários países, dentre eles o Brasil.

“No entanto, em maio ficou imposta uma restrição por cotas. A exportação ficou limitada a 3,5 milhões de toneladas, sendo que essa quantidade representa 7% a menos que em 2017”, explica.

De acordo com ele, a limitação das exportações vai acarretar diminuição de receita para as exportadoras de aço brasileiras, podendo trazer impactos na economia capixaba, já que a sexta maior exportadora brasileira tem unidade no Estado.

“Cabe às companhias brasileiras buscarem alternativas de exportação para outros países ou uma maneira de aumentar suas vendas nacionais para não haver diminuição na produção e consequente corte de empregos”, afirma.

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