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Alimentação natural nas escolas fortalece o campo no Espírito Santo

Cooperativas conectam produtores e escolas, além de ampliar o mercado consumidor

Valíria com a filha, Lavínia, na produção de banana e café, em Ponto Alto, Domingos Martins
Valíria com a filha, Lavínia, na produção de banana e café, em Ponto Alto, Domingos Martins
Foto: Bernardo Coutinho

De uma a uma, as crianças vão ocupando a fila da merenda em uma escola de Vitória. Alface, tomate, frutas, biscoitos: a refeição varia a cada dia. Os pequenos não imaginam o caminho percorrido pelos alimentos, cultivados em boa parte por agricultores familiares de todo o Estado, por meio de cooperativas, que fortalecem a produção em menor escala.

Do valor destinado à alimentação distribuída nas escolas, boa parte vem do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que exige a aplicação de 30% do recurso na agricultura familiar, como manda a Lei nº 11.947. Só para se ter ideia, em 2017, Vitória recebeu R$ 5,6 milhões por meio do programa.

Para facilitar a venda dos pequenos produtores, existem cooperativas no Estado que fazem esse trabalho. Em Vitória, oito delas fornecem alimentação natural para as crianças. A nutricionista técnica responsável pela alimentação das escolas da Capital diz que parte dela é orgânica.

02/09/2018 - Alimentação natural nas escolas fortalece o campo. Valíria com a filha Lavínia na plantação de bananas, que  abastecem escolas
02/09/2018 - Alimentação natural nas escolas fortalece o campo. Valíria com a filha Lavínia na plantação de bananas, que abastecem escolas
Foto: Bernardo Coutinho

“Fornecemos lanche pela manhã, com frutas e também almoço ou jantar, dependendo do horário que a criança está na escola”, explica.

Uma das instituições que fornece alimentos para escolas de toda a Grande Vitória é a Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram) – município onde também atua em parceria com instituições de ensino. Por lá quem faz as entregas semanais é a produtora rural Valíria Effgen Endringer, de 36 anos.

Diante da possibilidade de vender os produtos para a cooperativa e ter uma rentabilidade maior, Valíria e Dirceu investiram em uma câmara de maturação de banana, que adianta todo o processo e garante uma alimentação de melhor qualidade nas escolas.

“A gente conseguiu justo no momento em que começamos a entregar para a cooperativa. Antes a gente tinha que ir a Santa Maria de Jetibá, onde a gente alugava uma câmara por lá. Tinha o deslocamento de levar a banana e trazer de volta. Agora todo mundo traz para madurar aqui e ampliamos nossa renda”, explicou. Assista ao vídeo abaixo: 

A poucos quilômetros da propriedade de Valíria vive o produtor rural Tarcísio Schneider, de 50 anos. Com a esposa, Ângela, e o filho, Gabriel, eles se dedicam à produção de café, frutas cítricas e de aipim.

Tarcísio com o filho, Gabriel, e a esposa, Angela
Tarcísio com o filho, Gabriel, e a esposa, Angela
Foto: Bernardo Coutinho

O aipim é o produto mais recente. Começou em agosto do ano passado e já está rendendo bem. Já foram mais de 2 toneladas encaminhadas para a Coopram em um ano. “A cooperativa ajuda a vender mais. Se for vender por aqui é muito pouco”, explicou.

Gabriel, de 17 anos, terminou o ensino médio há pouco tempo, mas continua ajudando o pai no campo enquanto não faz faculdade. Ele acredita que a agricultura familiar melhora a qualidade dos produtos nas escolas.

Tarcísio com o filho, Gabriel, e a esposa, Angela
Tarcísio com o filho, Gabriel, e a esposa, Angela
Foto: Bernardo Coutinho

“A gente gosta de produzir com qualidade e acho que os pais que são produtores querem ver o filho bem tratado nas escolas. Eles sabendo que os filhos podem consumir esses alimentos, vão produzir com mais qualidade. Acredito que todo mundo pensa assim”, explicou.

ALIMENTAÇÃO PARA VÁRIAS INSTITUIÇÕES

Os alimentos que saem dos pequenos produtores para as cooperativas não vão apenas para as escolas, segundo o gestor de vendas institucionais da Coopram, Luduvico Bullerjahn. Hoje a produção também vai para a Marinha, Exército e até para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília.

“Acabamos fazendo esse papel de braço operacional do produtor. Fica inviável para ele levar as mercadorias até esses pontos de consumo. O produtor fica na propriedade produzindo e tem alguém que conecta esse mercado a ele”, detalha Luduvico.

A cooperativa existe desde 2007 em Domingos Martins. Anualmente, 300 toneladas de alimentos são enviadas para as instituições. No total são 200 cooperados, que produzem inhame, banana-da-terra e banana nanica, laranja abacate, aipim, tomate e biscoito, entre outros alimentos.

Luduvico completa que, agora, espera incentivar mais a produção orgânica, livre de agrotóxicos, entre os produtores. “A dificuldade que muitos acham ainda é na conversão do solo”, lembra.

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