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Gasolina e taxa de água pesam mais no bolso

Inflação em Vitória subiu para 0,88%, quase o dobro da nacional

Setores de combustíveis e habitação são os que, no Espírito Santo, registram  maior variação mensal, acumulada no ano e nos últimos 12 meses no IPCA
Setores de combustíveis e habitação são os que, no Espírito Santo, registram maior variação mensal, acumulada no ano e nos últimos 12 meses no IPCA
Foto: F·bio Vicentini

Os reajustes nas tarifas de água e esgoto da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) e no preço dos combustíveis, como diesel e gasolina, puxaram a inflação da Grande Vitória em setembro. A região teve a segunda maior elevação do país no mês passado, de 0,88%, ficando atrás somente de Brasília, que teve uma variação mensal de 1,06%.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na Grande Vitória ficou acima do que foi registrado no Brasil, de alta de 0,48% no mesmo período, o maior índice para o mês desde 2015. Em agosto, a Grande Vitória havia apontado deflação mensal de 0,04%.

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Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já incluem a mudança na taxa da Cesan, que foi reajustada no dia 16 de agosto em 3,89%.

“Cerca de dois terços dessa alta de preços de setembro vêm da questão do aumento no valor cobrado pelos combustíveis e na taxa da concessionária”, acrescenta o economista Eduardo Araújo, que é vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon).

No acumulado do ano, a inflação na região de Vitória já subiu 3,78%. Por grupos de produtos e serviços, o IPCA na Grande Vitória teve alta de 7,04% na Habitação, com a taxa da Cesan e outros reajustes, como energia, e 5,26% nos Transportes (combustíveis). Na avaliação mensal, a variação desses setores foi de 2,11% e 2,07%, respectivamente.

Setores de combustíveis e habitação são os que, no Espírito Santo, registram  maior variação mensal, acumulada no ano e nos últimos 12 meses no IPCA
Setores de combustíveis e habitação são os que, no Espírito Santo, registram maior variação mensal, acumulada no ano e nos últimos 12 meses no IPCA
Foto: Thiago Guimarães/arquivo/foto do leitor

Contribuem para o impacto nos preços relacionados ao segmento de Habitação o fato de Vila Velha e Vitória estarem entre as cinco cidades com imóveis mais valorizados do país, como mostrou reportagem de A GAZETA publicada ontem.

Já entre os combustíveis, é a gasolina que mais impactou no crescimento da inflação, no Estado e no restante do Brasil. O preço médio da gasolina no país acumulou, em 12 meses até setembro, alta de 19,99%. Apenas em setembro, a alta foi de 3,94% e, no acumulado do ano, de 13,74%. Há postos no Espírito Santo que vendem o combustível a R$ 5,15 o litro.

“A parcela da população que mais sente os efeitos disso é a classe média, que mais possui carro. Quem utiliza o transporte público ainda não foi tão impactado porque o preço das passagens só costuma subir no início do ano”, destaca o professor de economia Paulo Cézar Ribeiro, coordenador de Extensão da Doctum Vitória.

O índice acumulado dos últimos 12 meses na Grande Vitória é de 4,05%, bem maior do que o acumulado anual alcançado em janeiro, que foi de 2,55%.

A greve dos caminhoneiros, em maio, que elevou o preço de vários produtos capixabas, é apontado como um dos fatores que provocaram esse crescimento nos últimos meses. No entanto, Eduardo Araújo pontua que o resultado não foi tão negativo.

“A inflação dos últimos 12 meses na Grande Vitória, que é mais utilizada para analisar os cenários, está abaixo do centro da meta, que é de 4,5%, e menor que a variação do período no Brasil, que foi de 4,53%”, acrescenta o economista.

Essa, inclusive, foi a primeira vez no ano que o IPCA em 12 meses no Brasil fica acima do centro da meta do Banco Central. No Estado, os setores que ajudaram a controlar os preços e registram variação mensal negativa em setembro foram o de saúde e cuidados pessoais (-0,02%) e o de artigos de residência (-0,01%).

 

 

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