Notícia

Produtos gourmet do Espírito Santo conquistam o mundo

Bananas-passas feitas em Cariacica começam a ganhar o mercado internacional

Vera Lúcia Monteiro Barcelos e outras cooperadas na cooperativa agroindustrial AGROCOOP
Vera Lúcia Monteiro Barcelos e outras cooperadas na cooperativa agroindustrial AGROCOOP
Foto: Marcelo Prest

Penca por penca as bananas são retiradas da caixa. As frutas in natura são lavadas, descascadas e transformadas em um produto com valor agregado mais elevado, como passas, bombons, chips e até farinha. A gourmetização do agronegócio capixaba tem ultrapassado fronteiras e começa a conquistar o mundo pelo sabor diferenciado e pela qualidade.

Em Cariacica, a união de sete mulheres vem transformando não apenas a matéria-prima que usam em um novo produto, mas também gerando oportunidade de renda para as integrantes do grupo.

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A fabricação, que ainda é pequena, tem características únicas. Uma delas é o perfume que o produto exala. Só de sentir o cheiro já dá água na boca. Por esse e alguns outros motivos, as delícias de Cariacica começam a conquistar o paladar de consumidores em Dubai, Rússia e Bangladesh.

O processamento da banana passa começou na década de 1990, mas no ano passado surgiu uma nova oportunidade. A Cooperativa Agroindustrial do Espírito Santo (Agrocoop) conheceu o grupo de mulheres e propôs uma união.

“A banana-passa que fazemos aqui tem mercado e procura. Juntos, como cooperados, conseguimos melhorar a estrutura. Estamos pensando em crescer essa agroindústria, que é a minha vida”, comenta Vera Lúcia Barcelos, 57, uma das fundadoras do grupo.

Para conseguir produzir quatro quilos de passas, é preciso uma caixa de 20 quilos da fruta.

Por mês, são processadas quase uma tonelada de bananas prata e nanica, mas o número pode aumentar. Segundo o presidente da cooperativa, Wellington Luiz Pompermayer, fechando negócios com Dubai, Rússia e Bangladesh, a expectativa é que sejam exportadas cinco toneladas de bananas-passas para cada país.

Vera Lúcia Monteiro Barcelos e outras cooperadas na cooperativa agroindustrial Agrocoop
Vera Lúcia Monteiro Barcelos e outras cooperadas na cooperativa agroindustrial Agrocoop
Foto: Marcelo Prest

Com o mercado consumidor cada vez mais exigente, para agradar o público e ganhar espaço, é preciso se reinventar. Com as 

cooperativas

não é muito diferente, elas estão em busca de novos negócios.

No caso da Agrocoop, que surgiu em 2015, a ideia de ser uma exportadora de produtos capixabas foi a base de tudo. “Nosso foco é o mercado externo porque é onde você consegue um valor melhor pelo produto final”, comenta Pompermayer.

Hoje, com quase 160 cooperados em todo o Estado, a Agrocoop une produtores de diversos municípios com um mesmo objetivo: agregar valor a suas produções. Em Afonso Cláudio, por exemplo, são produzidas uvas e tomates que ganharam novas versões.

O tomate seco fresco ganha um ar de produto especial, sendo transformado em tomate seco gourmet. E as uvas viram suco de uva integral. Já foram enviadas amostras dos dois itens para o mercado externo.

Estamos em busca de sabores diferentes. Um de nossos cooperados gosta muito de misturar sabores e criar, o que contribui com o nosso trabalho
Wellington Luiz Pompermayer, presidente da Agrocoop

Segundo Pompermayer, outros produtos também estão sendo pensados para a exportação, entre eles está o abacaxi desidratado com chocolate. 

COOPERATIVAS DE OLHO NA EXPORTAÇÃO

A intenção é a mesma entre os diversos produtores espalhados de Norte a Sul do Espírito Santo, diversificar a oferta de produtos especiais. O mercado, que pede por novidade, está de portas abertas para receber esses itens.

A busca pelo mercado externo é uma forma de garantir aos seus associados um melhor preço pelo que produzem. Algumas cooperativas já nascem pensando que é possível fazer a diferença para a produção do Estado.

O cacau cultivado em Linhares, no Norte do Estado, já é considerado um dos melhores do mundo. Com essa chancela de qualidade, a ideia é montar uma fábrica piloto de chocolate e exportar o produto final.

A princípio começaremos abastecendo o mercado interno. Vamos profissionalizar nossa produção, aprendendo a trabalhar com excelência para depois exportar
Emir de Macedo Gomes Filho, presidente da Coopercacau

“A princípio começaremos abastecendo o mercado interno. Vamos profissionalizar nossa produção, aprendendo a trabalhar com excelência para depois exportar”, comenta o presidente da Cooperativa de Cacau do Espírito Santo (Coopercacau), Emir de Macedo Gomes Filho.

Ainda segundo Emir, o mercado internacional paga três a quatro vezes mais do que o mercado nacional. “Queremos, com a cooperativa a pleno vapor, alcançar esse mercado para ter sustentabilidade econômica para a exportação de amêndoas e de chocolate”, afirma.

Já a Agrocoop está expandindo sua produção, integrando geleias ao seu catálogo de vendas.

“Estamos fazendo geleia gourmet de amora, morango, goiaba, abacaxi com hortelã e maçã com gengibre. O que fazemos hoje é para valorizarmos ainda mais o produto capixaba”, comenta Wellington Luiz Pompermayer, presidente da cooperativa.

ANÁLISE

Experiência de consumo

Rodrigo Belcavello Barbosa analista do Sebrae

O consumidor hoje vê que qualidade não é diferencial e sim obrigação. Ele observa o asseio com o produto e se o que consome é produzido para ele da mesma forma que o homem do campo faria para a família, com carinho de forma especial. Além disso, a forma de tratar o produto com cuidados ambientais e sanitários agrega valor.

Existe no Estado uma gourmetização que vai além da venda de alimentos. Busca-se usá-los na alta gastronomia. Mercadologicamente falando é muito interessante que os grandes chefes estejam cozinhando com produtos capixabas.

A exportação é uma proposta cada vez mais interessante para o futuro. Ainda não temos um volume muito grande de produtos mais nobres para larga exportação. Mas conseguir a certificação para comercializá-los em nível nacional já é um passo muito importante para esses produtores.

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