Notícia

Empresários capixabas contam como driblaram a pouca escolaridade

Sucesso nos negócios mesmo sem diploma Empresários contam como driblaram a pouca escolaridade

Mesmo sem curso superior, Mariana Plaster virou uma referência em  alongamento capilar
Mesmo sem curso superior, Mariana Plaster virou uma referência em alongamento capilar
Foto: Bernardo Coutinho

Ter um diploma de curso superior pode abrir muitas portas, além de aumentar as chances para quem quer ter uma carreira promissora. No entanto, o sucesso profissional não depende exclusivamente de uma formação acadêmica. Há exemplos de empresários que driblaram a falta de estudos, usaram toda a criatividade para investir no próprio negócio e correram atrás do sonho de ser bem-sucedido. E eles conseguiram.

É o caso do Luiz Antônio de Souza, de 59 anos, proprietário do restaurante e lanchonete Açaí Vitória. Ele estudou até a 4ª série do ensino fundamental porque precisava ajudar os pais na roça e, com o tempo e a necessidade de trabalhar, acabou não retornando à sala de aula. Mas o afastamento dos estudos não inviabilizou a sua veia empreendedora.

O empresário começou a trabalhar como representante de polpa de açaí há 20 anos, em uma época em que o consumo do fruto ainda não era tão popular no Espírito Santo. “Um amigo começou a trabalhar com açaí e não deu muito certo. Ele me ofereceu o negócio e eu aceitei o desafio. Na época, a dificuldade era grande. Uma delas era que eu precisava buscar o produto de carro no Rio de Janeiro. Fui o primeiro a trabalhar com o açaí no Espírito Santo. Sempre acreditei no que estava vendendo”, conta.

Hoje, Luiz Antônio é proprietário de um restaurante e de uma lanchonete, que funcionam em Maruípe, Vitória, de uma fábrica de sorvete, onde faz o beneficiamento do açaí, e de uma distribuidora. “Estudei muito pouco, mas isso não impediu que eu investisse no meu sonho. Acredito que para ter sucesso é necessário fazer bem-feito. É preciso acreditar no sonho, persistir porque, se não colocar a alma no negócio, não vai dar certo”, ressalta.

Quem também não deixou que a pouca escolaridade atrapalhasse seus planos foi Maely Coelho, de 70 anos. Ele, que estudou até a quarta série do ensino fundamental, atuou como vendedor e, há 50 anos, abriu sua primeira empresa, no ramo de outdoor. Hoje, tem cinco negócios em várias áreas, incluindo na de saúde, com o plano MedSênior.

O empresário Maely Coelho
O empresário Maely Coelho
Foto: Carlos Alberto Silva

Maely lembra que, na década de 60, saiu da Bahia para ganhar a vida no Espírito Santo e, após muito esforço e dedicação ao trabalho, foi conquistando sucesso nos negócios. Tanto é que atualmente ele comanda 630 funcionários.

“A falta de estudo nunca me limitou, pois tive meus objetivos muito claros. Como eu precisava trabalhar, acabei não retornando para a escola. Mas mesmo assim, nunca deixei de estar bem informado, e cultivo o hábito da leitura, que vai de bula de remédio a grande obras literárias”, frisa ao comentar que sempre incentiva as pessoas a estudarem.

A empresária Mariana Plaster, de 29 anos, também não tem um diploma de ensino superior, mas mesmo assim se destaca no seu segmento. Ela é uma das referências nacionais em alongamento capilar e já atendeu famosas como Juju Salimeni e Gracianne Barbosa.

Proprietária de um salão na Serra que leva o seu nome, ela é especializada em megahair. A jovem, que tem o ensino médio completo, até chegou a iniciar o curso de psicologia, mas acabou largando. O objetivo é retomar em algum momento os estudos. “Quem quer ter sucesso precisa acreditar.”

Francisco de Assis estudou até a 8ª série. Ele, que trabalhou como limpador de quintal, vendeu a moto para abrir seu primeiro negócio. Hoje tem dois restaurantes
Francisco de Assis estudou até a 8ª série. Ele, que trabalhou como limpador de quintal, vendeu a moto para abrir seu primeiro negócio. Hoje tem dois restaurantes
Foto: Bernardo Coutinho

BOA IDEIAS VIRAM TRUNFO NA ABERTURA DE EMPRESAS

A necessidade de trabalhar e ganhar dinheiro faz, muitas vezes, com que os estudos sejam deixados em segundo plano. Apesar disso, vários empreendedores encontram uma motivação para pensar em algo que ninguém havia pensado antes. Assim, eles apostam na veia empreendedora, dão tudo de si para alcançar o sucesso e investem em negócios inovadores, mesmo com pouco dinheiro.

 

 

O proprietário do Caranguejo do Assis, Francisco de Assis, 51 anos, por exemplo, abriu o primeiro restaurante em 2001 com o dinheiro da venda de uma moto. Hoje, são dois estabelecimentos, um em Itaparica, Vila Velha, e outro no quiosque 6, na Orla de Camburi, em Vitória.

“Antes de ter o meu próprio negócio, trabalhei por dez anos em um restaurante, sendo cinco como garçom e cinco como gerente. Sempre tive muita vontade de trabalhar por conta própria até que a oportunidade apareceu e eu senti que era a hora. Vendi uma moto e usei o valor no que acreditava ser um sonho. Tudo foi conquistado com muita persistência. Fui com a cara e a coragem, não tinha muito dinheiro, mas me sobrava muita força de vontade. Avalio que tive sorte porque arrisquei no momento certo e deu certo. Para quem quer ter sucesso em seus empreendimentos, digo que é possível sonhar até que esse sonho se torne realidade. Quando há dedicação, as coisas acabam dando certo”, conta.

Diante da necessidade de trabalhar, ele estudou apenas até a 8ª série do ensino fundamental. Mesmo assim, Assis comenta que sempre se virou. Aos nove anos conseguiu o primeiro emprego, como limpador de quintal. Aos 13 anos, foi vender picolé na praia.

“Também cheguei a vender jornal. A juventude foi de muito trabalho, mas fundamental para alcançar meus sonhos”, ressalta o empresário ao observar que foi aos 17 anos que, de fato, descobriu que queria trabalhar no setor de alimentação.

CONSTRUÇÃO

 

 

O psicólogo Peter Noronha ressalta que a resiliência é fundamental para quem quer empreender. “O sucesso é construído a cada dia. É natural cair, levantar e ficar ainda melhor do que antes. Um empresário criativo aproveita as oportunidades do mercado, executa aquilo que acredita e vai ajustando ao longo dos anos. Para ter sucesso, tem que ser apaixonado pelo o que vai fazer e isso é o que motiva esses empresários. Além disso, quanto mais verdadeiro ele for e acreditar no seu negócio, mais longe ele poderá chegar”, diz.

A coordenadora do curso de Gestão de Recursos Humanos à distância da UVV, Marinete Andrião Francischetto, aponta que a falta de estudos não pode ser desculpa para não alcançar o sucesso, seja como empresário seja como funcionário de carteira assinada.

“Mesmo não tendo frequentado uma sala de aula, essas pessoas se tornam grandes empreendedoras e são extremamente brilhantes”, observa.

Luiz Antônio de Souza abandonou os estudos, mas conseguiu abrir o próprio negócio
Luiz Antônio de Souza abandonou os estudos, mas conseguiu abrir o próprio negócio
Foto: Bernardo Coutinho

RESULTADOS 

Existem profissionais sem diploma que buscam conhecimento de outras formas que os tornam admirados pelo mercado. Na opinião da psicóloga Martha Zouain, com a ausência de uma formação, esses empreendedores se empenham em promover resultados extraordinários.

“É quase que um desafio compensar a falta do diploma e provar que é possível ter sucesso sem ele. E dá certo. Outro ponto que é bastante interessante no perfil desses profissionais é que são humildes e se cercam dos melhores talentos. Sabem que o importante é o resultado e que vaidade pode ser uma grande vilã se eles não estiverem abertos a contribuições”, avalia a psicóloga.

OS CAMINHOS DO SUCESSO

Oportunidades

Abrace as oportunidades e desenvolva seu trabalho pensando no melhor para o cliente, ou seja, no que gostaria que fosse feito para você.

Potencial

Acredite no seu potencial e nunca desista. Fácil não vai ser, mas tem que correr atrás, colocar a alma no negócio.

Dedicação

Seja qual for o ramo que for atuar, dê o seu melhor. O trabalho precisa ser bem-feito.

Livros e notícias

Procure estar sempre bem informado. A leitura também é essencial.

Objetivos

Tenha seus objetivos muito bem definidos, pois são eles que definem onde você quer chegar. Além disso, estabeleça tempo para atingir cada meta.

Dedicação

Persistência, dedicação e confiança em si mesmo são a receita para o sucesso.

Fonte: empresários ouvidos pela reportagem

Ver comentários