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Tradicional rede de farmácias fecha as portas no Espírito Santo

O anúncio foi feito durante uma reunião com funcionários, que aconteceu na última quarta-feira (5), e confirmada pelo Gazeta Online nesta sexta-feira (07)

Farmácia Avenida na Reta da Penha, em Vitória
Farmácia Avenida na Reta da Penha, em Vitória
Foto: Kaique Dias

A tradicional rede de farmácias Avenida, que atua há mais de 50 anos no Estado, vai fechar todas as 10 unidades nesta sexta-feira (7), na Grande Vitória. O anúncio foi feito durante uma reunião com funcionários, que aconteceu na última quarta-feira (5), na unidade localizada no bairro Jardim da Penha, em Vitória. A informação do encerramento das atividades foi confirmada pela reportagem do Gazeta Online, que visitou na manhã desta sexta uma filial localizada na Reta da Penha.

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Ao Gazeta Online, um balconista, que prefere não ser identificado, afirmou que, devido ao fechamento, os funcionários não devem receber o 13° nem o salário deste mês. "A única coisa que a gente vai receber é o seguro-desemprego e o Fundo de Garantia", disse.

De acordo com o funcionário, há pelo menos seis meses a empresa está passando por problemas financeiros. "A gente já sabia que ia dar nisso, que ia fechar. Hoje (quarta) teve a reunião com o gerente e eles decidiram fechar a farmácia porque não tinha mais condições de ficar aberta". 

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130

É a quantidade atual de funcionários da rede, segundo um trabalhador antigo

Procurada pela reportagem na noite de quarta-feira (5), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Drogarias, Farmácias e Distribuidoras de Produtos Farmacêuticos e Hospitalares do Espírito Santo (Sintrafarma), Aderiton Alcântara, disse que ocorreu uma comissão com os trabalhadores e que o jurídico repassou todas as informações sobre a possibilidade de alguns funcionários ficarem sem os benefícios. "A ideia que foi passada para a comissão foi informar aos outros trabalhadores o que estaria sendo feito".

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Questionado sobre o motivo do fechamento, Aderiton não soube informar.

HISTÓRICO

Em entrevista ao Gazeta Online nesta sexta-feira, um funcionário que trabalha há mais de 10 anos na rede contou como a situação chegou a esse ponto. Segundo ele, há um ano, a queda foi direta.

Quem fundou a Avenida deixou ela toda certinha. Vendeu para 18 acionistas. Daí em diante que começou o desentendimento. Foram um vendendo para o outro até chegar a esse dono de hoje. Só que, nós, funcionários, não sabemos direito o que aconteceu entre eles. Sabemos que um foi vendendo para o outro e foi entrando em uma crise financeira, aumentando as dívidas com fornecedores, com os distribuidores
Funcionário

Mas, até então, nunca houve dívida com funcionário, como foi o que aconteceu este mês. "Não foi pago a folha nem a primeira parcela do 13º. Estamos sem receber ainda (o salário era pago no 5º dia útil). A primeira vez que chega a dívida até os funcionários. Mas fornecedores, distribuidores e alguns impostos estão atrasados", afirma.

Sobre as demissões, o funcionário disse que o dono informou que as carteiras de todos receberão baixa. "Só que, mesmo assim, continuamos com o salário atrasado. Provavelmente, vamos ter que receber todos na Justiça, através do sindicato".

SENTIMENTO

A parte sentimental fica 100% abalada, porque eu aprendi a trabalhar em farmácia aqui dentro e depois fica a sensação de injustiça, porque você trabalhou. Ninguém nos avisou que não teria salário. Nesses últimos seis meses, de crise mais intensa, aconteceram várias promessas de melhora. Foi prometendo e, infelizmente, não cumpriu até chegar ao que está acontecendo hoje. Já até procuramos o sindicato e vamos ter que resolver na Justiça.
Funcionário há mais de 10 anos

TRADIÇÃO

Outro funcionário, com mais de 20 anos de empresa, lamenta o fechamento. "Uma rede de 52 anos de tradição no mercado e, em 2016, foi passada para outro grupo, que é esse atual. Até então uma rede saudável, nunca teve problema com fornecedores nem com funcionário. Nunca tivemos nenhum arranhão na imagem. Infelizmente, acho que a administração não foi muito bem-sucedida e levou ao que está hoje".

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De acordo com ele, a falta de pagamento de funcionário está forçando essa situação. 

Funcionário sem receber não trabalha. Funcionários se reuniram com sindicato e decidiram não trabalhar mais, mas o próprio dono disse que não tinha condições de continuar. Vamos entrar na Justiça para ver se conseguimos receber, é o que nos resta.
Funcionário da rede

OUTRO LADO 

À reportagem, nesta sexta-feira (07), uma funcionária da rede confirmou que as farmácias vão fechar às 18h de hoje. Na ligação, outra funcionária passou o contato do escritório da empresa. Mas, até o momento, as ligações não foram atendidas.

O Gazeta Online também tentou falar com o proprietário da rede, mas ele não atendeu às chamadas. A reportagem também esteve na filial localizada na Reta da Penha, em Vitória, onde o fechamento foi confirmado.