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Falta de chuva no ES faz preço de alimentos disparar

Tempo seco no início do ano prejudicou cultivos no Estado

Foto: Débora Tesch/divulgação

O consumidor está sentindo no bolso o reflexo de mais de um mês sem chuvas no Estado. Devido ao tempo seco e calor intenso, os produtores estão enfrentando perdas na produção. Como consequência disso, o preço de alguns itens da cesta básica da classe média subiu nos supermercados mais de 100% no último trimestre.

As chuvas moderadas ao longo de 2018 deram esperança aos produtores de que a colheita de 2019 seria acima da média. Mas, as expectativas estão sendo frustradas. “Vamos ter uma perda considerável de produção neste ano, principalmente no café, produção de leite, hortaliças e raízes”, comenta o presidente da Federação da Agricultura (Faes), Júlio Rocha.

Segundo um estudo realizado pela Empresa Júnior de Administração da Faculdade Doctum de Vitória, desde setembro, as condições climáticas estão fazendo a inflação sobre os alimentos aumentar. Já são quatro meses seguidos de alta de preço. 

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No acumulado de setembro a janeiro, houve uma alta de 8,98% no valor da cesta básica da classe média puxada principalmente pelos seguintes produtos: batata-inglesa (111,5%), cebola (88%), tomate (53,8%), cenoura (44,7%), mamão (42,1%), maracujá (38,6%) e banana-prata (29,5%).

A dona de casa, de 79 anos, Lenir Amatuzo percebeu essa diferença no bolso. “Muitas verduras aumentaram de preço nos últimos meses. Está mais caro”, conta.

Com essa elevação nos preços, a mesma cesta básica, composta por 30 itens, que custava R$ 1.664,20, em novembro de 2018, em janeiro deste ano passou a valer R$ 1.705,60.

Foto: siumara gonçalves

PERDAS

No Estado, grande parte dos municípios ficou ao menos 30 dias sem precipitações. Os produtores vivem um momento de “seca verde”, chovendo apenas o suficiente para que as plantas permaneçam vivas.

Débora Tesch, 33 anos, trabalha com a venda de produtos orgânicos produzidos pela família em Santa Maria de Jetibá. Segundo ela, devido à estiagem, a lagoa usada para irrigar a plantação secou. “Estávamos em uma situação de racionar a água e irrigar 20% da plantação. As hortaliças e verduras, como brócolis e couve-flor, foram bem castigadas pelo sol”, relata.

A comerciante teve que reduzir em quase 40% a oferta de produtos. “Os produtos que estávamos colhendo estavam feios, fora do padrão de mercado. Então, preferimos não ofertá-los ao consumidor. Como o ciclo dos nossos produtos é bimestral e trimestral, esse prejuízo de janeiro ainda vai se estender até o começo de março”, comenta.

Já Marcos Vinicius Contarini, 54 anos, conta que tem 15 mil pés de cafés plantado em Cachoeiro de Itapemirim. “Devo colher só metade do que estava prevendo para este ano. Todos os meus vizinhos estão na mesma situação, tem gente que vai ter perda de até 80% nesta safra”, relata.

O presidente da Cooabriel, Antônio Joaquim de Souza Neto, explica que o grãos estão no período de granação. “Sem água, os grãos não conseguem se desenvolver. Estimamos que a produção dos nossos cooperados caia em pelo menos 10%”, diz.

Segundo o presidente do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro), Gilmar Dadalto, o sol está queimando e desidratando frutos. “Além disso, com temperaturas muito acima dos 30 graus, a planta não consegue fazer fotossíntese”, explica.

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