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Petrobras vai investir R$ 16 bilhões no ES em cinco anos

Projetos vão aumentar a arrecadação do Estado e dos municípios com royalties e participações especiais

Plataforma P-58 faz parte do projeto Norte do Parque das Baleias, da Bacia de Campos
Plataforma P-58 faz parte do projeto Norte do Parque das Baleias, da Bacia de Campos
Foto: Divulgação

A recuperação do setor de petróleo e gás levará o Espírito Santo a viver um novo momento que vai garantir investimentos tanto em mar quanto em terra, além de aumento na arrecadação do Estado e dos municípios com royalties e participações especiais.

Somente a Petrobras vai investir R$ 16 bilhões em cinco anos, conforme o GAZETA ONLINE antecipou em dezembro do ano passado. A medida é importante para alavancar a indústria extrativa capixaba e terá reflexos em outras atividades produtivas. Um dos marcos para o segmento será a instalação de um novo navio-plataforma que começa a produzir já em 2022.

O valor destinado a projetos locais foi apresentado na manhã desta sexta-feira (05/04) pelo presidente da companhia, Roberto Castello Branco, durante assinatura, no Palácio Anchieta, do acordo de unificação do Parque das Baleias, também chamado de Novo Campo de Jubarte.

A princípio o presidente da petroleira havia falado que seriam R$ 29 bilhões em investimentos. No entanto, a assessoria da Petrobras corrigiu a informação e explicou que o montante é, na verdade, referente ao valor em projetos da Unidade de Operações, Exploração e Produção no Espírito Santo (UO-ES), que gerencia empreendimentos tanto no território capixaba quanto em outros Estados.

O fim de uma discussão, que já levava cinco anos, de acordo com o executivo, será crucial para destravar propostas, como o Integrado Parque das Baleias. A estatal confirma a chegada em 2022 de um novo navio-plataforma na área com a intenção de potencializar a produção. Para a instalação da nova planta serão aplicados R$ 4,1 bilhões. A embarcação se conectará com 11 novos poços, sendo sete produtores e quatro injetores.

O FPSO terá capacidade de produzir 100 mil barris de petróleo por dia e atuará interligado com outras plataformas, como a P-58, a P-57 e Cidade de Anchieta. Será usado o conceito de comunicação hidráulica e sobreposição de jazidas. O FPSO Capixaba, que hoje está na região, será desmobilizado também em 2022 com remanejamento de sete poços para os outros navios.

Apesar de anunciar o volume de recursos para o Espírito Santo, a Petrobras não detalhou quais serão os outros projetos contemplados pela corporação.

A certeza que a empresa fará investimentos no Estado foi também negociada no acordo do Novo Jubarte. Os projetos para esse local serão viabilizados também graças a ampliação do prazo de concessão dos campos, que passará de 2029 para 2056.

“A unificação certamente é um marco muito importante para a produção de petróleo. Ela destrava um impasse que se prolongava por cinco anos e vai nos permitir ter um horizonte longo de investimentos, porque junto com a unificação acordada, nós vamos ter prorrogação da concessão por mais 27 anos. Então, podemos continuar a produzir petróleo no Estado, e principalmente investir e gerar royalties e participações especiais e riqueza para o povo capixaba", explicou Castello Branco.

O presidente da Agência Nacional de Petróleo, Décio Oddone, disse que o fim do problema representa um dos primeiros passos concretos para a retomada da indústria de petróleo e gás no Brasil, após a paralisação do setor por conta da crise que começou em 2014.

“Vamos ter uma mudança absoluta de patamar na nossa indústria. O Brasil vai estar daqui a 10 anos entre os cinco maiores produtores de petróleo do mundo em função de tudo que está sendo feito para atrair investimentos. A produção vai subir na casa de 7 bilhões de barris por dia. Hoje produzimos 3 bilhões. Outro efeito disso será o aumento da arrecadação. Esse crescimento do setor terá um impacto grande na economia.”

Ele diz que a unificação do Parque das Baleias vai permitir que os investimentos cheguem mais rápido ao Espírito Santo do que em outras áreas do país.

SETOR DE GÁS

O presidente da Petrobras também disse que a empresa tem estudado ampliar sua atuação no mercado de gás. As análises são feitas em conjunto com o Ministério das Minas e Energia e com a Agência Nacional de Petróleo (ANP). “O gás natural é um combustível limpo, tem custos mais baixos e vai contribuir para dinamizar a indústria e até para aplicações inovadoras, como a utilização de gás natural liquefeito como combustível da frota de caminhões, que é muito importante no Brasil, permitindo ter energia mais barata”, completou.

Castello Branco, no entanto, não quis falar sobre como andam as negociações da Petrobras com o Estado para a criação da nova empresa de gás. Segundo ele, o assunto será discutido posteriormente.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que também estava no evento, confirmou que será lançado um novo mercado de gás para atrair investimentos para essa área. O projeto é desenvolvido também em parceria com a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).

Exploração de petróleo em terra, em Linhares
Exploração de petróleo em terra, em Linhares
Foto: Carlos Alberto Silva

CAMPOS MADUROS

Apesar de prever investimentos para o Estado, a Petrobras também planeja se desfazer de alguns ativos. O alvo do processo são os campos terrestres, também chamado de maduros.

O presidente da empresa disse que um dos focos da empresa no Espírito Santo será a venda dessas áreas para empresas menores. “Nós não somos os melhores gestores desses campos. Então, nós vamos vendê-los para empresas que são especialistas na operação e na recuperação de pequenos campos. Elas vão investir muito mais do que nós.”

O presidente da ANP explica que o processo de desinvestimento da petroleira deve mobilizar esse mercado que já tinha potencial por causa da oferta permanente de campos que permite a aquisição sem a necessidade de participar de leilões. “As empresas que comprarem os campos da Petrobras vão procurar outras áreas nas vizinhanças para aumentar suas produtividades.”

 

 

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