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Efeito Brumadinho: queda na exportação de minério de ferro pelo ES

Os dados são de janeiro a abril deste ano e foram comparados com o mesmo período do ano passado. Desempenho fraco é resultado de queda na produção após rompimento de barragem

Rompimento da barragem em Brumadinho afeta atividades de exportação
Rompimento da barragem em Brumadinho afeta atividades de exportação
Foto: Rafael Monteiro de Barros | Arquivo

A exportação de minério de ferro por portos capixaba teve queda de 8,33% nos quatro primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados retirados do portal de Comércio Exterior, do governo federal, são reflexos do “Efeito Brumadinho”.

Enquanto que no mesmo quadrimestre de 2018 foram comercializados 8,59 milhões de toneladas, entre janeiro e abril de 2019 a venda realizada foi de 7,87 milhões de toneladas, aproximadamente 715 mil toneladas a menos.

Com o rompimento da barragem de Brumadinho no final de janeiro deste ano - que vitimou 237 pessoas e ainda deixou 33 desaparecidas -, a Vale teve queda na extração do recurso mineral, o que levou a mineradora a priorizar o mercado interno (produção de pelotas e o setor siderúrgico) e reduzir o volume vendido para fora do país.

Relatório de produção da Vale, divulgado nesta quarta-feira (08), comprova a queda na produção e comercialização no minério no primeiro trimestre deste ano.

Nas minas instaladas no Sistema Sudeste - principal região afetada pela tragédia ambiental e humanitária, responsável por atender ao Espírito Santo -, o volume de minério de ferro fabricado passou de 22,2 milhões de toneladas, no primeiro trimestre de 2018, para 19,5 milhões no mesmo período de 2019, uma queda de 11,9%.

Em comparação com o último trimestre de 2018, que fechou em 26,5 milhões de toneladas, o desempenho foi ainda pior, uma queda de R$ 26,2%.

Interdição

O relatório da Vale mostra também uma redução de 1,4% na produção de pelotas nas oito usinas da Vale no Complexo de Tubarão no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. Mas os motivos do desempenho mais fraco não foram Brumadinho.

Além da parada programa das plantas de pelotização 3 e 7, a interdição das atividades de quatro usinas, por cinco dias, pela Prefeitura de Vitória também pode ter prejudicado esse processo industrial. Estimativas feitas na época indicam que a empresa poderia ter prejuízo diário de 3,7 milhões de dólares com a paralisação das atividades.

No três primeiros meses, foram produzidas 7,76 milhões de toneladas contra 7,87 do mesmo período de 2018. Em comparação com o quarto trimestre de 2018, que produziu 9,08 milhões de toneladas, o resultado deste ano foi 14,6% inferior.

Brucutu

Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Léo de Castro, o setor industrial capixaba está em estado de atenção.

Ele explica que, com a queda, a Vale está priorizando fornecer o mercado interno, mesmo com a redução no volume de minério extraído em Minas Gerais.

Mas o que tem trazido preocupação, de acordo com o Léo, é a suspensão das atividades na barragem de Laranjeiras, na mina de Brucutu, na Região Central de Minas, devido à determinação judicial.

“É a principal mina que abastece o Sistema Sudeste. No entanto, queremos uma produção segura. Esperamos que ela seja logo restabelecida, pois a queda na produção pode impactar na pelotização.”

Léo diz, no entanto, que, a princípio, não deve faltar minério tanto para a fabricação de pelotas quanto para o setor siderúrgico. “A Vale está remanejando produção de outras minas para atender seus clientes internos. Está comprometida quanto a isso. Risco existe, lógico. Mas a empresa está procurando mitigar os problemas para atender as empresas do Espírito Santo, que estão todas trabalhando dentro da normalidade.”

 

 

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