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Concurseiros viajam pelo país atrás de um cargo público

De olho na estabilidade, concurseiros superam obstáculos

 Markus Passos e Marcos Furtado se preparam para as provas
Markus Passos e Marcos Furtado se preparam para as provas
Foto: Ricardo Medeiros

Estabilidade e um salário que pode chegar a R$ 35,4 mil mensais. Esses são os principais atrativos que levam pessoas a se dedicarem meses, e até anos, para passar em concurso público.

Com esse objetivo e sem medo de mudanças, muitos concurseiros do Estado viajam pelo país em busca das melhores oportunidades.

Esse é o propósito de Marcos Paulo Silva Furtado, de 34 anos, que atualmente se dedica para fazer as provas do concurso do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que abrange os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Ele, que é jornalista de formação, pretende disputar o cargo de técnico, que tem um salário em torno de R$ 7 mil. “Vim de Governador Valadares, em Minas Gerais, para estudar no Espírito Santo. Das 8 horas às 11 horas frequento as aulas do cursinho. Depois disso, fico na biblioteca estudando até as 20 horas. Meu foco é a carreira de tribunais e, para isso, mantenho essa rotina há quase dois anos”.

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Além da estabilidade e do salário, o que atrai Marcos para o serviço público é a vontade de fazer a diferença. “Há vários exemplos de atuações éticas dentro do serviço público e quero contribuir para melhorar ainda mais essa realidade”, ressalta o candidato.

O advogado Markus Paulo Passos, de 28 anos, foca no concurso da Justiça Federal do Sul do país. Seu objetivo é conquistar uma vaga de analista judiciário. Ele chegou a ter dois escritórios de advocacia no interior do Estado, mas fechou um deles para se preparar. O salário de analista judiciário é de R$ 10 mil.

“A proposta de estabilidade do emprego público me motivou a estudar, pois o mercado privado é muito instável. Para mim, o salário é importante, mas não é o que mais pesa. Ainda mantenho um dos escritórios e mudei há um ano para Vitória para me dedicar ainda mais aos estudos”, destaca.

Já o servidor público Igor Rafael Torezani, de 27 anos, está de olho em uma vaga para delegado. “Trabalho na área de segurança pública e, como sou formado em Direito, procuro algo que possa aliar carreira e salário. Ser aprovado será a realização de um sonho. Abro mão de muitas coisas, inclusive do convívio com a família, para atingir meus objetivos. Quando estou de folga no trabalho, passo o dia estudando”, conta.

SALÁRIOS

Os concursos de nível superior que têm os maiores salários são para cargos da magistratura, ministério público, defensorias, auditoria da Receita e de Tribunais de Contas. Dentre os certames abertos este ano, o que ofereceu a maior remuneração foi o do Ministério Público de Contas do Pará, de R$ 35,4 mil para procurador. Órgãos do governo federal, como Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, são também bastante visados.

A diretora pedagógica do CEP, Ivone Goldner, destaca que os concursos longe de casa são ideais para quem gosta de viagens e novas culturas. “Ao decidir fazer um concurso para outro local, o concurseiro deve analisar muitas variáveis, para que não haja arrependimentos. A lei prevê algumas possibilidades de retorno, mas pode demorar um tempo razoável até conseguir voltar”, ressalta.

Para a diretora do Damásio Educacional, Suellen Rodrigues, prestar concursos em outros Estados ampliar as chances de quem quer conquistar estabilidade e um bom salário. No entanto, esses não devem ser os únicos fatores para a escolha. “Quem foca na carreira e não na remuneração tende a estudar de forma mais assertiva e tem maior chance de passar”, finaliza.

O diretor de Comunicação e Relacionamento da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional do Espírito Santo (ABRH-ES), Fernando Piva, também pondera que, antes de fazer concursos longe de casa, o candidato deve analisar prós e contras de morar em outro Estado.

“É importante avaliar é a situação dos Estados, como a violência do Rio de Janeiro e o custo de vida de Brasília, por exemplo. Tudo deve ser levado em consideração, para que não haja frustração”, avalia.

CANDIDATOS SACRIFICAM MOMENTOS DE LAZER E CONVÍVIO COM A FAMÍLIA

Lívia Romnelli Mariano foi aprovada no concurso para analista judiciário
Lívia Romnelli Mariano foi aprovada no concurso para analista judiciário
Foto: Acervo Pessoal

Para passar em um concurso público, é preciso estudar horas por dia, abrir mão do lazer e do convívio com a família e ainda viajar nos finais de semana para fazer as provas.

Seguindo essa cartilha, em setembro de 2016, Lívia Romnelli Mariano, de 28 anos, foi aprovada no concurso para analista judiciário - área judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, que abrange os Estados do Acre e Rondônia. Hoje a servidora está lotada em Porto Velho (RO). Antes dessa seleção, ela havia feito seis provas em outros tribunais como os de Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná. Foram dois anos de estudo.

“Estudava o máximo que podia, entre 9 horas e 10 horas por dia. Abri mão de várias coisas para somente me dedicar aos livros. Estava certa que queria atuar na Justiça Trabalhista e, por isso, estava de cabeça aberta para morar onde eu passasse. Recentemente voltei a estudar, agora para a magistratura”, comenta Lívia.

A procuradora do Ministério Público do Trabalho Janine Fiorot, de 40 anos, era técnica judiciária do TRT no Espírito Santo e optou em deixar a carreira estável para estudar. Ela também restringiu viagens e lazer.

“Sempre tirava um ou dois dias para descanso na semana. Inicialmente queria a magistratura, porém, no decorrer dos estudos, conheci a atuação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e me apaixonei”, destaca.

Janine é procuradora do MPT há 14 anos. As vagas são nacionais e os aprovados são lotados de acordo com a disponibilidade. Ela já trabalhou em Londrina (PR), Salvador (BA) e Rio de Janeiro. Em agosto do ano passado, a procuradora conseguiu ser transferida para Vitória, por conta da antiguidade.

Quem também disputou concurso com vagas nacionais foi o policial rodoviário federal Jhonson Pestana, de 39 anos. Há três anos ele está em Rondônia. “Estudava até oito horas por dia, de madrugada e nos finais de semana. Abdiquei de festas e do convívio com a família. Minha opção sempre foi a PRF, pois cresci perto da Rodovia do Contorno e via o trabalho dos policiais. A aprovação foi a realização de um sonho”, afirma.

Para a defensora pública do Amapá Marcela Fardin, de 33 anos, o cargo tem a ver com uma missão de vida. “Escolhi a carreira e não o local de trabalho. Minha ideia era ter um trabalho que pudesse estar relacionado em fazer o bem ao próximo.” Ela assumiu o posto há dois meses.

“Abri mão de férias para estudar. Viajei com a família para o Beto Carrero, levei os livros e efetivamente estudei lá. De novembro de 2015 para cá, fiz todas as provas para Defensoria”, comenta.

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