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Governo pode arrecadar quase R$ 1 trilhão com privatizações

Montante final ainda vai depender da decisão do governo sobre o que deve ser vendido, disse o secretário Salim Mattar

Salim Mattar participou de evento em Vitória
Salim Mattar participou de evento em Vitória
Foto: Fernando Madeira

Um total de R$ 990 bilhões. Este é o potencial que o Estado brasileiro tem para arrecadar com a privatização de estatais, empresas subsidiárias, participações e imóveis. O valor é praticamente equivalente ao que deve ser economizado pela reforma da Previdência, segundo informou o secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar.

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"Temos esse potencial. Só vai depender do governo federal nos dizer até onde devemos ir e o que devemos vender. Até agora já arrecadamos US$ 19 bilhões e devemos fechar US$ 20 bi em agosto", disse o secretário na noite desta segunda-Feira (29) enquanto participou da posse da nova diretoria do ES em Ação.

Mattar afirmou não ser contra as estatais, desde que as empresas sejam essenciais. "Hoje, temos no Brasil 750 mil imóveis que pertencem à União. São 132 estatais do governo federal. Se formos somar as estatais dos Estados, acho que são mais de 700. Até podemos ter estatais. Que sejam 5, 10, 15. Não 132", opinou.

"As estatais que sobrarem precisam ser blindadas da corrupção. Elas também devem ser rentáveis. Temos 18 estatais que são dependentes do governo federal e com elas é gasto algo em torno de R$ 160 bilhões. Isso daria para construir casas do Minha Casa Minha Vida para todos as pessoas que não têm onde morar", exemplificou Mattar.

O secretário não conversou com a imprensa, mas disse, durante sua apresentação aos empresários, que o Espírito Santo é um exemplo na organização financeira. Ele lamentou, no entanto, que o mesmo não possa ser dito a respeito das contas federais.

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"As coisas no Brasil não estão bem. A economia está lenta, o desemprego elevado. Tem a insatisfação do empresariado... Mas nós acreditamos que muita coisa boa vai acontecer a partir do segundo semestre. Tem o Pacto Federativo, a reforma tributária, abertura do mercado de gás, o acordo do Mercosul com a União Europeia", disse sem detalhar quais dessas ações são previstas já para este semestre.

Por fim, Mattar classificou o Estado brasileiro como gigantesco, obeso, lento e oneroso. "Meu papel é reduzir esse estado que inferniza a nossa vida. A vida dos cidadãos e a dos empresários", disse ao concluir sua apresentação.

O novo diretor-presidente do ES em Ação, Fábio Brasileiro disse ser favorável às privatizações – sejam elas feitas pelo governo Estadual, ou Federal. "O Estado tem que estar cada vez mais leve para atuar nos setores que são prioridade. Quando você tem disputa pelo foco você perde energia e velocidade nos temas principais. Ter o foco em saúde, segurança, saneamento e educação é muito importante", apontou.

ESTADO

O governador Renato Casagrande (PSB) também participou do evento. Antes da palestra ele garantiu que as privatizações não estão nos planos do governo estadual.

"Nós estamos buscando muito as parcerias com o setor privado. Não tem nenhum processo de privatização de empesas. o que temos é uma formação de uma carteira buscando parcerias com o setor privado e pela primeira vez estruturamos isso", disse.

Por outro lado, em sua fala durante aos presentes, Casagrande pediu apoio do secretário Salim Mattar para o desenvolvimento da ferrovia que vai ligar Cariacica a Anchieta, e também para a melhoria da BR 262 – ambos processos que devem ser conduzidos pelo governo federal.

"O compromisso do governo federal e o seu apoio (dirigindo-se a Mattar) é fundamental para garantir a ferrovia ligando Cariacica a Anchieta, que é muito importante para abrirmos um vetor de desenvolvimento para o sul do Estado. Ainda não temos uma perspectiva real para a BR 262, então a presença do governo federal aqui é fundamental", acrescentou Casagrande.

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