Notícia

Produção de pêssegos deve crescer 30% no Espírito Santo

Plantio orgânico é uma aposta dos produtores. Ao todo, o ES deve colher 314 toneladas

Estado tem 43 hectares plantados com pessegueiros. Produção está localizada na Região das Montanhas
Estado tem 43 hectares plantados com pessegueiros. Produção está localizada na Região das Montanhas
Foto: Pixabay

Muito se engana quem pensa que plantio de pêssego só tem no Sul do Brasil. Neste ano, o Espírito Santo deve produzir 314 toneladas do fruto, volume quase 30% superior ao do ano passado. Segundo produtores, o fruto é uma alternativa para diversificar a produção e o cultivo orgânico dele é uma aposta para melhorar ainda mais os preços.

>Feira pelo celular ganha adeptos e aumenta lucro de agricultores no ES

No ano passado, o Espírito Santo colheu 244 toneladas dessa fruta delicada e saborosa. De acordo com o Boletim da Conjuntura Agropecuária do Incaper, a área de plantio para este ano também aumentou. Em 2018, haviam 33 hectares de plantio, já neste ano a área aumentou para 43 hectares.

Apesar de muito conhecida, o pêssego ainda é pouco explorado pelos agricultores do Estado. Três municípios da Região das Montanhas capixabas concentram a produção estadual, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São eles: Venda Nova do imigrante, Domingos Martins e Santa Maria do Jetibá.

De acordo com o pesquisador do Incaper, José Salazar Zanuncio, o pessegueiro gosta de clima mais temperado e, por isso, se adapta muito bem a essa região. “Ele é uma alternativa interessante para a Região das Montanhas capixabas. Principalmente para quem trabalha no agroturismo e na venda direta nas feiras.”

>Fazendas urbanas: opção para quem quer alimentação saudável

O agricultor António João Ribeiro Branco, 57 anos, chegou em São Maria do Jetibá em 2013. Da sua terra natal, Alvados, em Portugal, trouxe a cultura da fruticultura orgânica.

Leia também

Na região do Garrafão, em Santa Maria, ele e a família cultivam 600 pessegueiros em uma área de um hectar. “Já tínhamos maçãs e uva. Em 2015, pensamos em inserir o pêssego dentro do nosso cultivo, porque vimos que ele se adaptaria bem às condições climáticas da região. Estamos a 1,1 mil metros acima do nível do mar e com um clima mais ameno”, conta.

Depois que plantou as mudas, demorou cerca de dois anos para que a produção começasse. “No ano passado, a colheita foi pequena porque sofremos com o granizo que maltratou os frutos. Mas, no ano anterior (2017), colhemos quatro toneladas”, conta.

>Veja os locais e horários das feiras livres da Grande Vitória

Segundo ele, a expectativa é que, de setembro a dezembro deste ano, sejam colhidas seis toneladas do fruto. “Consigo comercializar toda a produção. Por ser orgânica, ela é diferenciada. Tradicionalmente, o pêssego tem uma carga de agrotóxico muito grande. Além disso, a produção capixaba ainda é muito pequena. Nós conseguimos vender, no ano passado, a R$ 12 o quilo”, conta.

MANEJO

Os pessegueiros são de simples manejo, segundo o pesquisador do Incaper. Como não é muito exigente com a água, não requer irrigação em tempo integral. “No caso da Região das Montanhas, a água já garante uma produtividade média boa para o produtor. Mas o agricultor pode, depois da poda da planta, irrigar para aumentar a capacidade de produção”, comenta Salazar Zanuncio.

>A cada dia, um novo tipo de agrotóxico é liberado no país

De acordo com o especialista, mesmo assim, é fundamental ficar atento a dois itens: poda e doenças. “Depois que a árvore frutifica e os frutos são recolhidos, a planta passa por um período de hibernação. Nesse momento, o produtor precisa realizar a poda de condução e limpeza dos galhos improdutivos. Após o inverno, vai florescer e frutificar”, explica. Já no caso das doenças, é importante monitorar a mosca branca, as cochonilhas do tronco e a grapholita (um lagarta).

SAIBA MAIS

Pessegueiros

Plantio

Durante o inverno, nos meses de junho e julho, e no verão, entre os meses de dezembro e de janeiro. Em um hectare cabem mais de 400 plantas.

Solo e clima

O pessegueiro gosta de solos férteis, profundos e bem drenados. Já o clima tem que ser ameno, com maior quantidade de horas de frio abaixo de 13 graus durante o período de inverno.

Poda da árvore

A poda deve ser feita no período de repouso, em junho nas regiões mais quentes e, em locais mais frios, no final de junho e início de julho.

Colheita

A colheita do pêssego deve ser feita assim que a pele do fruto começar a mudar da cor verde para amarelo-claro. Ela ocorre desde agosto, em regiões mais quentes e com variedades precoces; e até dezembro em locais mais frios e cultivos mais tardios.

Fonte: Globo Rural

 

 

Ver comentários