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Vitória registra maior variação na inflação em junho com 0,54%

Índice apontou grande variação em função das altas observadas nas passagens aéreas e na energia elétrica

Vitória (0,54%) apresentou a maior variação em função das altas observadas nas passagens aéreas (20,21%) e na energia elétrica (4,81%)
Vitória (0,54%) apresentou a maior variação em função das altas observadas nas passagens aéreas (20,21%) e na energia elétrica (4,81%)
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Com queda nos preços dos combustíveis e dos alimentos, a inflação no Brasil recuou em junho para 0,01% — 0,12 ponto percentual abaixo do registrado no mês anterior — mas a capital do Espírito Santo foi a que registrou a maior variação na inflação no mês passado, com 0,54%.

O índice apontou grande variação em função das altas observadas nos preços das passagens aéreas (20,21%) e da energia elétrica (4,81%) no país devido ao reajuste na alíquota do PIS/Cofins.

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Já o menor índice ficou com a Região Metropolitana de Porto Alegre (-0,41%), influenciado pela queda nos preços das frutas (-14,37%) e da gasolina (-4,66%).

INPC DE JUNHO EM 0,01%

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de junho teve variação de 0,01%, 0,14 pontos percentuais abaixo da taxa de maio (0,15%). A variação acumulada no ano ficou em 2,45%, e o acumulado dos últimos 12 meses recuou para 3,31%, abaixo dos 4,78% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2018, a taxa foi de 1,43%.

A Região Metropolitana de Vitória (0,56%) teve a maior variação entre as localidades pesquisadas, por conta do item energia elétrica (4,80%). O menor índice foi de São Luís (-0,42%), influenciado pela queda nos preços do tomate (-6,91%) e das carnes (-2,21%).

Para o cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados entre 30 de maio e 28 de junho de 2019 (referência) com os preços vigentes entre 1º e 29 de maio de 2019 (base).

O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 05 salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange dez regiões metropolitanas, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.

NO BRASIL

Foi a menor taxa de inflação desde novembro de 2018, quando a inflação fechou em queda de 0,21%. Segundo o IBGE, houve deflação em sete das 16 cidades pesquisadas, inclusive São Paulo. Em maio, foram registradas apenas duas cidades com deflação.

"É praticamente uma estabilidade", disse o economista do IBGE, Fernando Gonçalves, ressaltando que foi o sexto menor índice desde 1995. Além dos impactos de gasolina e alimentos, ele diz que a situação econômica contribui para o cenário de inflação mais baixa.

As famílias estão endividadas, a reposição do mercado de trabalho vem por conta da informalidade, o que não dá segurança. Então, as pessoas concentram seus gastos naquilo que é essencial: transporte, moradia e alimentação
Fernando Gonçalves, economista

Foi o segundo mês seguido de desaceleração, após um início de ano com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, a taxa de inflação oficial) pressionado justamente por combustíveis e alimentos. Em junho, grupos alimentação e bebidas e transportes tiveram deflação de 0,25% e 0,31%, respectivamente.

Os alimentos caíram pelo segundo mês consecutivo em maio. O recuo foi de 0,56%, puxado por preços menores de frutas (-6,14%) e feijão-carioca (-14,80%). Gonçalves diz que a queda é fruto da maior oferta dos produtos durante a safra. No início do ano, o feijão era um dos vilões da inflação.

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A deflação do grupo transportes foi provocada por queda de 2,41% no preço dos combustíveis, com destaque para a gasolina (-2,04%), que teve a maior contribuição individual para a desaceleração da inflação em junho. Desde meados de maio, a Petrobras cortou os preços do combustível em suas refinarias quatro vezes, acompanhando a queda das cotações internacionais do petróleo.

Já o grupo saúde e cuidados pessoais teve a maior contribuição positiva, de 0,08 ponto percentual, com alta de 0,64% no mês, devido a aumento de 1,5% no item higiene pessoal provavelmente provocada por alta do câmbio e reposição de produtos após o dia das mães, disse Gonçalves. A inflação dos serviços subiu para 0,34%, ante queda de 0,11% no mês anterior, puxada pela alta de 18,90% no preço das passagens aéreas, com impactos de início das férias e Copa América.

A sensação de inflação alta no primeiro trimestre contribuiu para os baixos índices de aprovação do governo Jair Bolsonaro. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda (8), 48% dos brasileiros esperam aumento dos preços. Este foi o maior motivo de apreensão dos entrevistados, acima desemprego.

Economistas, porém, vêm revendo para baixo suas expectativas para o fechamento do ano. O último relatório Focus do Banco Central aponta para 3,80%, 0,09 ponto percentual a menos do que um mês atrás. Em 12 meses, o IPCA ficou em 3,37%, abaixo dos 4,66% do mês anterior e menor taxa desde maio de 2018. A meta do Banco Central para dezembro é 4,25%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A projeção de economistas ouvidos pela agência Bloomberg era de queda de 0,03% na relação maio e junho, e de 3,33% no acumulado de 12 meses.  No primeiro semestre, a inflação brasileira acumulou 2,23%, contra 2,60% no mesmo período do ano anterior.

Em julho, a inflação deve continuar sendo beneficiada pelos preços dos combustíveis - na segunda (8), a Petrobras anunciou novos cortes nos preços da gasolina e do diesel mas terá pressão do reajuste de 6,61% na tarifa de energia de São Paulo.

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