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Equipe econômica brasileira mira Reino Unido pós-brexit

Integrantes do ministério da Economia acreditam que há espaço para conversas sobre um acordo comercial com o país europeu

O ministro Paulo Guedes
O ministro Paulo Guedes
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil | Arquivo

A equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) avalia que a relação comercial entre Brasil e Reino Unido deve se aprofundar com a saída dos britânicos da União Europeia. 

Integrantes do ministério da Economia acreditam inclusive que há espaço para conversas sobre um acordo comercial com o país europeu, que precisará buscar novas parcerias com o brexit previsto para 31 de outubro. 

Uma rodada de conversas de aproximação foi realizada nesta terça-feira (20) em Brasília, com a visita do ministro para Comércio Exterior, Conor Burns -trata-se do segundo cargo mais importante da pasta.

As tratativas sobre um possível acordo comercial ainda são preliminares e as duas partes esperam a conclusão de dois eventos políticos para definir qual o alcance que a nova parceria poderá ter: a eleição na Argentina e a decisão sobre como se dará a saída do Reino Unido da União Europeia.

As eleições argentinas, onde o peronismo pode voltar ao poder pelas mãos de Alberto Fernández, são consideradas fundamentais pelo governo brasileiro para decidir o futuro do Mercosul (hoje qualquer conversa sobre novos acordos comercias só pode ocorrer dentro do âmbito do bloco regional). 

"Ao longo do processo de negociação entre Mercosul e União Europeia, sempre percebemos que o país mais liberal era o Reino Unido. Isso abre possibilidade rápida de acordo", disse nesta terça o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do ministério da Economia, Marcos Troyjo.

Troyjo e Burns participaram em Brasília do lançamento do Programa de Cooperação Brasil-Reino Unido de Comércio.

Na ocasião, ambos assinaram um memorando de investimentos que prevê investimento de quase R$ 100 milhões em parcerias de incentivo de importação e exportação no Brasil. 

O representante do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, por sua vez, disse que, ao sair da União Europeia, os britânicos estão tentando "retomar os laços com o resto do mundo" e que a América Latina é tida como parte fundamental disso isso. 

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"A América Latina representa um grande potencial para o crescimento futuro na economia global. E onde mais você começaria na América Latina a não ser no Brasil? Um país que é responsável por quase metade do PIB do continente e com uma população de quase 200 milhões de pessoas", disse Burns. 

Ele, no entanto, evitou comentar se esse aprofundamento nas relações tem como objetivo final a assinatura de um acordo de livre comércio com o Mercosul -ou com o Brasil, num cenário de saída do país da aliança sul-americana. Embora hoje essa hipótese seja considerada pouco provável, ela já foi aventada por Guedes e pelo presidente Jair Bolsonaro.  

"Queremos forjar novas relações comerciais. E se isso vai ser resolvido dentro do Mercosul ou bilateralmente com o Brasil ainda é muito cedo para nós julgarmos. Eu acho que há dos dois lados [Brasil e Reino Unido] uma declaração de intenções de que isso é algo que queremos fazer", declarou Burns.

"Eu quero ver uma relação com o Brasil mais profunda, mais forte e profunda do que a que atualmente existe, como exatamente isso vai acontecer, termos que esperar um pouco para ver", concluiu. 

Uma nova rodada de conversas deve ocorrer em Londres em novembro. 

A avaliação do governo brasileiro é que no encontro na capital britânica será possível ter uma melhor ideia sobre o nível de comprometimento que a nova relação bilateral poderá alcançar.

Isso porque tanto as eleições na Argentina quanto o prazo do brexit terão passado.