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Juiz pede prisão de Cristina Kirchner por acobertar atentado em 1994

Eficácia de medida contra ex-presidente da Argentina depende de votação no Senado. Cristina é acusada de atentado contra Associação Mutual Israelita Argentina em 1994

Cristina Kirchner
Cristina Kirchner
Foto: Arquivo

A Justiça da Argentina pediu nesta quinta-feira, 7, a retirada da imunidade parlamentar e a prisão da ex-presidente (2007-2015), por ter supostamente acobertado iranianos acusados pelo atentando contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994, que deixou 85 mortos, informou a agência estatal de notícias Télam.

Para perder sua imunidade, Cristina, que assumiu mandato de senadora na semana passada, deve passar por processo no Senado, o que requer pedido do governo de Mauricio Macri para convocação de sessão legislativa extraordinária com este propósito.

No fim de outubro, o Congresso argentino aprovou o fim da imunidade do deputado Julio de Vido, um ex-ministro-chave dos governos Néstor e Cristina Kirchner, por suspeitas de corrupção. Com a prisão pedida por dois juízes, ele se entregou à polícia.

A ordem do juiz Carlos Bonadio também pede a prisão de vários ex-funcionários kirchneristas, incluindo o ex-chanceler Héctor Timerman que, em razão de seu delicado estado de saúde, teve concedido o benefício da prisão domiciliar, segundo a imprensa local.

Em outubro, Cristina se apresentou ao juiz para rechaçar por escrito as acusações no caso, aberto depois da denúncia apresentada pelo procurador Alberto Nisman quatro dias antes de sua morte, em 18 de janeiro de 2015. Nisman foi encontrado morto com um tiro na cabeça no banheiro de seu apartamento na capital argentina em um caso que até hoje não foi esclarecido e continua sob investigação.

Nesta quinta, também foi preso em sua casa em Río Gallegos, na Província de Santa Cruz, o ex-secretário de Assuntos Jurídico e Técnico da ex-presidente, Carlos Zannini, considerado braço-direito dos Kirchner.

O juiz também indiciou, sem prisão preventiva, mas com a proibição de sair do país, o ex-chefe da Agência Federal de Inteligência Oscar Parrilli e o líder social kirchnerista Luis D'Elía, entre outros.

Rivalidade

Bonadio investiga Cristina por traição à pátria ou ocultação agravada pelo fato de a ex-presidente ter assinado em 2012 um acordo com o Irã que tinha como objetivo poder interrogar em Teerã ou em outro lugar mais conveniente ex-funcionários do alto escalão governo iraniano acusados pelo atentado contra a Amia.

"É um grande absurdo jurídico. O objetivo desta perseguição é assustar os dirigentes da oposição no Parlamento. Querem um Parlamento submisso", disse a Cristina ao deixar o tribunal, em outubro.

A ex-presidente considera Bonadio um inimigo declarado e deixou isso claro em defesa apresentada por escrito em 2016, quando depôs pela primeira vez como suspeita de um crime. “A hipótese de associação ilícita foi construída capciosamente pelo magistrado para plantar uma causa que me prive de liberdade”, escreveu a ex-presidente.

Na ocasião, ela pediu que o Conselho da Magistratura destituísse o juiz por considerar que ele contrariou a lei deliberadamente, além de acusá-lo de mal-desempenho e prevaricação. Antes disso, em dezembro de 2014, Bonadio teve 30% de seu salário cortado durante seis meses por decisão do mesmo conselho quando o órgão era controlado por políticos kirchneristas.

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