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Líder do Hamas convoca nova revolta popular palestina contra Israel

Anúncio veio após Trump reconhecer Jerusalém como capital israelense

Lider do Hamas Ismail Haniyeh
Lider do Hamas Ismail Haniyeh
Foto: Reprodução/Web

O grupo islâmico palestino, Hamas, convocou um novo levante contra Israel nesta quinta-feira depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu Jerusalém como a capital israelense. Ismail Haniyeh disse ainda que a decisão do presidente dos EUA foi uma "declaração de guerra contra os palestinos", segundo o jornal "Al-Jazeera".

— Devemos pedir e devemos trabalhar no lançamento de uma intifada diante do inimigo sionista — disse, num discurso em Gaza, frisando que Trump "matou" o processo de paz entre israelenses e palestinos. — Só podemos enfrentar a política sionista apoiada pelos Estados Unidos com uma nova intifada — salientou.

Haniyeh, eleito líder geral do grupo em maio, pediu que palestinos, muçulmanos e árabes se manifestem contra a decisão dos Estados Unidos na sexta-feira, que chamou de "dia da raiva".

— Deixem 8 de dezembro ser o primeiro dia da intifada contra o ocupante — disse.

Israel e os Estados Unidos consideram o Hamas, que lutou em três guerras contra Israel desde 2007, uma organização terrorista. O grupo não reconhece o direito de existência de Israel e seus ataques suicidas ajudaram a encabeçar sua mais recente intifada, de 2000 a 2005.

CONDENAÇÃO INTERNACIONAL

Trump foi alvo de forte pressão internacional para que não tomasse tal passo, que pode causar instabilidade nas negociações de paz entre Israel e palestinos e foi criticado por líderes de vários países e organizações. A medida anunciada nesta quarta-feira foi acompanhada da decisão de iniciar o processo de transferência da embaixada dos EUA — hoje em Tel Aviv, que concentra todas as embaixadas no país — para a cidade sagrada.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que vários outros países seguirão a decisão dos Estados Unidos, sem especificar quais. Diante da reação inflamada do mundo árabe, com protestos na Faixa de Gaza e na Turquia, o Exército israelense anunciou o envio de batalhões adicionais ao território palestino da Cisjordânia, e indicou que outros setores das forças de segurança estão prontas para intervir caso necessário.

Para o representante-chefe dos palestinos no Reino Unido, Manuel Hassassian, a ação de Trump é "um beijo da morte para a solução de dois Estados" e representa um conflito aberto com os milhões de muçulmanos da região.

— Ele está declarando guerra no Oriente Médio, ele está declarando guerra contra 1,5 bilhão de muçulmanos (e) centenas de milhões de cristãos que não irão aceitar que os santuários sagrados estejam totalmente sob a hegemonia de Israel — disse Hassassian à rádio BBC.

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