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Jornalistas alemães publicam falso estudo em revista científica

Mesmo com dados inventados e autores imaginários, pesquisa foi aceita por periódico de pouco prestígio de editora da Índia

Abelha entre os favos de colmeia: falso estudo dizia que própolis era mais eficaz contra o câncer colorretal que quimioterapias convencionais
Abelha entre os favos de colmeia: falso estudo dizia que própolis era mais eficaz contra o câncer colorretal que quimioterapias convencionais
Foto: Reprodução/Pixabay

Jornalistas de dois veículos alemães conseguiram publicar numa revista científica de pouco renome um falso estudo sobre câncer, numa iniciativa que amplia a investigação sobre periódicos pouco escrupulosos, informou nesta quinta o jornal francês “Le Monde”. A investigação pretende demonstrar que qualquer pessoa pode fazer passar um estudo científico falso como verdadeiro por dinheiro.

Os jornalistas do diário “Süddeutsche Zeitung” e da rádio pública NDR transmitiram à revista “Journal of Integrative Oncology” os resultados de um “estudo clínico que assegurava que o extrato de própolis é mais eficaz contra o câncer colorretal que as quimioterapias convencionais”.

O própolis é uma substância resinosa das árvores, transformada pelas abelhas para construir os alvéolos de suas colmeias.

“O estudo era fictício, os dados inventados e os autores, afiliados a um instituto de pesquisas imaginário, tampouco existiam. O artigo, não obstante, foi aceito em menos de 10 dias e publicado em 24 de abril”, diz o “Le Monde”.

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Além disso, o artigo, em sua conclusão, aborda outro tema que não tem nada a ver com câncer, e sim sobre o efeito de massagens em doenças tromboembólicas. A revista “Journal of Integrative Oncology” é publicada por uma editora da Índia, chamada Omics.

A ministra alemã de Educação e Pesquisas, Anja Karliczek, comemorou que “este tipo de erros sejam levados à luz” e se pronunciou a favor de uma investigação para determinar como este estudo pôde ser publicado “pelo próprio interesse da ciência”, disse, citada pela agência de notícias alemã DPA.

Mas, segundo o “Le Monde”, isto se trata de um fenômeno generalizado: “Dezenas de editoras pouco escrupulosas criaram centenas de revistas de aceso aberto com nomes rimbombantes, com uma verdadeira aparência de publicações sérias”, diz a reportagem do jornal francês. Ainda de acordo com o “Le Monde” e a NDR, este tipo de revistas não controla a qualidade dos trabalhos apresentados e cobram de seus autores “várias centenas de euros” por artigo publicado.

Já nas revistas de maior prestígio, para publicar um estudo é preciso um exame prévio da parte de cientistas especialistas no mesmo assunto, num processo de validação que dura em geral vários meses, e não se paga uma contrapartida pela sua publicação.

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