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Áustria nega asilo a jovem afegão por 'não parecer gay o suficiente'

Relatório entregue ao imigrante diz que a 'maneira de caminhar, sua atitude e sua forma de se vestir' não dão a entender que ele seja gay e não deveria temer retornar para seu país

Por fim, os funcionários não acreditam no jovem quando ele afirma que beijou meninos que não eram gays, porque se fosse verdade "teria levado uma tremenda surra"
Por fim, os funcionários não acreditam no jovem quando ele afirma que beijou meninos que não eram gays, porque se fosse verdade "teria levado uma tremenda surra"
Foto: Reprodução/Pixabay

Um jovem afegão que pediu asilo na Áustria alegando sua condição de homossexual recebeu uma resposta negativa de um escritório de Viena com a justificativa de que "não parece gay", informou nesta quarta-feira a revista austríaca "Falter".

As detalhadas descrições do aspecto "não suficientemente gay" do requerente de asilo, um afegão de 18 anos que chegou à Áustria sozinho quando era menor de idade, causaram surpresa e manchetes irônicas tanto na imprensa austríaca como na alemã.

"A maneira de caminhar, sua atitude e sua forma de se vestir não dão a entender em absoluto de que possa ser homossexual. Ao não sê-lo, não tem nada a temer se retornar ao Afeganistão", diz o relatório remitido ao jovem.

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Outro dos "indícios" alegados pelos funcionários é que o jovem teve brigas com outros meninos, ou seja, que "tem um potencial de agressão que não cabe esperar em um homossexual".

A isto se soma que o requerente "tem poucos amigos" e gosta de sair sozinho ou em grupos pequenos, quando na opinião dos avaliadores, "os homossexuais são mais bem sociáveis".

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Por fim, os funcionários não acreditam no jovem quando ele afirma que beijou meninos que não eram gays, porque se fosse verdade "teria levado uma tremenda surra". A decisão não é final e o solicitante recorreu, afirma a revista Falter.

Além deste caso na Áustria, associações de defesa de gays e lésbicas denunciaram dezenas de casos na Holanda nos quais pedidos de asilo foram rejeitados porque os requerentes não pareciam "gays o suficiente".

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