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Comissão sobre caos climático é formada com Ban Ki-moon e Bill Gates

Lideranças e governos se reúnem para incentivar projetos que minimizem impactos do clima em transformação

Planeta terra
Planeta terra
Foto: Divulgação / Nasa

Os últimos anos comprovam o que cientistas há muito alertavam: o clima do planeta está em transformação e os extremos climáticos são mais comuns e poderosos. Furacões devastam a costa americana, países europeus e asiáticos; secas históricas provocam crises hídricas na África e na América do Sul. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) divulgou relatório alarmante, apontando 2030 como o prazo máximo para conter o aquecimento abaixo de 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial. Em meio a este cenário, líderes globais lançaram nesta terça-feira uma comissão para escalar e acelerar soluções de adaptação às mudanças climáticas.

"Antes visto como uma ameaça distante, futura, a mudança climática está aqui e agora. Como o novo relatório do IPCC deixou claro, sem ação urgente, as mudanças no clima vão trazer devastação para as casas, plantações e negócios das pessoas", alertou Andrew Steer, presidente da ONG World Resource Institute e membro da comissão. "Esta comissão vai colocar a adaptação no centro da agenda do desenvolvimento, incentivando governos e negócios a se prepararem de forma urgente para o nosso mundo em transformação".

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A Comissão Global de Adaptação é liderada pelo ex-secretário das Nações Unidas Ban Ki-moon; pelo cofundador da Microsoft Bill Gates; e pela diretora executiva do Banco Mundial, Kristalina Georgieva. A iniciativa reúne 17 países e 28 comissários, incluindo os três líderes, que representam todas as regiões do planeta e todos os setores do desenvolvimento e da indústria.

Conforme indicado no relatório do IPCC, os impactos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos, muito antes e com muito mais força que o previsto. Como a Humanidade foi incapaz de conter as emissões de gases estufa a tempo, é preciso adotar medidas de adaptação, para minimizar os efeitos de inundações e secas, da elevação do nível do mar e das tempestades. O objetivo da comissão é dar visibilidade e importância política à adaptação climática e incentivar soluções ousadas, como investimentos inteligentes, desenvolvimento de novas tecnologias e o planejamento.

"Sem ações urgentes de adaptação, nós corremos o risco de prejudicar a segurança alimentar, energética e hídrica nas próximas décadas", alertou Ban Ki-moon. "O crescimento econômico contínuo e a redução da pobreza são possíveis apesar dos desafios assustadores, mas apenas se as sociedades investirem muito mais em adaptação. Os custos de adaptação são menores e os benefícios, maiores".

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A comissão propõe quatro pontos a serem enfrentados. O primeiro é a falta de informação. Tomadores de decisão e o público em geral ainda não estão cientes das vantagens e oportunidades de nos tornarmos mais resilientes e menos vulneráveis aos impactos do clima em transformação e dos desastres naturais. O segundo ponto trata da ausência dos riscos climáticos em planos de desenvolvimento econômico e social e de investimentos de governos e corporações.

O terceiro ponto é levar os esforços de adaptação a quem mais precisa: as populações pobres e mais vulneráveis. Por fim, a comissão destaca que apesar de a adaptação ser um desafio global, ainda faltam lideranças globais. No primeiro ano, a comissão irá preparar um relatório e apresentará suas conclusões e recomendações na Conferência do Clima das Nações Unidas, que acontece em Nova York, em setembro do ano que vem. A ideia é demonstrar como a adaptação é essencial, quais ações são necessárias e como governos, empresas e cidadãos podem atuar para aumentar a resiliência às mudanças climáticas.

"Nós estamos num momento de alto risco e grande promessa. Nós precisamos de políticas para ajudar populações vulneráveis a se adaptarem e assegurar que governos e outras partes interessadas estejam apoiando a inovação", comentou Gates. "Se todos fizerem a sua parte, nós podemos reduzir as emissões de carbono, aumentar o acesso a energia barata e ajudar fazendeiros a produzirem mais".

Entre os líderes que compõem a comissão estão a ex-presidente do Chile e Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet; o ministro de Ecologia e Meio Ambiente da China, Li Ganjie; a prefeita de Paris, Anne Hidalgo; o prefeito de Miami, Francis Suarez; a diretora da Agência de Meio Ambiente do Reino Unido, Emma Howard Boyd; e o ministro de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, Gerd Müller.

Também participam da iniciativa os governos da África do Sul, Alemanha, Argentina, Bangladesh, Canadá, China, Costa Rica, Dinamarca, Etiópia, Granada, Holanda, Ilhas Marshall, Índia, Indonésia, México, Reino Unido e Senegal.

'Ironia cruel' com os mais vulneráveis

As estimativas indicam que os projetos de adaptação exigem investimentos anuais de US$ 300 bilhões até 2030, aumentando para US$ 500 bilhões até 2050. Pode parecer muito, mas cada US$ 1 investido na redução dos riscos de desastre pode prevenir gastos entre US$ 4 e US$ 7 em danos provocados por extremos climáticos.

"Nosso clima já mudou. Eventos climáticos dramáticos são o novo normal", afirmou Kristalina. "Milhões de pessoas em países pobres já estão vivendo com os efeitos das mudanças climáticas. É uma ironia cruel que aqueles que menos contribuíram para as mudanças climáticas sejam os mais afetados e os menos capazes de se preparem. Nós enfrentamos uma escolha: fazer negócios como de costume e esperar pelo melhor ou agir agora para construir um futuro resiliente".

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