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Grécia não quer turistas acima do peso nos burros de Santorini

Órgãos internacionais denunciaram maus tratos nos animais usados na famosa ilha do Mediterrâneo

Governo grego proibiu que pessoas com mais de cem quilos montem nos burros da ilha de Santorini
Governo grego proibiu que pessoas com mais de cem quilos montem nos burros da ilha de Santorini
Foto: Reprodução

Se você estiver acima do peso e vai visitar Santorini, na Grécia, pense duas vezes antes de montar num dos burrinhos que fazem tour pela ilha, uma das mais famosas do Mar Mediterrâneo. O governo do país proibiu o transporte de cargas com mais de cem quilos pelos animais, tradicionalmente usados como meio de transporte pelas colinas da ilha. Esse é mais um exemplo do embate entre organizações de defesa dos animais e atrações turísticas, como se vê em cidades como Nova York e Petrópolis.

A decisão do Ministério do Desenvolvimento Rural e da Alimentação da Grécia foi tomada após uma série de denúncias de maus tratos feitas por organizações de proteção dos animais. Uma das mais atuantes no processo foi a Peta, que divulgou vídeos onde se via burros carregando turistas obesos ladeiras acima em Firà, capital da ilha de Santorini, além de outras formas de abuso por parte dos tratadores.

As imagens mostravam ainda animais debilitados e feridos após cumprirem longas jornadas de trabalho, sem comida ou água, todos os dias da semana.

"Os burros e mulas estão sendo usados como 'táxis' para transportar turistas por mais de 500 degraus até a Cidade Antiga de Firà, mesmo havendo um teleférico operando na região há décadas. Os donos dos animais e autoridades locais ainda se apegam à 'tradição' de montar em burros, mesmo que seu tratamento se constitua em uma clara violação às leis gregas de bem-estar animal", afirma a Peta num comunicado em seu site.

Após o vídeo viralizar nas redes sociais e resultar numa petição virtual com mais de cem mil assinaturas, o governo grego impôs limite o limite de cem quilos à carga transportada por esses animais, que pode ser de qualquer natureza, incluindo turistas com peso acima dos três dígitos.

O decreto ministerial também prevê maior fiscalização e multas quando for constatado que os animais estejam recebendo tratamento precário, sem água, alimentação ou proteção ao clima.

"Os proprietários dos equinos de trabalho devem assegurar de que o nível de saúde dos animais seja alto. Também deve haver materiais de limpeza em seus alojamentos e estações de trabalho", acrescentam as autoridades gregas em um comunicado.

OUTRO CASOS

A questão dos burros de Santorini remete a outros exemplos de cidades que tentam banir atividades turísticas consideradas maus tratos ao animais. Um dos casos mais notórios é o de Nova York, cujo prefeito Bill de Blasio tenta desde 2013 banir as carruagens puxadas a cavalo da cidade. Após muita discussão e reviravoltas jurídicas, a prefeitura está perto de conseguir limitar a ação desses veículos com tração animal dentro do Central Park.

Ele poderia se inspirar nos cidadãos de Petrópolis, que votaram, em meio às eleições gerais do último dia 7, pelo fim das charretes puxadas por cavalos no centro histórico. As "vitórias", como são chamadas, pegam passageiros em frente ao Museu Imperial para um dos passeios turísticos mais tradicionais da cidade da Região Serrana do Rio. Há tempos, porém, são consideradas exemplos de maus tratos aos animais. Atualmente existem 13 charretes cadastradas, que utilizam 39 animais em esquema de escala. A prefeitura ainda aguarda a notificação da Câmara dos Vereadores com o projeto que proíbe a tração animal das charretes.

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