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Funcionários da Amazon na Europa protestam durante a Black Friday

Empregados reivindicam melhores condições de trabalho nos armazéns da maior varejista on-line do mundo

Black Friday
Black Friday
Foto: Reprodução

Os funcionários da Amazon na Europa protestaram contra as condições de trabalho nos depósitos da empresa, alguns usando o slogan "não somos robôs", em outro desafio para a maior varejista on-line do mundo que se prepara para o Natal, a época mais movimentada do ano. Empregados na Alemanha, Espanha e França abandonaram o trabalho nos centros de atendimento e distribuição da varejista em plena Black Friday, um dos mais movimentados dias de compras on-line do ano. Na Itália e no Reino Unido, os empregados protestaram em várias instalações, segundo a Bloomberg Law.

Mais de 600 trabalhadores alemães nas instalações da empresa em Bad Hersfeld cruzaram os braços na manhã de sexta-feira, horário local. Na Espanha, trabalhadores da unidade de San Fernando de Henares, na região metropolitana de Madri, planejaram uma greve de dois dias na sexta e no sábado. Essa instalação emprega 1.800 trabalhadores e foi a última em greve durante o Amazon Prime Day, outro grande dia de compras para a empresa que acontece em maio, informou a UNI Global Union. No Reino Unido, cerca de 500 trabalhadores protestaram em cinco armazéns da Amazon, de acordo com o sindicato GMB. A adesão ao sindicato entre os funcionários da Amazon, no entanto, é pequena, disse o oficial nacional Mick Rix. Imagens nas redes sociais mostraram pequenos grupos de pessoas reunidas com banners do sindicato.

“O que estamos dizendo é: Jeff Bezos, você é o homem mais rico do mundo, você tem a riqueza e a capacidade de garantir que seus funcionários sejam tratados com respeito e dignidade”, disse Rix. “Você, como o homem mais rico do mundo, prefere gastar sua riqueza em viagens espaciais, e não nas pessoas que criam sua riqueza.”

A Alemanha e o Reino Unido estão entre os maiores mercados internacionais da Amazon, respondendo por mais de US$ 27 bilhões em vendas, em 2017. Os alemães devem comprar cerca de 2,4 bilhões de euros (US$ 2,7 bilhões) em produtos na Black Friday e Cyber Monday, um aumento de cerca de 15% sobre o ano passado. A Amazon não divulga os totais de vendas para a Espanha.

No início desta semana, a empresa disse que compartilhava dados de clientes com parceiros não reveladas, um passo em falso na privacidade no principal período de compras de fim de ano. Na sexta-feira, Amazon disse que as manifestações na Europa não interromperam as operações e contestou o nível de participação de protesto reivindicado por alguns sindicatos. A empresa investiu € 27 bilhões e criou mais de 75 mil empregos permanentes na Europa desde 2010, disse em um e-mail.

“São bons empregos com remuneração altamente competitiva, benefícios completos e programas de treinamento inovadores”, disse a empresa. “Nós fornecemos condições de trabalho seguras e positivas, e encorajamos qualquer pessoa a vir ver por si mesmo, fazendo um tour em um de nossos centros de atendimento”.

A Amazon tornou-se um símbolo de desigualdade de riqueza e bem-estar corporativo nos EUA, já que muitos de seus funcionários recebem ajuda do governo para necessidades básicas, como alimentação e saúde, apesar de ser uma das empresas mais valiosas do mundo, dirigida pelo diretor executivo Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo. A empresa tentou responder às críticas de outubro ao anunciar que todos os trabalhadores dos armazéns dos EUA receberiam pelo menos US$ 15 por hora, embora a empresa também tenha eliminado alguns prêmios e bônus em ações de funcionários.

A Amazon enfrenta paralisações de trabalhadores na Europa com mais frequência devido a um maior envolvimento dos sindicatos. Nenhum dos trabalhadores dos depósitos nos EUA é representado por sindicatos.

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