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Morre o chefe de agência russa acusada de envenenar ex-espião

Holanda e EUA dizem que departamento de inteligência da Rússia tentou hackear monitoramento de armas químicas e eleições presidenciais

O russo liderava a agência do Estado-Maior das Forças Armadas desde 2016, mas ganhou notoriedade sobretudo pela acusação de envolvimento em ciberataques e no envenenamento de um ex-espião duplo e sua filha no Reino Unido, em março
O russo liderava a agência do Estado-Maior das Forças Armadas desde 2016, mas ganhou notoriedade sobretudo pela acusação de envolvimento em ciberataques e no envenenamento de um ex-espião duplo e sua filha no Reino Unido, em março
Foto: Pixabay

O comandante do Departamento Central de Inteligência (GRU) da Rússia, general Igor Korobov, faleceu aos 62 anos após uma "longa e grave doença", anunciou nesta quinta-feira (22) o ministério da Defesa do país. O russo liderava a agência do Estado-Maior das Forças Armadas desde 2016, mas ganhou notoriedade sobretudo pela acusação de envolvimento em ciberataques e no envenenamento de um ex-espião duplo e sua filha no Reino Unido, em março.

Fundado em 1918, o GRU, considerado um rival da KGB durante a era soviética, tem fama de ser a agência de espionagem russa mais poderosa e ousada, embora seja relativamente desconhecida do público, em geral. O governo britânico acusou o departamento pelo envenenamento de Sergei Skripal e Yulia Skripal, contaminados com um agente da classe Novichok na cidade de Salisbury.

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A Holanda acusa o GRU de tentar hackear a agência que monitora armas químicas pelo mundo, e a inteligência dos Estados Unidos atribui ao departamento russo a tentativa de hackear as eleições presidenciais de 2016. Washington incluiu o nome de Korobov na lista de sanções em março de pessoas suspeitas de "minar a segurança cibernética a mando do governo russo". A Rússia nega todas as alegações.

Segundo a agência estatal Tass, que cita o ministério de Defesa russo, Korobov foi declarado herói da Rússia pelos anos de serviço no cargo - a maior láurea concedida pelo Estado. O sucessor dele não foi designado, segundo as agências russas. Seu antecessor, Igor Sergun, faleceu em janeiro de 2016.

A especulação sobre o destino de Korobov cresceu desde o relato da mídia russa - não confirmado pela mídia estrangeira - de que o chefe da agência havia sido convocado pelo presidente russo, Vladimir Putin, depois do caso Skripal. Korobov teria sido criticado pela operação que deixou pai e filha vivos. Os dois passaram semanas no hospital para tratar o envenenamento. Neste mês, ele não esteve presente na cerimônia em que o líder do Kremlin e outros oficiais celebraram o centenário da GRU, cujos integrantes foram elogiados "habilidades únicas".

Para Putin, que é ex-oficial de inteligência do país, os agentes da GRU dão o exemplo para as futuras gerações de espiões militares.

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A morte de Korobov abre caminho para o presidente russo nomear um sucessor para a agência, que, segundo especialistas, intensificou suas ações secretas diante da escalada de tensões entre a Rússia e os países ocidentais.

Questionado no mês passado se o caso Skripal motivaria um balanço do ministério da Defesa, o Kremlin destacou que as alegações contra a GRU - consideradas de baixa qualidade - não justificavam mudanças do tipo.

Korobov era um veterano militar soviético, que serviu na Força Aérea do país. De acordo com a sua biografia oficial, ele começou a trabalhar no GRU em 1985. Criado após a revolução bolchevique, a agência integra a tríade da inteligência russa, ao lado do Serviço Federal de Segurança e do Serviço de Inteligência Estrangeiro SVR.

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