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ONU busca R$ 2,8 bilhões para lidar com crise na Venezuela em 2019

Nações Unidas incluíram país sul-americano pela primeira vez em plano de ações humanitárias

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
Foto: José Cruz/Agência Brasil

As Nações Unidas anunciaram nesta terça-feira (04) que buscam US$ 738 milhões (R$ 2,8 bilhões) em 2019 para ajudar os países vizinhos da Venezuela a lidarem com o fluxo de milhões de solicitantes de refúgio e imigrantes precedentes da nação petroleira. Na apresentação do plano de trabalho humanitário para 2019, em Genebra, a organização avaliou que, dada a crise no país comandado por Nicolás Maduro, não há perspectiva de retorno dos estrangeiros em curto e médio prazo.

Pela primeira vez este ano, a crise venezuelana foi incluída no apelo humanitário global da ONU, que apelou por recursos no valor de US$ 21,9 bilhões (R$ 84 bilhões) para as iniciativas do plano do próximo ano, sem contar a contribuição na Síria. Três milhões de venezuelanos fugiram do cenário político e econômico do país natal, a maioria desde 2015, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

"Há uma crise para a qual pela primeira vez temos um plano de resposta, que é ajudar os países vizinhos à Venezuela a lidar com as consequências do grande número de venezuelanos que deixam o país", destacou Mark Lowcock, titular do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha).

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O anúncio se realizou durante uma entrevista coletiva em Genebra, na qual a ONU lançou a solicitação de fundos para lidar com 21 crises humanitários de nível global.

A maioria dos venezuelanos imigrou para países da América Latina e do Caribe, sobretudo Colômbia, Equador, Peru e Brasil.

"Em 2019, estima-se que 3,6 milhões de pessoas necessitarão de assistência e proteção, sem perspectivas de retorno (à Venezuela) no curto e no médio prazos", considera a ONU.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, responsabiliza uma suposta "guerra econômica" protagonizada pelos Estados Unidos para derrubá-lo do poder pelos problemas no país. O êxodo de cidadãos, impulsionado pela violência, pela hiperinflação e pela grande escassez de alimentos e medicamentos, culminou semana passada no primeiro anúncio de ajuda de emergência à Venezuela. O país petroleiro receberá US$ 9,2 milhões (R$ 35 milhões) para projetos de saúde e nutrição, em especial das crianças.

O acordo representou uma mudança de posição do governo de Nicolás Maduro. Até então, o governo venezuelano rejeitava há tempos qualquer ajuda internacional, vista como uma forma de intervenção externa no território.

Questionado sobre a aceitação do governo venezuelano da ajuda dentro do país, Mark Lowcock afirmou que "há um acordo compartilhado de que uma maior ajuda das Nações Unidas seria muito útil para reduzir o sofrimento das pessoas dentro da Venezuela". Segundo ele, o órgão multilateral combinou com a gestão Maduro que deve fortalecer a colaboração e o apoio, por exemplo, nos serviços de saúde e nutrição.

Já a Comissão Europeia anunciou nesta terça-feira a designação de 20 milhões de euros (R$ 87 milhões) para atender imigrantes venezuelanos que fugiram da crise.

"Presenciei com meus próprios olhos a angústia e o sofrimento de muitos venezuelanos, que se viram obrigados a abandonar seus lares por causa da crise", indicou o comissário europeu de Ajuda Humanitária, Christos Stylianides, em comunicado.

A ajuda europeia, que se soma aos 35 milhões de euros (R$ 152 milhões) anunciados em junho, será focada na assistência sanitária de urgência, na alimentação, no alojamento e na proteção das famílias mais vulneráveis, por meio da ação de seus "sócios" no território.

Outro conflito central na ação humanitária da ONU, a guerra do Iêmen será a primeira operação de 2019. Confrontos entre rebeldes houthis e a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que interveio no território para defender o presidente deposto por iniciativa popular, deixou mais de dez mil mortos e submeteu a população iemenita à fome.

As Nações Unidas apelaram por US$ 4 bilhões (R$ 15 bilhões) para o trabalho no local, em meio aos aparentes avanços de conversas de paz entre os lados do conflito. A Arábia Saudita liberou do cerco soldados houthis feridos no confronto, uma das condições para que o rebeldes sentassem à mesa de negociações organizada pela ONU na Suécia. Em novo aceno à resolução pacífica do impasse, o governo do Iêmen e o grupo insurgente concordaram em trocar presos.

A previsão é de que, somada a operação na Síria, o montante previsto para as ações humanitárias da Ocha no próximo ano chegue a US$ 25 bilhões (R$ 95 bilhões).

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