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Sob críticas, Maduro toma posse de seu segundo mandato na Venezuela

Venezuelano tomou posse diante de 30 juízes e um pequeno grupo de líderes mundiais

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, prestou juramento para seu segundo mandato à frente do país nesta quinta-feira (10), em uma sessão no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Diante de 30 juízes e um pequeno grupo de líderes regionais composto pelos presidentes de Bolívia, Cuba, El Salvador e Nicarágua, Maduro jurou a Constituição em um salão nobre do Tribunal. Os presidentes da Ossétia do Sul e da Abkhazia, repúblicas que se separaram da Geórgia em 2008, mas não têm reconhecimento internacional, também prestigiaram o evento.

É a primeira vez que um presidente toma posse diante do Judiciário e não do Parlamento, que teve as competências cassadas por autoridades chavistas logo após a oposição conquistar a maioria da Assembleia Nacional nas eleições parlamentares de 2015.

CRISE

A Venezuela está diante da mais séria crise no país desde que o chavismo se consolidou no poder. O país está desmoronando. Há sinais de dissidência dentro do chavismo. A Venezuela socialista está cada vez mais isolada e sua vizinhança nunca foi tão hostil.

Depois de uma eleição em maio maculada por alegações de fraude, Maduro começa sua próxima temporada de seis anos aparentemente em uma posição de relativa resistência em casa. De acordo com Félix Seijas, chefe da empresa de pesquisas Delphos, de Caracas, o presidente continua extraordinariamente impopular, mas também sua oposição - talvez até mais.

Protestos maciços pró-democracia encheram as ruas da Venezuela por meses em 2017. Mas depois que uma resposta brutal do governo deixou mais de cem mortos, as manifestações públicas estão confinadas a protestos menores e mais pragmáticos, contra a escassez de água e os apagões de energia.

"É arriscado prever que o ano de 2019 marcará o fim do governo autoritário de Maduro", disse Michael Shifter, presidente do Inter-American Dialogue, um centro de altos estudos de Washington. "Alguns dizem que seus dias estão contados desde que chegou ao poder, há quase seis anos. Por várias razões, ele provou ser mais resistente do que muitos esperavam."

Maduro, o sucessor ungido pelo incendiário de esquerda Hugo Chávez, que morreu em 2013, entra em uma era muito mais precária de sua liderança.

PEDIDO DE RENÚNCIA

De acordo com um funcionário da inteligência dos EUA que falou sob condição de anonimato para poder discutir assuntos delicados livremente, o ministro da Defesa de Maduro, Vladimir Padrino López, disse ao presidente no mês passado que renunciasse ou aceitasse renunciar - uma ameaça que ele ainda terá que enfrentar.

Maduro também enfrenta desistências de alto nível. Christian Zerpa, um juiz do Supremo Tribunal pró-governo, fugiu para os Estados Unidos esta semana e denunciou o presidente. Durante uma entrevista coletiva em Orlando, ele classificou a eleição presidencial de maio como injusta e descreveu o governo de Maduro como "uma ditadura". Também acusou Maduro de habitualmente receber ordens diretas de autoridades cubanas.