Atentado em Christchurch

Capixaba vizinho de mesquita na Nova Zelândia fala sobre ataque

Ruan Fialho morava em Cariacica e deixou o Estado durante a greve da PM, justamente por sentir necessidade de viver em segurança com a família

Isabella Arruda

Publicado em 15/03/2019 às 18h52

Ruan Fialho é um capixaba que, como muitos outros brasileiros, deixaram o país em busca de segurança. Ele, junto à esposa, Renata Carvalho, e ao filho, à época com quatro anos de idade, escolheram como destino Christchurch, a terceira maior cidade da Nova Zelândia e palco para o atentado a duas mesquitas nesta sexta-feira (15), ainda quinta-feira a noite no fuso horário de Brasília. Uma das mesquitas atacadas, a "Masjid Al Noor", fica a apenas um quilômetro da casa do capixaba.

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No momento do ataque, por volta das 13h40 (horário na Nova Zelândia), Ruan, que trabalha em uma empresa de pintura industrial, estava em um município a duas horas de distância da casa dele. Ao ver no noticiário o que estava acontecendo, acionou a esposa Renata, que estava na residência do casal, que foi aconselhada a ir buscar o filho na escola.

CARRO-BOMBA PRÓXIMO À CASA

Região da mesquita Masjid Al Noor, em Christchurch, na Nova Zelândia
Região da mesquita Masjid Al Noor, em Christchurch, na Nova Zelândia Foto: Arquivo Pessoal

"Eu não cheguei a avistar o ataque. Mas, segundo os jornais locais, havia um carro bomba nas proximidades de casa, perto do Hagley Park, maior parque da cidade, próximo à mesquita. Com o acontecido, tudo foi isolado e o trânsito foi desviado, ninguém poderia chegar perto. Minha esposa foi buscar nosso filho na escola e precisou aguardar três horas junto a outros pais, em sistema de confinamento ordenado pela polícia", contou.

De acordo com o capixaba, os aeroportos e escolas ficaram fechados. Por volta de 19h, a situação começou a ser normalizada. "Como a polícia conseguiu identificar quatro pessoas que praticaram o ato, consideraram que tudo estava sob controle. Cheguei a Christchurch às 18h e a cidade estava deserta, em um cenário muito estranho para uma quinta-feira. Apenas a região do centro, próxima à mesquita, estava engarrafada, já que o trânsito estava bloqueado. Até uma hora da manhã ainda havia helicópteros sobrevoando a cidade", descreveu.

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Ruan Fialho se mudou com a família para Christchurch, na Nova Zelândia, em busca de mais segurança
Ruan Fialho se mudou com a família para Christchurch, na Nova Zelândia, em busca de mais segurança Foto: Arquivo Pessoal

DEIXOU O ES EM MEIO À GREVE DA PM

Ruan já vive em Christchurch há dois anos. O que o levou a se mudar de Cariacica, Região Metropolitana de Vitória, foi a necessidade de segurança, bem como a vontade de aprender inglês.

A greve da PM no Espírito Santo foi a última gota para mim. Meu filho tinha quatro anos e eu sabia que a Nova Zelândia estava entre os países mais seguros do mundo. Apesar do que ocorreu, eu acho que ainda é. Acho que o ocorrido foi um caso isolado provocado por um grupo de ideologia extremista, esta é a primeira vez desde que estou aqui que ouço algo parecido

A cidade onde o capixaba vive é considerada um lugar pacato e que lembra Vitória, uma ilha com cerca de 450 mil habitantes. "Já viajei quase o país inteiro trabalhando e esta é a parte que eu mais gosto, me sinto em casa morando aqui, é bem calmo", completou.

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A TRAGÉDIA

No início da tarde de sexta-feira na Nova Zelândia (ainda quinta-feira no Brasil), disparos dentro de duas mesquitas, Masjid Al Noor e Linwood, ambas localizadas na cidade de Christchurch, deixaram 49 mortos e ao menos 48 feridos. O ataque foi transmitido ao vivo pelo atirador, Brenton Tarrant, de 28 anos, na internet. Após o atentado, o autor dos tiros publicou um manifesto cujo conteúdo é principalmente de repúdio à imigração. 

Dentre os feridos que foram levados ao hospital, conforme noticiado pelos veículos de notícia neozelandeses, havia crianças. 

A atuação da polícia local se deu de forma bastante ágil, auxiliada pela existência de dois departamentos policiais próximos aos locais dos ataques, sendo que um deles, segundo Ruan, fica a apenas um quilômetro de distância da mesquita central, onde 41 pessoas já tiveram óbito confirmado.

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