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Boris Johnson: conheça o próximo primeiro-ministro do Reino Unido

Conhecido por seu estilo informal, o ex-prefeito de Londres foi eleito para ocupar a cadeira de primeiro-ministro do Partido Conservador no Reino Unido; ele será o responsável por conduzir a saída do país da União Europeia, o chamado brexit

O ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, discursa após ser eleito para ocupar o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido
O ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, discursa após ser eleito para ocupar o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido
Foto: Frank Augstein/AP

O deputado britânico Boris Johnson, 55, é o novo líder do Partido Conservador e deverá se tornar primeiro-ministro do Reino Unido nesta quarta-feira (24), substituindo sua correligionária Theresa May.

O resultado da eleição interna (restrita a membros da legenda) foi anunciado na manhã desta terça (23). Ele teve 66% dos votos, contra 34% de Jeremy Hunt, seu rival na disputa final. Participaram apenas pessoas filiadas ao Partido Conservador.

QUEM É JOHNSON

Ex-ministro das Relações Exteriores e ex-prefeito de Londres (2008-2016), Johnson derrotou o atual chanceler, Jeremy Hunt, na etapa final da disputa - no começo da corrida, em junho, havia dez candidatos, mas o eventual vencedor nunca foi ameaçado.

Segundo o protocolo, May deve ter uma audiência com a Rainha Elizabeth II na tarde desta quarta para entregar seu cargo e recomendar Johnson como sucessor.

Theresa May, ex-primeira-ministra britânica
Theresa May, ex-primeira-ministra britânica
Foto: Andrew Matthews/AP

Conhecido pelo estilo (para alguns demasiado) informal, pelas gafes e por projetos frívolos e onerosos (dos quais o skyline de Londres está cheio), o deputado ascende à chefia de governo com a promessa de solucionar a maior crise da política britânica em décadas: como levar a cabo o brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, decidida em plebiscito há mais de três anos.

PROMESSA

Durante a campanha, ele garantiu que, uma vez eleito, tiraria Londres do bloco em 31 de outubro (já é a terceira data-limite para a separação, após dois adiamentos) acontecesse o que fosse.

Isso quer dizer que o novo líder não descarta o chamado "brexit duro", sem um acordo com a UE que prevê, entre outras coisas, uma fase de transição para que os dois lados se acostumem com o novo status da relação.

Em pronunciamento curto após a divulgação do resultado da eleição, mais uma vez Johnson prometeu finalizar o adeus à UE até 31 de outubro e "reenergizar o país" com uma abordagem otimista para problemas.

"Como um gigante adormecido, vamos despertar e nos livrar das amarras da falta de autoconfiança e do pessimismo com educação melhor, infraestrutura melhor, mais polícia e internet de banda larga por fibra óptica em cada casa", disse.

Vamos unir este país fantástico e fazê-lo avançar
Boris Johnson

TEMOR

Nos últimos dias, Johnson recebeu sinais de que enfrentará oposição, inclusive de alas moderadas de seu partido, se optar pela via da ruptura dura. O Parlamento manobrou para dificultar a suspensão temporária de suas atividades pelo Executivo (o que é permitido).

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O temor é o de que ele use um recesso para passar por cima dos deputados e impor uma saída não negociada. O Legislativo rejeitou três vezes o acordo proposto por May e, quando instado a propor solução alternativa, não chegou a qualquer consenso. Mas se há um entendimento consolidado na Câmara, é o de que a despedida britânica da UE não deve ser abrupta.

Em paralelo, vários ministros do governo May anunciaram que deixariam seus postos caso a vitória do ex-chanceler se confirmasse, entre eles Philip Hammond, o titular das Finanças, e David Gauke, o da Justiça.

No setor dos chamados "brexiteers", que defendem um divórcio sem concessões à Europa, também há expectativa em relação à concretização do discurso linha-dura do ex-chanceler.

Tanto críticos como apoiadores aguardam as primeiras nomeações ministeriais de Johnson e seu discurso inaugural para definir seus próximos passos, mas ele deve gozar de toda forma de uma espécie de "salvo-conduto" até o começo de setembro, quando o Parlamento volta de seu recesso de verão.

RELATÓRIO

O novo líder talvez também queira analisar com atenção o relatório divulgado no último dia 18 pelo Escritório de Responsabilidade Orçamentária do Reino Unido, que prevê uma recessão em 2020, em caso de "no deal" (saída sem acordo). Segundo o órgão, nesse cenário, o PIB britânico cairia 2,1% e o valor da libra sofreria depreciação de 10%.

De seu lado, a União Europeia estaria pronta para oferecer ao chefe de governo uma "extensão técnica" do prazo-limite para o brexit (saída do Reino Unido da UE), a fim de que ele tenha tempo de buscar uma modalidade que agrade ao Parlamento. Mas o adiamento também poderia ser vendido em casa como período extra de preparação para uma separação sem pacto.

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Afora o brexit, que sugou a vida política britânica nos últimos três anos, Johnson terá que encontrar uma saída rápida para a atual crise com o Irã, que apreendeu um cargueiro de bandeira britânica na semana passada no estreito de Ormuz em retaliação pelo confisco de uma embarcação de Teerã no começo de julho.

O pano de fundo aqui é a saída dos EUA, sob Donald Trump, do acordo para o controle da produção de energia nuclear pelo Irã. Desde o ano passado, Reino Unido, França e Alemanha tentam salvar o pacto.

Nesta terça, o presidente americano parabenizou Johnson pela vitória e escreveu na internet que ele será ótimo como primeiro-ministro.