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Em 13h, EUA assistem à morte de 29 pessoas em ataques em Ohio e Texas

Treze horas separaram dois massacres em duas cidades diferentes dos EUA.

Autoridades removem trapos sujos de sangue e outras evidências do local onde ao menos nove pessoas foram mortas e outras 27 ficaram feridas em um tiroteio em Dayton, Ohio, Estados Unidos, no início da madrugada deste domingo (4)
Autoridades removem trapos sujos de sangue e outras evidências do local onde ao menos nove pessoas foram mortas e outras 27 ficaram feridas em um tiroteio em Dayton, Ohio, Estados Unidos, no início da madrugada deste domingo (4)
Foto: John Minchillo

Bem mal os moradores de El Paso, no Texas, faziam vigílias em homenagem aos 20 mortos do ataque a tiros realizado no sábado (3), em um Walmart da cidade que faz fronteira com o México, uma nova chacina ocorria em Dayton, no estado de Ohio.

Numa ação que durou menos de um minuto, um atirador matou nove pessoas e feriu outras 27 na madrugada deste domingo (4), no bairro de Oregon, área histórica da cidade onde há bares, restaurantes e galerias de arte.

De acordo com a prefeita de Dayton, a democrata Nan Whaley, um homem branco identificado como Connor Betts, 24, de Bellbrook, também no estado de Ohio, usava um colete à prova de balas e carregava um rifle potente e munição reserva. Ele atirou em pessoas com idades entre 22 e 57 anos que estavam na rua, em frente a um bar.

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"Ele [o atirador] tentou entrar no bar, mas não conseguiu passar da porta", disse James Wilson, que estava perto do local do ataque e publicou o relato em uma rede social. "Alguém tomou a arma dele e então ele foi baleado [pela polícia] e morreu."

A irmã do atirador, Megan Betts, 22, está entre os mortos. As outras oito vítimas eram três mulheres e cinco homens. Seis das vítimas eram negras.

O motivo do ataque não foi esclarecido, e a polícia acredita que Betts agiu sozinho.

De acordo com a polícia, o atirador e a irmã chegaram ao local no mesmo carro junto a uma terceira pessoa. Eles se separaram antes do ataque.

A arma usada foi comprada online, de forma legal, de uma loja no Texas e enviada a um revendedor local. O atirador não possuía nenhum antecedente que o impediria de adquirir armas. Seu histórico tinha pequenas infrações de trânsito.

Uma testemunha, Anthony Reynolds, disse que ouviu tiros que pareciam ter saído de uma arma pesada. "Só 'bum bum bum bum bum' rápido", disse. "Eu diria que era uma arma grande. Você não teria isso de nenhuma pistola."

As mortes em Ohio somam-se a outras 20 do ataque realizado em El Paso no dia anterior, totalizando 29 mortes e 53 feridos em menos de 24 horas.

O saldo é ainda maior se contabilizado o ataque a tiros em Gilroy, na Califórnia, no domingo anterior (28), quando um adolescente de 19 anos invadiu um festival gastronômico, matou três pessoas e deixou outras 12 feridas.

Assim, em uma semana, os EUA assistiram à morte de 32 pessoas em ações que também deixaram 65 feridos.

Desde 1982, 114 massacres com uso de armas ocorreram nos Estados Unidos. Locais de trabalho, escolas e igrejas se acostumaram a testemunhar massacres que, na última década, cresceram em números.

Segundo levantamento realizado pela revista americana Mother Jones, que exclui assaltos e confrontos entre gangues e só considera ataques em lugares públicos com quatro ou mais vítimas, entre 2010 e 2019 ocorreram 63 ataques a tiros nos EUA, mais que o triplo da década anterior --20 episódios, que geraram 171 mortes no total.

Considerando as vítimas dos dois casos deste final de semana, o saldo de 2010 até agora é de 526 mortes, aumento de 207% em relação ao período entre 2000 e 2009.

A cada ataque como os deste final de semana, os EUA retomam o debate sobre restringir a posse de armas, mas as propostas não conseguem avançar.

No país, o lobby da bala, representado pela NRA (National Rifle Association, o lobby pró-armas americano), historicamente faz doações a congressistas --particularmente republicanos-- para evitar regulações mais rígidas envolvendo a posse de armas.

Grupos armamentistas dizem que a segunda emenda da Constituição dos EUA dá ao indivíduo direito de manter e de portar uma arma de fogo.

O número estimado de armas (registradas e ilegais) entre os cidadãos varia de 265 milhões a quase 400 milhões --a população americana soma cerca de 328 milhões de habitantes.

A presidente da Câmara dos Deputados americana, a democrata Nancy Pelosi, escreveu em um comunicado que os "senadores republicanos devem parar a obstrução ultrajante e se unir à Câmara para acabar com o horror e o derramamento de sangue que a violência armada inflige todos os dias nos EUA".

"Não podemos permitir que outra família ou comunidade sofra a dor e a angústia da violência das armas. Nós temos a responsabilidade de agir para o povo a quem servimos."

No Twitter, o presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, classificou o ataque em Ohio como "um ato de covardia". "Sei que estou junto a todos neste país para condenar o ato odioso de hoje. Não existem razões ou desculpas que justifiquem a morte de pessoas inocentes."