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Três meses depois, dupla que decolou em Linhares continua desaparecida

Não há notícias sobre o paradeiro de empresários que saíram de Linhares com destino à Bahia

Mayke e Douglas desapareceram no dia 21 de setembro após decolarem em uma asa-delta motorizada
Mayke e Douglas desapareceram no dia 21 de setembro após decolarem em uma asa-delta motorizada
Foto: Reprodução

O piloto Mayke Stefanelli Barcellos e o amigo dele, o empresário Douglas Siqueira Lana, estão desaparecidos há três meses, após decolarem em uma asa-delta motorizada, no dia 21 de setembro, em Linhares, no Norte do Estado. O destino deles era Mucuri, na Bahia, onde foi realizado um evento que reuniu pilotos de todo o país.

A dona de casa Cirene Maria Siqueira Lana, 54 anos, que é mãe do empresário Douglas Lana disse que a família está angustiada com a demora para encontrar o filho e sofrendo pela falta de informações.

Eu choro o tempo todo pelo meu filho. Vivemos uma angústia e um sofrimento com a falta de informações. Eu estou até perdendo a conta dos dias. A única coisa que a gente sabe é que as buscas foram encerradas e isso está acabando comigo

O farmacêutico e empresário Douglas Lana completou 31 anos no dia 26 de novembro e a mãe disse que que ainda tem a esperança de encontrá-lo com vida. "Meu filho era um menino, doce, meigo, trabalhador e de família. Ele vinha direto me direto visitar". 

Até que provem o contrário, eu tenho a esperança de ainda achá-lo vivo

FAMÍLIA QUER AÇÃO DO EXÉRCITO

"Estou em contato com um advogado particular para pedir na Justiça que o Exército entre na mata e faça uma varredura para encontrá-los. Eu como mãe, tenho o direito de saber o que aconteceu. Não podemos ficar nesse mistério sem respostas. Os bombeiros insistiram que eles estavam na lagoa, só que eles não foram encontrados lá e as buscas foram encerradas. A gente se ofereceu para pagar e continuar as buscas com outros profissionais para ajudá-los, mas eles disseram que a prioridade é salvar vidas e não procurar cadáveres. É muito difícil ouvir isso. Me falaram de irregularidades que a asa-delta teria. Só que por causa disso tudo, o meu filho o amigo dele e as famílias vão pagar por isso? Vamos sofrer por esse motivo? Vem aí as datas de Natal e Ano Novo e não temos o que comemorar", finalizou.

> Celulares de dupla 'apagaram' ao mesmo tempo

O pai do empresário Mayke Stefanelli, Jânio Garuzzi, afirma que houve descaso com o pedido da família de  buscas pela mata. "Nós pedimos desde o início as buscas pela mata, na Reserva de Sooretama, e elas não foram feitas como deveriam. Em todos os lugares de mata mais fechada eles acham e aqui não. O que nós vemos é um descaso", avalia.

'FORAM EMPENHADOS TODOS NOSSOS RECURSOS', DIZ TENENTE-CORONEL

O tenente-coronel Ferrari do Corpo de Bombeiros explicou que as buscas estão suspensas, mas podem ser retomadas a qualquer novo indício do paradeiro dos amigos.

"As buscas estão suspensas e podem ser retomadas, caso apareça algum novo indício de onde eles possam estar. Enquanto eles não forem achados, as buscas não são consideradas encerradas. Realizamos as buscas até o dia 23 de novembro e esgotamos o prazo de todos os manuais para o caso de acidente aéreo. Em números, percorremos mais de 1.500 km em sobrevoo, mais de 300 km² por terra de busca detalhada, em locais em que o sobrevoo não avistaria, como nas matas e cerca de 8 a 10 km² escaneando o fundo da lagoa com o auxílio do sonar e mergulhos dos militares. Apesar disso, não obtivemos êxito em encontrá-los", disse.

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Sobre o questionamento da mãe de Douglas com relação à prioridade do trabalho dos bombeiros em salvar vidas, Ferrari respondeu que foram empenhados todos os recursos e efetivos dos militares. 

"Para  fazer buscas, eu tenho que tirar efetivo para prestação de emergência onde vidas estão em jogo. Mobilizamos muita gente de quatro companhias e não encontramos nada. Não justifica continuar. Se tiver algum indício, aí nós vamos lá. Nós empenhamos mais recurso do que tínhamos para ter efetivos para fazer as buscas com helicóptero, avião e sonar por 60 dias", disse.

Diante dos questionamentos das famílias de que os dois estariam na mata, Ferrari voltou a dizer que os indícios não apontam para esse local. 

"Os indícios que colhemos apontam que eles teriam caído na água e a hipótese mais provável é que tenha sido na lagoa Juparanã porque é a maior área de água. Os familiares insistem na reserva, mas eles foram avistados até próximo à reserva e posteriormente indo em direção ao sul da região do Guaxe. Câmeras mostraram imagens de chuvas muito fortes. Eles desceram para o sul do Guaxe. A família nos notificou mais de 24 horas depois do ocorrido e isso dificultou bastante a tentativa de localização através do GPS dos aparelhos. Os celulares dos dois pararam ao mesmo tempo. Isso sugere de que eles tenham caído na água. E, mesmo se tivessem caído na reserva, a chance de estarem vivos eram remotas. Nós vasculhamos toda a área em volta da reserva e ninguém viu nada. Funcionários da reserva Natural da Vale e de Sooretama, além de caçadores estiveram lá e ninguém encontrou nada. Não tem nada que leve a crer que eles estão na reservas. Indo para o lado sul, muitas pessoas avistaram a aeronave, mas a família diz que está no lado norte. Todos os relatos apontam para o lado sul e não para as reservas", disse.

Um relatório sobre a operação de buscas, mostrando todo o trabalho dos bombeiros deve ser concluído nos próximos dias. "Estamos finalizando um relatório que irá mostrar todo o nosso trabalho em procurar a aeronave que apresentava diversas irregularidades: não era homologada, estava com excesso de peso, uma asa trocada, o motor foi trocado era dia de alerta meteorológico", concluiu.

Acionada pela reportagem, a Polícia Civil informou que as investigações estão sob sigilo.

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