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Polícia flagra "gato" de energia em imóveis de vereador de Linhares

Furto foi confirmado pela concessionária EDP e Polícia Civil

Viatura da Polícia Civil e caminhão da EDP em imóvel de vereador de Linhares
Viatura da Polícia Civil e caminhão da EDP em imóvel de vereador de Linhares
Foto: Loreta Fagionato

A casa e o depósito de gás de um vereador de Linhares, na região Norte do Estado, foram alvos de uma operação da Polícia Civil e da EDP na manhã desta quarta-feira (13), por conta de uma denúncia de furto de energia elétrica.

A concessionária de energia constatou que o consumo da empresa e da residência de Odeir Rogério Bissoli, mais conhecido como Rogerinho do Gás, não era compatível com a estrutura do local. A casa fica nos fundos do comércio. Uma vistoria foi realizada e a EDP formalizou a denúncia à PC através de um boletim de ocorrência.

Junto com a companhia elétrica, a perícia criminal e policiais civis estiveram no local e confirmaram o furto de energia. Segundo a PC, havia um desvio antes do medidor que era usado tanto na casa quanto no comércio. No interior da residência, os policiais encontraram um disjuntor que funciona como chave de comutação e, através dele, é possível ligar a energia ou passar para o “gato”.

Técnicos da EDP que estiveram no local explicaram que será feita uma comunicação administrativa para que seja feita uma separação do padrão de energia da residência e do comércio de Rogerinho. Cada um é uma unidade consumidora diferente e o padrão deve ser separado. No entanto, o problema é considerado uma irregularidade. Já o furto de energia é um crime. A suspeita é que o “gato” de energia é usado há pelo menos dez anos.

De acordo com a plantonista da 16ª Delegacia Regional de Linhares, delegada Ivina Queiroz, o crime vem sendo praticado há bastante tempo. “De acordo com informações, o crime ocorria há cerca de dez anos. Os policiais civis, juntamente com a equipe da perícia e da empresa distribuidora de energia, estiveram no local e comprovaram a fraude”, informou. Ainda segundo a Polícia Civil o padrão de energia está no nome do vereador.

DENÚNCIA

Técnico da EDP e perito criminal no imóvel de vereador de Linhares
Técnico da EDP e perito criminal no imóvel de vereador de Linhares
Foto: Loreta Fagionato

Através de um levantamento do histórico de gasto de energia, o sistema da EDP notou que era incompatível com a estrutura da residência e o depósito. Por duas semanas, funcionários da concessionária vistoriaram o imóvel até encontrar os indícios do furto de energia. Após o registro do boletim de ocorrência, a Polícia Civil esteve no local com uma equipe da companhia elétrica.

Os policiais explicaram que a EDP acompanha e isola o local por determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas quem constata o crime é a PC através da perícia criminal.

DELEGACIA

Técnicos da EDP e policiais civis no imóvel de vereador de Linhares
Técnicos da EDP e policiais civis no imóvel de vereador de Linhares
Foto: Loreta Fagionato

Durante a manhã, enquanto as equipes da EDP e da Polícia Civil atuavam no imóvel de Rogerinho, o vereador não compareceu ao local. Por conta disso, a esposa dele Sônia Cremonini Bissoli, grávida de 7 meses, foi conduzida à 16ª Delegacia Regional de Linhares. Ela foi para a unidade policial no carro de um advogado.

Sônia passou a tarde na delegacia e foi ouvida por volta das 16h. O depoimento dela durou cerca de 30 minutos. Ela deixou a unidade policial acompanhada do advogado e não falou com a imprensa.

A delegada Ivina Queiroz disse que, em depoimento, a esposa do vereador alegou não ter conhecimento do crime, mas mesmo assim foi autuada por furto de energia, pagou fiança no valor de R$ 5 mil e vai responder o processo em liberdade.

Em nota, a EDP confirmou que técnicos da empresa e peritos da PC realizaram inspeções nesta manhã, em Linhares, e que encontraram irregularidade em uma residência. Além disso, reforçou que o furto de energia é crime previsto no artigo 155 do Código Penal Brasileiro, que dispõe: “Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa”.

A concessionária também afirmou que os responsáveis pelos estabelecimentos vão arcar com a cobrança de toda a energia não faturada durante o período da irregularidade e o custo administrativo, além do processo criminal.

O OUTRO LADO

Nós tentamos contato com o vereador Rogerinho do Gás, mas segundo um funcionário do gabinete não havia ninguém para comentar o assunto.

A Câmara Municipal de Linhares disse em nota que tomou conhecimento sobre o caso por meio da imprensa e por se tratar de uma situação particular do vereador, a Casa de Leis não se pronunciará sobre o fato.

 

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