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Advogado golpista é investigado por sacar R$ 73 mil de cliente morta

A cliente era delegada e entrou na Justiça pedindo uma indenização; o ganho da causa só veio depois que ela havia morrido

Delegado José Darcy Arruda, titular da Superintendência de Polícia Especializada (SPE), que investiga o caso
Delegado José Darcy Arruda, titular da Superintendência de Polícia Especializada (SPE), que investiga o caso
Foto: Edson Chagas | Arquivo

Um advogado é investigado por sacar R$ 73 mil da indenização de uma cliente, uma delegada que morreu em 2005. A causa, referente a direitos do consumidor, só foi vencida após a morte da vítima. Para conseguir o benefício, o profissional falsificou documentos, conseguiu uma idosa para se passar pela cliente morta e fez uma procuração em que ela passava para ele o direito de receber o dinheiro.

A polícia não divulgou as idades dos envolvidos. Os nomes dos acusados não serão divulgados porque a investigação ainda está em andamento e, por enquanto, eles não foram indiciados pelos crimes.

De acordo com o delegado José Darcy Arruda, titular da Superintendência de Polícia Especializada (SPE), tudo começou quando a delegada contratou os serviços do advogado para entrar com um pedido de indenização.

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Porém, em 2005 a delegada morreu. Após a morte, o Poder Judiciário deu a ela ganho de causa, com uma indenização de R$ 73 mil. Tendo conhecimento disso, o advogado tentou sacar a indenização por cerca de três vezes, sem comunicar à Justiça a morte da cliente. Ele também não comunicou à família sobre a indenização.

"Com dificuldades para fazer o saque, ele teve uma ideia: Convidou uma idosa para ela se passar pela delegada. Para isso, falsificou documentos. Depois, a cúmplice dele assinou uma procuração, se passando pela vítima, que dava ao advogado o direito de recebimento de todos os ganhos da causa", disse Arruda.

A procuração teve firma reconhecida no cartório de Iconha e o advogado conseguiu sacar os R$ 73 mil em meados de 2016. Agora a polícia irá investigar se houve participação de algum funcionário do cartório no golpe.

A polícia só teve conhecimento do crime após uma sobrinha da delegada, recém-formada em Direito, resolver pesquisar o nome da tia no site do Tribunal de Justiça. Ela viu o processo com a sentença favorável, descobriu que o valor havia sido pago e procurou a polícia.

Um inquérito policial foi iniciado na Delegacia Especializada de Crimes Contra a Administração Pública (Decap) e a polícia fez o pedido de mandado de busca e apreensão na Serra e Vila Velha. Os endereços alvos eram os dois escritórios do advogado, a casa do profissional, além das residências da idosa que se passou pela delegada morta e do assistente do advogado, que foi com ele sacar o dinheiro.

A ação, que aconteceu na manhã desta terça-feira (7) foi intitulada como Operação Ressurreição.

"Também pedimos o mandado de prisão dos três, mas a Justiça não concedeu. Durante as buscas, a idosa procurou a polícia e confessou que participou do golpe. Ela disse que foi enganada pelo advogado e que não recebeu dinheiro para isso. Contou que apenas recebia ajuda do profissional com alimentação. Acreditamos que com essa confissão, além dos depoimentos que iremos colher durante a semana, vamos conseguir a prisão dos envolvidos", afirmou.

NOTA DA OAB-ES

Procurada, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) afirmou, por nota, que acompanhou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão realizados em residências e escritórios do advogado, por meio da Comissão de Direitos e Prerrogativas.

"A função da Ordem neste caso é zelar pela estrita observância das prerrogativas profissionais, observar que a diligência deve recair sobre o objetivo do pedido, enfim, verificar a legalidade da ação da polícia no cumprimento do mandado de busca", disse a nota.

De posse dessa decisão, o presidente da OAB-ES, Homero Mafra, encaminhou ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) um pedido de instauração de processo disciplinar para verificar, inclusive, se a hipótese comporta a suspensão preventiva do advogado.

 

 

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