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O último adeus: corpo da menina Thayná é sepultado em Cariacica

Com balões coloridos e camisas em homenagem à Thayná, amigos e familiares foram ao cemitério para a despedida

Menina Thayná é enterrada nesta quarta-feira (6), no bairro Aparecida, em Cariacica
Menina Thayná é enterrada nesta quarta-feira (6), no bairro Aparecida, em Cariacica
Foto: Fernando Madeira

Por volta das 16 horas desta quarta-feira (6) , o corpo da menina Thayná Andressa de Jesus do Prado chegou ao Cemitério Santo Agostinho, no bairro Aparecida, Cariacica. Amigos e familiares se reuniram na entrada do local para acompanhar a chegada do carro da funerária.

Com balões coloridos e camisas em homenagem à Thayná, amigos e familiares foram dar o último adeus à menina. A mãe dela, Clemilda Aparecida de Jesus, de 31 anos, têm recebido fortes abraços da multidão que compareceu ao cemitério.

 

"EU QUERO PENA MÁXIMA"

“Eu quero a pena máxima para ele. Não aceito menos que isso.” A frase demonstra o sentimento de revolta da costureira Clemilda Aparecida de Jesus, 39, em relação a Ademir Lúcio Ferreira de Araújo, assassino da filha Thayná Andressa de Jesus do Prado, 12 anos.

A costureira Clemilda Aparecida de Jesus durante o velório da filha, a menina Thayná
A costureira Clemilda Aparecida de Jesus durante o velório da filha, a menina Thayná
Foto: Ricardo Medeiros

A declaração foi dada nesta terça-feira (5), no Departamento Médico Legal (DML), em Vitória, um dia após o resultado do DNA comprovar que a ossada encontrada em um matagal em Viana era da menina. Abalada, Clemilda foi ao local para liberar os restos mortais de Thayná. Ela recebeu ajuda do dono de uma funerária para realizar o velório e o enterro da filha. “É uma mistura de sentimentos. Não dá para definir o que eu estou sentindo. Agora tenho certeza de que acabou. Mas é só essa certeza que eu tenho.”

Clemilda ainda afirmou que não vai descansar enquanto Ademir não for condenado. “Não posso me abater agora. Ele está aí ainda.”

ENTREVISTA

O que dizer sobre esse momento?

É uma mistura de sentimentos muito grande. Não dá para definir. Agora tenho certeza que acabou. Mas é só essa certeza que eu tenho.

De onde você tem tirado forças?

A força vem de Deus, das orações, do carinho das pessoas. Eu não posso me abater agora. Ele está aí ainda. O delegado me disse que saiu agora a prisão preventiva por conta do caso de estupro da outra menina. Agora é esperar.

O que espera a partir de agora?

Eu quero ver esse monstro afundado na lama. Eu quero pena máxima, não aceito menos. Toda a sociedade sabe que a Justiça colocou ele na rua ano passado para vir e cometer essas atrocidades com as crianças. Eu sei que aqui fora tem outros, mas o Ademir não vai mais colocar a mão em nenhuma criança, porque eu não vou deixar. Ele vai se arrepender para o resto da vida dele de ter entrado na minha vida.

VELÓRIO

Foi por volta de 19h40 desta terça-feira (05) que o corpo da menina Thayná Andressa de Jesus do Prado chegou à Assembleia de Deus, no bairro Flexal II, em Cariacica, para ser velado. A mãe de Thayná, Clemilda Aparecida de Jesus, de 31 anos, ficou muito abalada quando o caixão passou por ela na entrada da igreja. 

Muitas pessoas passaram no local para prestar apoio à Clemilda. A irmã dela, Kenia Paula de Jesus, de 40 anos, contou que todo mundo tinha esperança de que a Thayná estivesse viva.

Velório da menina Thayná, em Flexal II, em Cariacica
Velório da menina Thayná, em Flexal II, em Cariacica
Foto: Ricardo Medeiros

“Como o Ademir deixou outras vítimas vivas nós ainda tínhamos essa esperança. Por que ele fez isso com ela? A gente não consegue entender. Ela era uma criança, uma menina pura, inocente, que ainda brincava de boneca. Uma coisa que pegou todo mundo de surpresa”, lamentou Kenia, acrescentando que todos do bairro estão muito abalados.

Kenia ressaltou ainda que a movimentação na igreja é porque Clemilda é uma pessoa muito querida em Flexal II e os amigos foram apoiá-la em um momento tão delicado. 

A manicure Aline Gomes, 24, contou que é amiga da família e foi até o velório dar uma força para Clemilda. “Ela é uma mulher muito batalhadora. Correu atrás até que o criminoso fosse preso. Todos da região estão muito abalados porque tínhamos esperança que a ossada não fosse da Thayná”.

Por volta de 21 horas, a cerimônia do velório ainda não tinha começado. Amigos e familiares ampararam Clemilda com fortes abraços. A família pediu que fotos não fossem registradas pela imprensa.

SEM FORÇAS

Clemilda se disponibilizou para conversar com a imprensa por volta de 21h45. No entanto, ao se deparar com os jornalistas, ela disse que não teria condições de falar. Neste momento, a filha mais velha dela, de 21 anos, disse que a mãe não tem forças de conversar sobre o assunto porque as perdeu na batalha do caso Thayná.

“Todo mundo ainda tinha esperança de que Thayná estivesse viva. Minha mãe só tinha casa, móveis e tudo direitinho pensando na Thayná. Ela era a caçula de seis filhos e estava sempre ao lado da minha mãe ajudando em tudo. Enquanto minha mãe cozinhava, ela colocava a mesa e fazia questão de que todos os familiares se sentassem juntos para almoçar”, contou.

A filha mais velha de Clemilda explicou ainda que a luta da família continuará e que eles vão cobrar da Justiça para que esse caso não seja esquecido.

“Muitas mães não tiveram a coragem que a minha mãe teve de enfrentar todo mundo e correr atrás da resposta. Se hoje ela não tem força para conversar com vocês e falar sobre esse assunto é porque ela perdeu todas as forças nessa luta”, finalizou.

Clemilda está tão abalada com o velório que não tinha chegado perto do caixão até as 21h45 desta terça-feira. Apesar de ter dito anteriormente que não era para a imprensa fazer registros do momento, a mãe da menina autorizou que os jornalistas e fotógrafos fizessem imagens dentro da igreja.

DESAPARECIMENTO

Thayná Andressa de Jesus do Prado, de 12 anos, desapareceu no bairro Universal, em Viana, no dia 17 de outubro
Thayná Andressa de Jesus do Prado, de 12 anos, desapareceu no bairro Universal, em Viana, no dia 17 de outubro
Foto: Ruhani Maia

Thayná Andressa de Jesus do Prado, de 12 anos, desapareceu no bairro Universal, em Viana, no dia 17 de outubro. Ela foi vista pela última vez quando entrava em um carro após deixar um supermercado no bairro onde mora. Segundo investigações, o veículo pertence a Ademir Lúcio Ferreira de Araújo, de 52 anos. O homem tem passagens pela polícia e saiu da cadeia em dezembro do ano passado, depois de cumprir pena por homicídio. Ele é acusado de estuprar uma criança de 11 anos três dias antes do sequestro de Thayná. 

Depois de um longo trabalho de buscas, Ademir foi encontrado pela polícia no centro de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, no dia 13 de novembro, três dias depois que a ossada foi encontrada. A mãe da menina chegou a fazer diversos protestos na Grande Vitória como forma de pressionar as autoridades a descobrirem o paradeiro da filha e do sequestrador.

VÍDEO DO SEQUESTRO

 

ADEMIR CONTOU DETALHES DO CRIME

Ademir Lúcio Araújo Ferreira, de 55 anos, contou, em vídeo, após ser preso, detalhes do dia do crime. Durante a confissão, ele garantiu que o corpo da menina está dentro de uma lagoa em Viana.

Ele conta que, após a menina entrar no carro, dirigiu em direção à lagoa e parou o carro próximo ao local. De acordo com Ademir, em determinado momento ele convidou a menina para ter uma relação sexual, que negou.

Ademir é acusado de estuprar e matar a menina Thayná
Ademir é acusado de estuprar e matar a menina Thayná
Foto: Bernardo Coutinho

Foi quando ela saiu correndo do carro e ele não teve como alcançá-la. "Ela passou por um alambrado e foi correndo pela lagoa, e aí que eu vi ela afundando na água. A lagoa é funda, não deu para eu pegá-la. Não tinha como eu salvar ela, foi muito rápido", justifica.

 

 

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