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Motorista de aplicativo leva facada no pescoço e tem carro roubado

Após pegar um passageiro que saiu do Villa Mix e levá-lo na Lagoa de Jacaraípe, o homem, que ainda entrou em casa para buscar dinheiro para pagar a corrida, anunciou o assalto

Motorista de uber tem carro roubado e leva facada após corrida na Serra
Motorista de uber tem carro roubado e leva facada após corrida na Serra
Foto: Marcelo Prest

Um motorista de aplicativo de 23 anos, que preferiu não se identificar, foi assaltado e levou uma facada no pescoço na noite deste sábado (14) quando fazia uma corrida na Serra para um passageiro que voltava do festival de música Villa Mix, por volta das 23h.

Segundo a vítima, a confusão se iniciou por conta do preço da corrida, que teve como destino uma residência próximo a Lagoa de Jacaraípe. O valor cobrado foi de R$45,00. No entanto, o passageiro alegou ter apenas R$20,00. Para completar a quantia, ele pediu que o motorista esperasse no local pois ele pegaria o restante do dinheiro com o pai dele. No entanto, ao voltar para o carro, depois de entrar na casa, o passageiro disse que o pai não estava lá e pediu para que fossem de carro ao encontro do pai, em outro local, nas redondezas.

No entanto, o passageiro anunciou o assalto, pediu para que o motorista descesse do carro, após entregar cerca de R$100 em dinheiro e o celular. Mesmo entregando os pertences, o assaltante desferiu um golpe no pescoço do motorista que precisou fugir para escapar de um segundo golpe.

"Eu não tinha desconfiado dele. Ele havia falado que tinha bebido muito, que estava no festival de música, junto com o irmão, e que ele já tinha vomitado duas vezes. Teve uma hora que ele apagou dentro do carro. Eu precisei balançar ele muito para ele acordar. Só depois que ele entrou na casa e voltou para o carro é que anunciou o assalto. Então ele pediu para que eu descesse do carro. Entreguei dinheiro e celular e pedi que não fizesse nada comigo. Eu olhei para ele e ele me atacou com uma facada no pescoço. Ele tentou me dar outra faca, mas aí eu segurei o braço dele, torci e foi o tempo de eu sair correndo, deixar tudo para trás e procurar ajuda", disse o motorista. 

O motorista conta que ao perceber que estava sangrando, colocou sua camisa no pescoço e parou um um homem na rua para pedir ajuda. A princípio este homem desconfiou da atitude do motorista então ele seguiu andando e abordou dois rapazes que passavam na hora.

"Os dois homens pararam e me ajudaram. Eles viram um outro amigo deles que estava de carro passando na hora e pediram para que ele pudesse me levar a um hospital. Também me emprestaram o celular para que eu pudesse ligar para meus pai e avisar o que aconteceu", relata o motorista que foi levado para o Hospital Metropolitano, na Serra. 

A vítima precisou levar três pontos no pescoço e agora já está em casa. Ainda bastante assustado, ele garante que não quer mais ser motorista de aplicativo. 

"Todo dia tem uma corrida que você pega gente estranha. Eu vou desistir. Não volto a trabalhar com isso nunca mais". Quanto ao carro e os pertences roubados, a vítima não teve notícias de onde eles possam estar. 

Pais avisaram sobre o perigo da profissão 

Os pais do jovem avisaram ao motorista do aplicativo sobre os riscos da profissão. No entanto, ele decidiu que iria realizar as corridas porque estava desempregado há um ano e não achava emprego na sua área, como bombeiro civil. Nesse período, ele fez alguns trabalhos com DJ e começou como motorista do aplicativo há um mês.

“Eu e meu marido já o orientava sobre o perigo da profissão devido ao que nós víamos nos meios de comunicação. Mas o jovem sempre acha que com os outros as coisas acontecem, mas com ele nunca vai acontecer”, alega a mãe do jovem, uma professora de 50 anos.

Ela conta que estava num barzinho com o marido quando recebeu quatro ligações de um número desconhecido. “Quando eu vi quatro chamadas, retornei e ele atendeu dizendo que estava indo para o hospital. “Fomos imediatamente e ele estava com um curativo grande no pescoço. Graças a Deus a artéria não foi atingida e ele ficou em observação por quatro horas”.

A mãe do jovem garante que ele não vai mais trabalhar na área. “Não recomendo para filho de ninguém. Poderia estar sem ele hoje, ninguém traz a vida de volta. A gente vive com medo dos bandidos, percebe que a Justiça não está dando conta da bandidagem”, finaliza.

Associação de motoristas pede mais rigor

De acordo com o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativo do Espírito Santo (Amapes), Amapes Fernando Müller, crimes envolvendo motoristas de aplicativos voltaram a acontecer com mais frequência devido ao uso de perfis falsos. E eles configuram o maior índice de relatos de assaltos desses profissionais.

Segundo Müller, se não fosse o perfil falso, seria muito mais fácil de as operadoras dos aplicativos identificarem o autor do crime. "Normalmente esses tipos de passageiros usam o pagamento em dinheiro. Mas se o celular for roubado, eles conseguem acionar por cartão de crédito, durante um curto período de tempo."

O presidente da associação ainda informou que a categoria pretende se reunir com o novo secretário de segurança pública, Coronel Nylton Rodrigues, para apresentar um novo projeto de segurança. De acordo com ele, foi feito um estudo junto com a Federação dos Motoristas de Aplicativo e um dos principais pontos a ser melhorado é a forma como é realizado o cadastro de passageiros, que, segundo Müller, "hoje praticamente não há verificação nenhuma".

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