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Oficial: "PMs entravam espontaneamente no quartel, mas não saíam"

Jair Gomes de Freitas afirmou que embora os policiais alegassem que permaneciam dentro do quartel porque o local estava obstruído, muitos entravam espontaneamente

Mulheres de policiais militares acampadas em frente ao Quartel-General da PM em Maruípe durante a greve da corporação
Mulheres de policiais militares acampadas em frente ao Quartel-General da PM em Maruípe durante a greve da corporação
Foto: Gazeta Online | Arquivo

Das testemunhas que seriam ouvidas na tarde desta segunda-feira (14), no primeiro dia de audiência sobre a paralisação da Polícia Militar no Espírito Santo em fevereiro de 2017, quatro foram dispensadas. Em depoimento, o coronel Jair Gomes de Freitas, comandante do 7° Batalhão de Polícia Militar, afirma que percebeu que durante a greve muitos policiais entravam espontaneamente no quartel e se recusavam a fazer patrulhamento na rua.

Foram ouvidos na parte da tarde o procurador Alexandre Nogueira Alves, o coronel do Corpo de Bombeiros Carlos Marcelo D'Isepe Costa, a capitã da PM Samíramis Baldotto Silva Lessa, o coronel Mário Marcelo, o tenente-coronel Alexandre Quintino, o Cabo Lucanza Paulo Lobatto Gondin e o capitão Paulo Araujo de Oliveira, o Tenente Coronel Rogério Fernandes Lima e Jair Gomes de Freitas, coronel comandante do 7° Batalhão da PM.

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Quatro testemunhas foram dispensadas: Renata Josielle Santana Souza, Márcio Belloti Pacheco, David Lucas Lopes dos Santos, Leonardo Canali e Leandro Ceolin Melo.

Em depoimento, o capitão Paulo Araujo Oliveira, que na época da greve era presidente da Associação dos SubTenentes e Sargentos da PM e BM do Espírito Santo (Asses), afirmou que a iniciativa do movimento partiu dos familiares dos policiais, já que os PMs não podem fazer greve.

"Como policial que tem família eu posso afirmar que a iniciativa do movimento partiu dos familiares diante da necessidade de estarem ali para revindicar o que os policiais não podem fazer. Os policiais não podem fazer greve. Então foi um movimento de necessidade da família por melhores condições de trabalho", disse.

Já Jair Gomes de Freitas, coronel comandante do 7° BPM, afirmou em depoimento que embora os policiais alegassem que permaneciam dentro do quartel porque o local estava obstruído, ele avalia que muitos entravam espontaneamente no quartel. Segundo ele, o que percebe-se é que na prática havia uma recusa dos policiais de fazer patrulhamento na rua.

"Apesar de ser número pequeno mulheres, pela forma que elas estavam posicionadas e pela orientação da Sesp de não usar a força, a saída das viaturas era quase impossível. Os policiais ficaram um período aquartelados, mas não sei dizer a quantidade de dias. Todos os aquartelados descumpriram as ordens do quartel de saírem para ruas para fazer o policiamento", disse.

O coronel completou que muitos desses policiais, inclusive oficiais, foram impedidos de sair do quartel. Ele contou que ele mesmo, em uma ocasião, teve que passar pelo mato e subir uma cerca para conseguir entrar no quartel e dar o ultimato aos policiais para que eles saíssem.

"Nesse momento, parte deles deixou o quartel. Na minha avaliação essa apresentação externa não foi cumprida. Os policiais permaneceram aquartelados apesar das ordens. Mas uma pequena parte do efetivo conseguiu cumprir as ordens", disse.

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