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Polícia investiga se mulher traficava bebês após comprá-los no ES

A polícia possui três casos em que Andréa ofereceu dinheiro para ficar com recém-nascidos

Polícia investiga se mulher traficava bebês após comprá-los no ES
Polícia investiga se mulher traficava bebês após comprá-los no ES
Foto: Divulgação | Polícia Civil

A Polícia Civil quer encontrar a vendedora Andréa Eliane dos Santos Ramos, 50 anos, acusada de comprar bebês na Grande Vitória. As investigações iniciais apontam que ela também traficava as crianças. Atualmente, a polícia possui três casos em que Andréa ofereceu dinheiro para ficar com recém-nascidos.

Andréa foi identificada depois de ser denunciada por, supostamente, sequestrar um bebê de apenas um mês de idade, em Vila Velha. Ela foi denunciada em 28 de maio por Waléria Soares da Silva, 32, que procurou a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Vitória, dizendo que havia deixado o bebê com Andréa para registrá-lo na Bahia, estado de origem de Waléria. Porém, ao retornar, a vendedora já não estava mais morando no mesmo lugar.


Em menos de 15 dias de investigações, a Polícia Civil chegou até a localização do bebê e de Andréa. Ela prestou depoimento e disse que tinha permissão da mãe para ficar com o neném até que Waléria retornasse da Bahia.

“No decorrer das investigações, porém, descobrimos que essa criança foi entregue de maneira voluntária à Andréa em troca de dinheiro que deveriam ser pagos em depósitos na conta bancária da mãe. O sequestro, portanto, era uma versão fantasiosa do que se tratava de uma negociação ilegal”, observou o delegado Lorenzo Pazolini, da DPCA.

Andréa abordou Waléria nos arredores de um abrigo, onde ela morava desde que saiu da Bahia e chegou ao Espírito Santo. “Andréa levou Waléria, já grávida, para a casa dela e deu assistência até o dia do parto, que foi realizado em Guarapari, pois a vendedora já estava conhecida nas maternidades da Grande Vitória”, afirmou.

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Pazolini contou que Andréa chegou a tomar medicamentos para estimular a produção de leite para que a mãe do bebê fosse embora para a Bahia, 15 dias depois do parto. Andréa pagou a viagem para o outro estado, deu roupas e sapatos, R$ 70 para alimentação e ainda um notebook. Tudo isso com a promessa de que depositaria valores em uma conta bancária. Assim que a mãe deixou o bebê, Andréa mudou-se de residência, segundo as apurações da polícia.

“Ao chegar na Bahia, a mãe foi pressionada pelo pai da criança sobre o paradeiro do bebê, por isso retornou. No entanto, ela não encontrou Andréa e o bebê, por isso procurou a polícia com a versão falsa do sequestro. As duas chegaram a criar e assinar um documento de anuência, em que Waléria aceitaria deixar o bebê sob a responsabilidade de Andréa, mas que não possui nenhum valor legal”, pontou.

Na casa de Andréa, inúmeras roupas de bebês femininas e masculinas, carrinho, cadeirinha, mamadeiras e todo tipo de item para abrigar um neném foram encontradas na casa dela. A cena chamou atenção e, para a surpresa das autoridades, havia registros semelhantes de suspeita de venda de crianças tendo Andréa como compradora.

Para o delegado, não resta dúvida que Andréa tentava obter bebês de maneira ilegal para traficá-las. “Ela se aproxima das mães grávidas que estão em momentos de fragilidade, seja emocional ou financeira, e tenta ficar com essas recém-nascidos. Há indícios que Andréa repassa essas crianças para terceiros, comercializa os bebês, pois tem um custo para com as vítimas e as mães delas e, portanto, deve ter um retorno. Vamos apurar o tráfico dessas crianças”, explicou Pazolini.

DESCOBERTA DE OUTROS CASOS

Em 10 dezembro de 2017, Andréa se passou por sogra de uma motorista de van, de 33 anos, que deu entrada no Hospital da Mulher de Cobilândia, em Vila Velha, para dar à luz a um menino. Logo após o parto, Andréa impediu que as enfermeiras levassem o bebê para a mãe amentasse e tomava todas as decisões pela mãe da criança. A situação causou desentendimento entre Andréa e as enfermeiras, que acionaram o Conselho Tutelar.

“A mãe do bebê havia combinado com Andréa em entregar o neném em troca de dinheiro. Porém, após o nascimento, a mãe se arrependeu. Andréa não queria que a mãe amamentasse o bebê para evitar o laço emocional, já tinha até uma mamadeira com leite pronta, o que chamou atenção das funcionárias do hospital”, detalhou Pazolini. Ao ser descoberta, Andréa simulou um desmaio antes da chegada da polícia e conseguiu escapar.

A mãe da criança contou todo o acordo de entregar a criança quando estava com sete meses de gravidez. Ela disse que havia sido abordada por Andréa por meio de rede sociais e aceitou a proposta pois o pai do neném era um homem que a agredia. A motorista relatou, também, que recebeu toda a assistência de André até o dia do parto.

Hoje, o bebê está com a mãe e ela responderá pelo crime de prometer entregar menor de idade em troca de valores, de acordo com a DPCA.

Outra situação que ainda está sendo apurada pela polícia foi o fato de Andréa, de 50 anos, duas semanas depois de mudar-se para um bairro de Vila Velha, aparecer com um recém-nascido nos braços e dizer ser filho dela.

“A situação chamou atenção dos funcionários da unidade de saúde do bairro. Eles foram até Andréa, que aos 50 anos, dizia ter um filho bebê, não apresentava qualquer comprovante de antecedente hospitalar, ou pré-natal, e dizia chamar-se Patrícia”, observou o delegado.

A mulher apresentou uma carteira do Sistema Único de Saúde (SUS) do neném, porém, com o nome de Patrícia como sendo da mãe. Ao pesquisar o número da carteira, os funcionários do posto descobriram que o bebê havia nascido em Cariacica e que o nome da mãe era outro. A criança foi retirada pelo Conselho Tutelar e colocada em um abrigo. Andréa não foi mais localizada desde então. “Ela sempre está mudando de endereço exatamente pelos crimes que comete. Nesta terça-feira, estaremos encaminhando para a Justiça o pedido de prisão preventiva de Andréa. Acreditamos que possa haver outras vítimas que desconhecemos, casos em que ela conseguiu ficar com os bebês”, observou Pazolini.

Ela está sendo indiciada em dois inquéritos pelo crime de falsificação de documento e por oferecer recompensa ou pagar por criança. Quem reconhecer ou souber da localização de Andréa pode procurar a DPCA, em Jucutuquara, em Vitória, ou entrar em contato pelos telefones 3132-1916 ou 181 (Disque-denúncia).

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