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Sesp estuda criar unidade fixa da Polícia Militar no Morro da Piedade

"Vamos estudar a possibilidade de poder criar aqui o policiamento fixo, uma unidade fixa, para que a população tenha uma referência", disse o secretário Nylton Rodrigues

Morro da Piedade, em Vitória
Morro da Piedade, em Vitória
Foto: Eduardo Dias

Durante operação no Morro da Piedade na manhã desta terça-feira (12), o secretário de Estado da Segurança Pública (Sesp), Nylton Rodrigues, anunciou que a polícia não vai sair da comunidade e que avalia a criação de um Destacamento da Polícia Militar (DPM) no local.

Em entrevista à imprensa no bairro, o secretário disse que pretende manter o policiamento na região. "Vamos estudar a possibilidade de poder criar aqui o policiamento fixo, uma unidade fixa, para que a população do bairro Piedade tenha uma referência com as suas polícias aqui dentro da comunidade. Nós não vamos sair, a comunidade pode contar com a nossa presença", enfatizou.

Sobre a atuação das polícias, Nylton Rodrigues afirmou que, no momento, o policiamento fixo se dá através de patrulhas a pé. "Nós estamos aqui com o 1° Batalhão, a Força Tática do 1° Batalhão, a Companhia Independente de Missões Especiais, a Companhia Especial de Operações com Cães. Estamos com a Polícia Civil ajudando nesse patrulhamento. Exige um esforço para a gente passar a mensagem à comunidade, que pode contar as suas polícias. Neste momento, é isso que vai ser mantido e não tem tempo para terminar. Depois nós vamos avaliar possivelmente uma unidade destacada aqui, um DPM (Destacamento de Polícia Militar)", declarou.

"NÃO PRECISA SAIR, NÓS VAMOS CONTINUAR AQUI"

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Ainda durante a entrevista, o secretário falou que a população pode contar com as suas polícias, quando citada uma ordem de traficantes que teriam dado prazo de uma semana para os moradores desocuparem o morro. "Nós vamos permanecer aqui, para que a comunidade fique no bairro, não tenha que sair e não se renda a essa ação de traficantes. O indivíduo que morreu aqui no domingo cedo também era traficante, com passagem de roubo. São traficantes que estão brigando por disputa territorial para negociar a droga. A polícia está justamente para passar o seu recado. Não precisa sair, nós vamos continuar e vamos fazer as prisões que forem necessárias", destacou.

Mesmo assim, enquanto o secretário falava com a imprensa, moradores carregavam móveis e eletrodomésticos de mudança. A informação que corre no morro é que na última semana traficantes rivais avisaram a todos parentes de traficantes locais que eles tinham uma semana para ir embora. Do contrário, "eles vão voltar para matar".

Nesta terça-feira, a operação contou com 50 policiais militares e 22 policiais civis. 

RECADO À POPULAÇÃO

"Nós estamos saturando toda essa região da Piedade e da Fonte Grande, para trazer tranquilidade à comunidade, pra mostrar à comunidade que estamos aqui e ficaremos aqui com vocês. Confiem em suas polícias. Estamos aqui para dar apoio a vocês. Aproveito para fazer uma solicitação à comunidade, eu sei que vocês estão com medo, mas agora é hora de passar informação para as suas polícias. Busquem o local do seu trabalho, liguem para o 181, que é uma ferramenta segura, não tem gravação, não fica registrado o número utilizado para fazer essa ligação. As polícias precisam que vocês nos passem informação para que a gente possa trabalhar com mais celeridade e prender. Queremos prender não só aqueles que executaram, mas também aqueles que mandaram. Nós vamos fundo nessa investigação e vamos fazer todas as prisões de quem executou e de quem mandou. Estamos focados nisso. A Polícia Civil está focada nisso através das suas investigações."

MANDADOS DE PRISÃO E APREENSÃO

"Estão em andamento através das investigações. No momento certo, novas operações acontecerão, não só aqui. Nós já sabemos que isso aqui, logicamente, é fruto da disputa de grupos criminosos de traficantes da própria Piedade e de outros morros da cidade de Vitória. As investigações estão avançadas. Nós estamos nos aprofundando, para que todo mundo pague pelo o que fez. A comunidade pode ficar tranquila. A Polícia Militar vai permanecer aqui o tempo que for necessário para que a tranquilidade volte."

DROGAS

"A questão da droga tem que ser discutida neste país. No nosso Brasil tem plantação de maconha? Não tem plantação de maconha. No nosso Brasil tem laboratórios de produção de cocaína e afins? Não tem. Isso tudo vem de fora. Onde está a fiscalização das nossas fronteiras? Cadê o investimento do Governo Federal em segurança pública? Temos que discutir segurança pública de forma mais ampla. O artigo 144 da Constituição fala que segurança pública é dever do Estado. O legislador quando colocou lá Estado ele quis dizer município, Estado, governo federal e União. Ontem (segunda) foi anunciado o Sistema Único de Segurança Pública, ótimo, mas é anunciado também R$ 800 milhões para os 27 Estados. Isso é brincadeira. Segurança pública tem que ter investimento. Só o Espírito Santo está fazendo um investimento de R$ 400 milhões na Polícia Militar e na Polícia Civil do Espírito Santo. Segurança pública precisa de investimento, precisa ser discutida com seriedade a nível nacional."

Com informações de Eduardo Dias

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