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"Integrantes do PCC estão espalhados por todo o ES", diz promotor

Para o promotor Sérgio Alves, que que coordena a Central de Inquéritos da Grande Vitória e o Grupo de Trabalho Especial em Execução Penal, essa é uma situação muito preocupante

Morro do Alagoano em Vitória
Morro do Alagoano em Vitória
Foto: Vitor Jubini

O número de integrantes da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no Espírito Santo ultrapassa 267, como mostrado por reportagem publicada pela Folha de São Paulo em 27 de julho. A informação é do promotor do Ministério Público do Estado, Sérgio Alves, que coordena a Central de Inquéritos da Grande Vitória e o Grupo de Trabalho Especial em Execução Penal. Ele foi secretário de Estado da Justiça no governo de Renato Casagrande.

Segundo o promotor, logo que viu esses dados na imprensa, ele fez um levantamento junto aos setores de inteligência. "Posso afirmar que é muito superior a isso. Já ultrapassou essa informação. A realidade nossa é pior do que essa. E procurei não só um dado em abstrato, procurei com identidade, nome e RG de todos os integrantes", afirmou em entrevista à Rádio CBN Vitória, na manhã desta quinta-feira (16).

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Para Alves, é uma situação muito preocupante porque não é uma informação solta. "É preciso realmente estarmos atentos à gravidade da situação e adotarmos providências que sejam eficazes".

> A guerra do tráfico nos morros de Vitória

Perguntado pela jornalista Fernanda Queiroz, da Rádio CBN Vitória,  sobre a quantidade total de integrantes, o promotor disse que não chegou ao número final, mas já ultrapassou a quantidade apresentada na reportagem da Folha de S. Paulo. E esses criminosos não estão restritos à Grande Vitória.

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"Hoje eles estão espalhados em todo o estado do Espírito Santo. Tem representante, tem atuação em todos os locais. Hoje é muito comum você ver grandes apreensões de drogas em Guarapari, em Linhares. Exatamente porque esses traficantes estão com dificuldade de guardar essas armas e drogas com segurança em decorrência das inúmeras operações policiais que vêm sendo feitas. Então buscam espaços além da Grande Vitória, no interior do Estado, para abrigar essas armas e ali passam também a influenciar da mesma forma como influenciam comunidades na Grande Vitória. É preciso adotarmos medidas."

GUERRA DO TRÁFICO ATUAL

O promotor destaca que esses bandidos ligados ao PCC comandam a guerra do tráfico. De acordo com Sérgio Alves, apesar do controle em presídios em relação ao uso de celulares dentro das unidades prisionais, os criminosos conseguem contato com membros das facções que estão em liberdade. Visitas e saídas temporárias são utilizadas para manter a comunicação entre eles.

"Nós temos as visitas legalmente instituídas. Nós temos a lei de execução penal que prevê a pessoa receber a visita de familiares, assistência de profissionais, ter o direito de visita. Essa situação acaba possibilitando que essas pessoas, de uma certa forma, se comuniquem, principalmente na forma de catuque (pequenos bilhetes, que muitas vezes são codificados) que eles passam para integrantes da facção criminosa que estão em liberdade as orientações do comando", explica.

INTERVENÇÃO FEDERAL NO RIO DE JANEIRO

Sobre a possibilidade da atuação de criminosos do Rio de Janeiro no Espírito Santo, o promotor afirmou: "Sinceramente não percebi nenhuma relação a isso. A atividade de tráfico no Estado já conseguiu uma autonomia própria. Nesse crescimento de 15 anos (desde 2003), nós temos hoje organizações criminosas fortes, capazes inclusive de confrontar com organizações criminosas que vierem do Rio de Janeiro".

De acordo com Alves, dificilmente, teria uma ocupação por parte de facções do Rio de Janeiro. 

O que existe, infelizmente, é que as nossas organizações criminosas receberam treinamento, capacitação, são hoje especializadas pela maior organização criminosa que atua dentro na América Latina, que é o PCC
Sérgio Alves, promotor

"DIZER QUE TEM FACÇÕES DE OUTROS ESTADOS AQUI É MENTIRA", DIZ SECRETÁRIO

Nylton Rodrigues coronel da Polícia Militar do ES
Nylton Rodrigues coronel da Polícia Militar do ES
Foto: Marcelo Prest

Nesta quarta-feira (16), o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, coronel Nylton Rodrigues, foi questionado sobre a guerra do tráfico em Vitória, após uma mulher grávida ser morta por uma bala perdida. Segundo o militar, o serviço de inteligência da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) têm monitorado essa situação e constatado que não há nenhuma repercussão da intervenção do Rio de Janeiro no Estado.

"Quem fala que tem facções de outros Estados atuando aqui, está dizendo uma mentira. Não tem. Nossos serviços de inteligência tem monitorado e não existe facções de fora e nem reflexos da intervenção federal do Rio de Janeiro aqui no Estado. Nosso problema está aqui dentro. Os traficantes nascem aqui dentro dos bairros. São crianças e adolescentes que, infelizmente, entram para o tráfico muito cedo. Monitoramos isso 24 horas por dia", afirmou.

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