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Jovem pode ter sido morta por não acender luz interna do carro

Família tinha saído para comprar bolo de aniversário, mas foi abordada por dois homens que já chegaram atirando. Ordem do bairro é que carros andem à noite com vidros abertos e luz interna acesa

Thaís Oliveira
Thaís Oliveira
Foto: Facebook

“O tiro pegou em mim, mãe. Pegou em mim”. Essas foram as últimas palavras da vendedora Thaís de Oliveira Rodrigues, de 22 anos, morta na noite do último sábado ao ser atingida nas costas no carro onde estava com a família, em Morada da Barra, Vila Velha. A jovem, que morava no bairro Ulisses Guimarães, havia saído com a tia, a mãe, a irmã e a avó para comprar um bolo para não deixar passar em branco o aniversário de 18 anos da irmã e de 41 da mãe, que nasceram no mesmo dia.

O carro, que era dirigido pela tia, passava pela Avenida Brasil, no bairro Morada da Barra, quando foi atingido pelos disparos. Os vidros estavam abaixados, como determina a lei do tráfico na região. A luz interna do veículo, contudo, não estava acesa, como estabelecem os traficantes. Os dois homens que abordaram o veículo já chegaram atirando e gritando para que parassem. De acordo com testemunhas, foram muitos tiros, mas apenas dois atingiram o carro.

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Além de Thaís, a avó acabou sendo ferida por uma bala, mas foi de raspão. Foi ela quem sentiu primeiro a dor dos tiros. “Fui atingida”, falou a avó, que estava sentada no banco do carona. “Eu também fui. O tiro pegou em mim, mãe”, disse Thaís, que estava logo atrás da avó, no banco de trás. Após ser baleada, a vendedora desmaiou no colo da mãe, que estava ao seu lado.

Ao ver que seus familiares tinham sido atingidos, a tia arrancou com o carro. Um dos pneus acabou estourando, mas não se sabe se também foi por conta dos tiros. Mesmo assim, a tia conseguiu sair do bairro e pediu a ajuda de populares, que levaram Thaís e a avó até o Hospital Santa Mônica, em Itaparica. A jovem chegou a ser socorrida com vida, mas não resistiu e faleceu durante a madrugada deste domingo (20). A avó também foi atendida, mas já recebeu alta.

IGREJA, TRABALHO, ESTUDOS E O SONHO DE IR PARA O EXTERIOR

Até agora a família não sabe se foram confundidos ou se o objetivo dos criminosos era roubar o carro. A mãe e o pai de Thaís foram ao Departamento Médico Legal (DML) neste domingo (19), mas, muito abalados pela tragédia, não quiseram dar entrevista. O administrador de empresas Rubens Carlos Cortes, que é padrinho de Thaís, disse que a família ainda não consegue acreditar na morte da vendedora.

Ninguém esperava enterrar essa menina hoje. A família está toda desesperada. Eles são de Baixo Guandu, vieram para Vila Velha há três anos tentar uma vida melhor. A Thaís era uma pessoa maravilhosa. Era evangélica e vivia na igreja, onde tocava órgão. Uma menina focada nos estudos, estava fazendo um curso de Gestão Empresarial e trabalhando no shopping ao mesmo tempo. Estava correndo atrás. Muito triste isto que aconteceu
Rubens Carlos Cortes, padrinho de Thaís

A madrinha da vítima, a técnica de enfermagem Ademilcia Alves Santana, estava de plantão quando soube da morte da afilhada. Ela conta que a família chamava Thaís de “estrelinha” e que o sonho da jovem era viajar para os Estados Unidos. A menina era conhecida nas redes sociais, onde tinha mais de 7 mil seguidores.

“Ela já tinha até começado a correr atrás de visto. Queria ir para lá para trabalhar. Era uma pessoa doce, amável e carinhosa. Vai fazer muita falta. Era a nossa estrelinha. Uma pessoa bonita por fora e por dentro. A sensação é que a gente tá vivendo um pesadelo, que a gente vai acordar e ter ela de volta”, conta.

O corpo de Thaís será enterrado em Baixo Guandu, cidade natal da vítima. O sepultamento será no cemitério municipal, às 8h da próxima segunda-feira (19). O crime está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), da Polícia Civil.

 

 

 

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