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Golpistas ligam para filho de paciente pedindo R$ 2 mil em Vila Velha

As ligações começaram na última segunda-feira (10), após uma cirurgia para retirada de pedra nos rins

Ligações começaram após aposentada de 60 anos passar por uma cirurgia para retirada dos cálculos renais
Ligações começaram após aposentada de 60 anos passar por uma cirurgia para retirada dos cálculos renais
Foto: Pixabay

Criminosos tentaram aplicar um golpe contra uma paciente de um hospital particular de Vila Velha na última segunda-feira (10). Os golpistas ligaram para o filho dela pedindo remédios que custavam R$ 2 mil, afirmando que a mãe estava passando por um momento delicado - mesmo com ele já tendo conversado com a equipe médica e sabendo da situação.

A aposentada de 60 anos passou por uma cirurgia para retirada dos cálculos renais. Logo após a saída do leito, o filho ela, um mergulhador de 35 anos, recebeu uma ligação. “A pessoa se passou por médico e falou que a cirurgia tinha sido delicada - sendo que eu já havia conversado com os médicos - falando que ela precisaria de remédios. Já era por volta de 22 horas”, explicou.

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Ao final da ligação, os golpistas aceitaram o pagamento de apenas R$ 1,5 mil. “Falaram que ela precisava de três tipos de remédios, com 10 caixas cada. Em dois tipos disseram que eu conseguia de graça, mas no terceiro eu precisava pagar esse valor”, detalhou.

Os golpistas indicaram em quais contas bancárias seria possível fazer o depósito e disponibilizaram os dados de dois bancos. “Pediram para depositar na conta de uma médica e citaram o nome dela. Falaram que não seria possível entregar pessoalmente. Não fizemos o depósito. Ligação restrita já dá pra desconfiar. E minha mãe não está em estado grave”, pontuou.

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O mergulhador acredita que os dados da mãe tenham vazado por meio de algum funcionário do hospital que tem acesso ao sistema. Os golpistas souberam identificar a aposentada, o horário dos procedimentos cirúrgicos, os dados pessoais e sabiam até em qual quarto que ela estava. Mesmo depois da alta, um dia depois, os criminosos continuaram ligando.

“Estou dando corda, tentando pegar o máximo de informações. Consegui o nome de duas pessoas e duas contas bancárias. Uma das contas é do Mato Grosso do Sul. O que não consegui ainda foi o CPF, porque não passam - dizendo que não é necessário para fazer o depósito”, acrescentou.

O mergulhador também disse que, para manter contato com os criminosos, afirma que está viajando e pergunta como está o estado de saúde da mãe - mesmo ela já estando em casa. A última ligação aconteceu na quarta-feira (12). “Disseram ontem (quarta) que ela estava em estado delicado. Eles não desconfiaram”, completou.

DENÚNCIA NA POLÍCIA CIVIL

O mergulhador já procurou a Polícia Civil. No entanto, como ainda aguarda para conversar com a direção do hospital, não conseguiu registrar um boletim de ocorrência. Após o procedimento, ele também vai pedir, por meio da Justiça, que as operadoras identifiquem os celulares de quem ligou.

Após fazer o boletim, o mergulhador pretende entrar com uma ação contra o hospital por vazamento de dados. Ele aguarda um posicionamento da unidade. “Fiz um contato com o SAC do hospital, mas ainda não tive respostas”, declarou.

O QUE DIZ O HOSPITAL EVANGÉLICO 

O Hospital Evangélico de Vila Velha, a exemplo de outros hospitais do Estado, tem sido vítima sistematicamente de golpes assim. Tanto que atua incisivamente na prevenção, informando a pacientes e acompanhantes sobre essas tentativas de golpes. Ainda temos cartazes afixados nas principais alas da instituição alertando sobre essa ação.

Nosso sistema é bem protegido e não há como fornecer os dados assim pra qualquer pessoa. Mas todas as reclamações são verificadas e analisadas para saber se podemos ainda tomar alguma atitude que impossibilite o golpe.

Mas, acreditamos que a melhor arma contra esse golpe é a informação. Onde deixamos claro que não solicitamos quaisquer recursos por telefone de nossos clientes, sejam eles SUS, particular ou convênio.

GOLPE DO FALSO EXAME

Em um golpe parecido, o criminoso se passa por médico do hospital e telefona para familiares do paciente, geralmente de UTI, pedindo autorização e pagamento para realizar exames urgentes, sob risco do paciente não resistir. A desculpa é que o plano de saúde e o SUS não cobrem. A orientação da Polícia Civil nesses casos é manter a calma e buscar informação ligando para o hospital. O SUS não cobra por exames.

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