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Cabeleireiro é encontrado morto na Serra

Moradores da região informaram que a vítima era bastante querida e que a comunidade está em estado de choque

Cabeleireiro é encontrado morto em Porto Canoa, Cariacica
Cabeleireiro é encontrado morto em Porto Canoa, Cariacica
Foto: Kaique Dias

Um cabeleireiro foi encontrado morto dentro de casa no bairro Porto Canoa, na Serra, na manhã deste sábado (13). Valteno Prado, de 52 anos, também conhecido como Pitiele, estava cheio de perfurações no peito e já sem vida no momento em que vizinhos o encontraram caído no chão.

Segundo moradores do bairro Porto Canoa, Valteno era uma pessoa muito querida, morava sozinho e não tinha filhos. Ele tinha um salão dentro de casa e também residências que alugava ao lado. Investigadores não souberam informar qual objeto perfurante foi utilizado para matar o cabeleireiro, mas, por ter objetos de salão, a hipótese é de ter sido uma tesoura, que não foi encontrada.

Valteno também era transformista e se vestia com personagens femininos de época, como Carmen Miranda, para fazer shows em festas. Segundo uma amiga - que prefere não ser identificada - ele saiu com ela e a filha dela para uma festa por volta de 21h30 desta sexta-feira (12). Ao voltar, já de madrugada, ele quis passar em um bar e não foi mais visto pelas duas.

Estávamos em uma festa no bairro Serra Dourada I. A gente voltou e ele quis parar em um bar que fica aqui perto. Ele estava feliz na festa. Falei que era perigoso continuar, mas quando ele bebe fica assim e é difícil convencer do contrário
Amiga de Valteno, que prefere não ser identificada

Neste sábado pela manhã, uma inquilina de Valteno, uma merendeira de 42 anos, que também prefere não ser identificada, contou que por volta das 9 horas o filho dela o procurou para pedir um remédio para pulga de cachorro quando viu o corpo no chão. Ninguém ouviu nada antes disso.

“Estava com a porta de vidro aberta, mas com a grade fechada. O corpo estava com muito sangue no chão. O cadeado estava de uma forma diferente, parecia que alguém tinha fechado pelo lado de fora”, declarou a inquilina.

Cabeleireiro morto na Serra
Cabeleireiro morto na Serra
Foto: Reprodução/Facebook

A irmã de Valteno, a aposentada Vaniva Prado Pinto, de 69 anos, esteve no local do crime e também não faz ideia do que pode ter acontecido. Ela falou com o irmão pela última vez nesta sexta-feira (12).

“Ele não tinha me contado nada, se estava acontecendo algo. Um amigo que ligou para meu filho. Fiquei espantada porque é uma pessoa que era querida no bairro. Fiquei surpresa. Não esperava isso. Não sei o que pode ter acontecido, agora espero justiça”, declarou.

Policiais civis fizeram a perícia no local e levaram o corpo de Valteno para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória. O caso será investigado pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra.

MORADORES LAMENTAM MORTE

Muitos moradores também ficaram assustados com a situação e outros choraram ao saber da morte e na saída do corpo levado pela perícia. Todos eles diziam que Valteno era um homem bom, que nunca foi de se meter em confusão no bairro e que não parecia ter inimigos.

“Eu conhecia ele há mais de dez anos. Todo mundo o conhecia. Ele fazia desfiles aqui e tinha o salão. Pegou todo mundo de surpresa, na verdade”, declarou a dona de casa Ingrid Brum, 36 anos.

A aposentada Vera Lúcia Moreira, de 65 anos, não sabe dizer o que pode ter acontecido. Ela mora próximo à casa de Valteno, mas não ouviu nada também. “Era um rapaz querido, todo mundo conhece ele. Cortei o cabelo com ele várias vezes. Não era de briga, não era de nada. Estou indignada. É um absurdo o que aconteceu”, declarou.

“FALEI COM ELE QUE ESTAVA TARDE”

Uma amiga de Valteno, uma dona de casa que prefere não ser identificada, estava com a filha e o cabeleireiro horas antes dele morrer. Segundo ela, as duas foram para casa após saírem de uma festa de madrugada, quando ele quis ir em um bar. 

Como foi ontem à noite?

A gente foi em um aniversário e ele bebeu um pouco. Ele ficava muito animado quando bebia, mesmo pouco. Deixaram a gente na pracinha, e ele chamou a gente para ir em um bar. Não devia ter ninguém nesse horário, mas ele mesmo assim quis ir. A gente falou com ele para ir para casa, que já tinha se divertido. A gente foi para casa e ele foi para o bar.

Onde vocês estavam?

Era o aniversário de uma amiga no bairro Serra Dourada, na Serra.

A senhora sabe se ele ficou muito tempo lá?

Não, porque eu cheguei em casa e fui direto dormir. Só fiquei sabendo hoje pela manhã da morte dele.

Como ele era?

Era uma pessoa muito querida, todo mundo gostava dele aqui. Ele participou de uma comissão da associação de moradores do bairro, porque ele era muito certo com as coisas dele aqui.

O que a senhora acha que pode ter acontecido?

Não tenho como imaginar nada mesmo, é um mistério porque ele não tinha inimigos. Ele estava tão feliz ontem na festa, fazendo planos. Só se foi alguma coisa depois que ele se separou da gente, porque ele saiu com a gente em uma boa. Se ele tivesse com algum problema ele não faria isso, sair tão tarde.