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Filho some em condomínio da Serra e mãe pede ajuda para encontrá-lo

José Lucas da Silva Santos está sumido há 50 dias, quando saiu de dentro do apartamento onde morava com a esposa e a filhinha de 10 meses, no Condomínio Ourimar, fechou a porta e não voltou mais

José Lucas da Silva Santos, 19 anos.
José Lucas da Silva Santos, 19 anos.
Foto: Arquivo Pessoal

Uma família despedaçada que tem um só objetivo: encontrar o comerciante José Lucas da Silva Santos, 19 anos. Há 50 dias, o rapaz saiu de dentro do apartamento onde morava com a esposa e a filhinha de 10 meses, no Condomínio Ourimar, na Serra, fechou a porta e não voltou mais. Desde então, a mãe dele e demais parentes procuram pelo jovem, que não sabem estar vivo ou morto. Até cães farejadores foram usados para tentar localizar Lucas, mas até o momento não há pistas de onde ele esteja.

“Ele foi tirado de dentro de casa, não está desaparecido. Desde então, é essa agonia sem saber onde está. Fazemos panfletagem pedindo por informações sobre ele. Recebemos ligações restritas falando ele está morto, enterrado, que levou um tiro nas costas ou até que o viram em Guarapari. Não consigo mais viver nessa angústia”, descreve a mãe de Lucas, a comerciante Elaine Rodrigues da Silva Santos, 36 anos.

Lucas, a esposa e a filhinha residiam no condomínio Ourimar havia apenas 20 dias. “Eu senti uma dor no coração quando ele decidiu que ia se mudar para lá. Mas eu não sabia o que era. Eu pressentia que algo aconteceria com ele”, contou a mãe.

O caso vem sendo tratado como crime contra a vida de Lucas. Porém, nenhum corpo foi encontrado apesar de inúmeras informações repassadas à polícia e à família sobre supostos paradeiros de onde estaria o rapaz. Por meio de nota, a Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Serra, e que realizou buscas com cães farejadores. Denúncias e informações podem ser repassadas para a polícia pelo telefone 181 ou pela página da DHPP Serra no facebook.

ENTREVISTA 

Em uma voz baixa, entristecida e muitas vezes embargada pelo choro, a mãe conta o relato aflito de quem há 50 noites não dorme direito na busca constante pelo paradeiro do filho mais velho e também mais apegado.

Quem é o seu filho?

É um menino brincalhão, divertido e que faz amizade fácil. É meu amigo, parceiro do dia a dia. Eu o buscava todo dia no condomínio e o deixava, pois trabalhamos juntos no comércio. Sinto falta de fazer coisas simples juntos como tomar café da manhã, dividir um chocolate e trabalhar com ele.

Como Lucas sumiu?

Um amigo foi à porta do apartamento dele, no quarto andar, falou que tinha um rapaz querendo falar com ele no térreo. Meu filho estava com a esposa e a filha, respondeu que era tarde e que não iria descer. O amigo chamou novamente. Lucas então desceu.

Quando foi isso?

Foi no dia 19 de setembro, por volta das 21h30. Por volta das 22 horas, a esposa dele ligou pra mim, aos prantos, pedindo ajuda pois ele não tinha retornado. Ficamos circulando pelos bairros Feu Rosa e Vila Nova de Colares ao redor do condomínio até 3 horas. Por orientação de policiais, fomos para casa pois era uma área perigosa. Às 6 horas, voltamos para a rua para procurar. E desde então, não durmo mais direito, não como direito, vivo pela fé de que vou encontrar o meu filho.

Desde então, vocês procuram por ele....

Ele foi tirado de dentro de casa, não está desaparecido. Desde então, é essa agonia. Panfletagem, ligam restrito, anônimo, que está morto, enterrado, cada dia fala que levou um tiro nas costas. Dizem também que o viram em tal lugar. Vamos atrás de cada pista, cada informação que nos passam.

Como a senhora está vivendo esses dias?

Hoje, o coração de mãe está dilacerado. Só Deus sabe. Durmo chorando e acordo chorando. Fico de pé pois tenho mais três filhos e porque tenho fé que Lucas ainda está vivo. São 50 dias de luto e de dor.

E a esposa e a filha, como estão?

A primeira palavra que minha neta aprendeu foi “papai”. No primeiro dia foi muito difícil, mas agora ela passou a se apegar ao tio, meu filho mais novo, que é parecidíssimo com o Lucas. Talvez, na cabeça de criança dela esteja achando que é o pai. A esposa dele está comigo todos os dias, emagreceu, não come direito mais.

Quais suas expectativas?

Eu creio que vou encontrar meu filho, caso contrário não tenho forças para ficar de pé. Não quero pensar que ele está morto.

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