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Caso Amaro Neto: acusada participou da campanha de deputado

À polícia, Amaro Neto disse que a mulher acusada de tentar extorqui-lo esteve em sua campanha eleitoral

Amaro Neto
Amaro Neto
Foto: Ricardo Medeiros

Em depoimento prestado na Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes Eletrônicos, o deputado estadual e deputado federal eleito Amaro Neto, vítima de uma tentativa de extorsão, contou que a acusada, Keila Bonde, participou da campanha eleitoral dele em 2018.

O nome de Keila não aparece na prestação de contas da campanha de Amaro, disponível no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nem como doadora nem como prestadora de serviços.

Keila e o marido dela, o cabo da Polícia Militar Fernando Marcos Ferreira, foram presos na última sexta-feira (30) acusados de tentar extorquir R$ 500 mil do parlamentar.

500 mil

é o valor que o casal exigia de Amaro Neto para não tornar público suposto vídeo íntimo

De acordo com o depoimento à polícia, Amaro foi contactado por Keila no início do ano, via Instagram. Ela havia mandado uma mensagem dizendo que estava desempregada e procurando emprego.

Ainda segundo o parlamentar, Keila enviou em anexo um currículo e ele guardou essas informações, tendo em vista que currículo apresentava bom conteúdo.

Amaro contou também, em depoimento, que um tempo depois soube de uma vaga na Secretaria de Esportes, a ser preenchida com as mesmas qualificações que Keila apresentava, tendo ela começado a trabalhar no local.

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Segundo o deputado, os dois passaram a ter muito contato pelas redes sociais e iniciaram um “enlace amoroso”, e que Keila afirmava ser separada. Ao longo do ano, a mulher “se mostrou prestativa e participou da campanha eleitoral” dele.

Porém, no dia 29 de novembro, o deputado foi surpreendido com uma mensagem de Keila, onde ela afirmava que o marido havia descoberto o enlace amoroso. Após essa mensagem, o casal passou a exigir dinheiro para que imagens e vídeos íntimos não fossem divulgados.

Ainda segundo Amaro, diante da gravidade da situação, o assessor parlamentar dele manteve contato com as autoridades policiais para relatar os fatos e, durante as tentativas a cerca do pagamento, o policial teria ameaçado o parlamentar e o assessor.

O deputado finaliza o depoimento manifestando desejo de representar criminalmente contra o cabo da PM.

SEM CONTATO 

Nesta segunda-feira (3), a reportagem procurou o advogado do deputado estadual e também entrou em contato com o número de Amaro Neto. Porém, ninguém atendeu as ligações e nem retornou.

Na noite de sexta-feira (30), na saída da delegacia, a reportagem abordou Amaro. Na ocasião, ele não quis falar sobre o assunto, limitando-se a dizer: “Não tenho nada a declarar”.

DEFESA DE POLICIAL NEGA EXTORSÃO

A defesa do policial militar Fernando Marcos Ferreira negou que tenha ocorrido qualquer tentativa de extorsão. “O que aconteceu foi uma má interpretação dos fatos ocorridos, meu cliente nega qualquer crime. Vamos aguardar o momento adequado para exercer em plenitude o direito de defesa”, disse o advogado Claudius Caballero.

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Ao ser questionado se o PM conhecia Amaro Neto, o advogado disse que apenas como figura pública. Sobre a conduta do militar, a Corregedoria da PM informou que vai analisar todos os documentos sobre o fato para decidir vai abrir procedimento administrativo. A reportagem não conseguiu contato com o advogado de Keila Bonde.

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