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Caso Amaro Neto: Justiça mantém prisão de casal acusado de extorsão

Casal é acusado de tentar extorquir dinheiro do deputado para não tornar público um suposto vídeo íntimo

Foto: Ricardo Medeiros | Arquivo | GZ

A Justiça converteu a prisão em flagrante do cabo da Polícia Militar Fernando Marcos Ferreira e a mulher dele, Keila Bonde Ferreira, para prisão preventiva. Os dois são acusados de tentar extorquir dinheiro do atual deputado estadual e deputado federal eleito Amaro Neto, no valor de R$ 500 mil. De acordo com a decisão, o acusado teria exigido dinheiro para não tornar público um suposto vídeo íntimo entre o deputado e a esposa do militar.

Segundo a decisão da juíza Mariana Lisboa Cruz, em pesquisas realizadas nos sistemas judiciais foram encontrados registros criminais contra Fernando, sendo um inquérito penal militar em trâmite por lesão corporal seguida de morte. Para a juíza, a soltura de Fernando poderá colocar em risco a segurança da sociedade, devido à sua periculosidade. Por isso, a prisão em flagrante que aconteceu na última sexta-feira (30) passou para preventiva na Audiência de Custódia realizada neste domingo (02). 

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"Neste contexto, verifica-se pelo auto de prisão em flagrante delito que está presente a materialidade delitiva, bem como de indícios de autoria, além do que se acham também presentes fundamentos que autorizam a custódia excepcional. Assim, tenho que a soltura do custodiado poderá colocar em risco a segurança social, haja vista a real possibilidade de reiteração delitiva, além do que está presente a periculosidade concreta de sua conduta, bem como, visando garantir a instrução processual e a aplicação da Lei Penal", diz a juíza em trecho da decisão.

AMEAÇAS

A juíza afirmou, ainda, que as ameaças contra Amaro chegaram a acontecer pessoalmente, quando um um representante do deputado foi à casa de Fernando e Keila, onde foi informado que a vítima tinha que pagar os R$ 500 mil exigidos. 

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"No presente caso, Fernando, após descobrir um relacionamento extraconjugal entre sua esposa e a vítima, passou a exigir quantia financeira a fim de não divulgar o caso e as imagens intimas para terceiros. É informado que Amaro solicitou um representante para negociar a quantia que seria cobrada, tendo sido enviado à residência dos autuados um senhor, que foi informado que a quantia pelo silêncio seria R$500.000,00, além de informarem que Amaro corria risco de vida e que outras pessoas sabiam do caso, além do autuado ser integrante da Força Tática da PM", explicou.

O CASO

Segundo a ocorrência da Polícia Militar, o delegado titular da Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Cibernéticos, Brenno Andrade de Souza, determinou que quatro policiais fossem até Campo Grande com a finalidade de apurar um suposto crime de extorsão contra o parlamentar.

Segundo a ocorrência, a extorsão teria sido motivada em virtude de um relacionamento do deputado com a mulher do policial. Durante um dos encontros entre ambos, teria sido feito um vídeo íntimo com o parlamentar.

Ainda segundo a polícia, a mulher fez contato com deputado, por meio do WhatsApp, informando que o marido teria descoberto o caso amoroso entre ambos, pedindo, por esse motivo, uma quantia em dinheiro para que a situação não se tornasse pública. Na manhã desta sexta-feira, a diligência policial, acompanhada de um assessor de Amaro, foi até a casa da mulher.

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Ainda segundo a ocorrência, o assessor ficou por cerca de 25 minutos dentro da casa, enquanto os policiais ficaram do lado de fora da residência esperando a chamada dele. No entanto, o assessor relatou aos policiais, ao sair da casa, que não conseguiu fazer o contato porque o militar teria pegado seu aparelho celular.

O assessor relatou ainda que, enquanto estava na casa da mulher, o marido dela, com uma arma na cintura, fez contato com o parlamentar pedindo R$ 500 mil para apagar todos os arquivos envolvendo o parlamentar. Esse relato também consta no registro da PM.

Diante dos fatos, os policiais foram até a casa do militar para dar voz de prisão ao acusado. Antes disso, eles fizeram contato com a Polícia Militar, já que a ocorrência envolvia um integrante da corporação. A Corregedoria também foi acionada. Ao chegaram à casa do acusado, junto com a PM, os policiais chamaram pelo cabo, que não respondeu. Como a porta não era aberta, os policiais ameaçaram arrombá-la.

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Nesse momento, o cabo abriu a porta e teria dito: “Até sei sobre o que é”. O acusado e a mulher dele foram levados para a Divisão de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio, em Maruípe, Vitória.

O deputado Amaro Neto também foi à delegacia para prestar depoimento. Na ocasião, ele deixou a unidade e não quis falar sobre o assunto. A reportagem questionou ao deputado o que teria ocorrido, se houve crime de extorsão e se ele teria tido algum tipo de relacionamento com a mulher do policial. Amaro limitou-se a dizer: “Não tenho nada a declarar”.

A Polícia Civil, por nota, respondeu apenas que “mais informações não vão ser repassadas para não comprometer as investigações”. 

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