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Prefeitura derruba cercas do condomínio Ourimar

Medida seria para permitir acesso livre das viaturas da PM entre os prédios

Condomínio Ourimar, na Serra: trator foi usado para ajudar na remoção das cercas
Condomínio Ourimar, na Serra: trator foi usado para ajudar na remoção das cercas
Foto: Bernardo Coutinho

As cercas que delimitavam a área do condomínio Ourimar, na Serra, foram arrancadas por operários da Prefeitura, na quinta-feira (13), para dar acesso livre para as viaturas policiais.

O conjunto habitacional está localizado nas proximidades de Vila Nova de Colares e da ES 060. A obra financiada pela Caixa Econômica Federal contou com a ajuda da Prefeitura para escolher os novos moradores, que entraram nos imóveis em 2016.

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Desde então, o local que possui aproximadamente 2 mil habitantes, já foi alvo de diversas operações policiais e prisões por causa de crimes como estupro e homicídios ligados à presença de traficantes dentro do condomínio.

Além disso, dezenas de moradores já foram expulsos do conjunto habitacional por criminosos.

A ação da prefeitura começou por volta das 8h30 e encerrou às 15 horas. Funcionários usaram um trator para auxiliar na retirada do aramado e dos portões. O material foi colocado em um caminhão. A previsão é de que a retirada total da cerca, o nivelamento da calçada com a rua e a limpeza das redondezas terminem hoje. Policiais militares e guardas municipais acompanharam todo o trabalho dos funcionários.

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A medida foi pensada durante uma reunião do Gabinete de Gestão Integrado Municipal (GGIM) para permitir o acesso livre das viaturas entre os blocos de Ourimar.

“Foi uma solicitação da polícia e de algumas lideranças do condomínio. A retirada da cerca permite que sejam feitos serviços públicos dentro do residencial, inclusive o patrulhamento ”, observou o secretário de Defesa Social da Serra, coronel Jailson Miranda.

OPINIÕES DIVERSAS

Entre os moradores do condomínio Ourimar, há diferentes opiniões sobre a retirada das cercas, apesar da maioria dizer que não ter sido informada sobre o motivo para a remoção delas.

“Não gostei pois nos deixou vulnerável. Qualquer pessoa, bandido ou gente do bem, pode entrar aqui e fazer alguma coisa com os moradores. As crianças não poderão mais brincar em frente aos prédios e podem ser atropeladas”, contou uma dona de casa, que pediu para não ser identificada.

Já uma outra moradora de Ourimar contou que acha que a mudança pode dar certo. “Não fui comunicada do motivo disso, mas se for para ter mais ônibus e polícia, tudo bem”, afirmou.

Também na tarde de quinta-feira (13) foram instalados postes mais altos para evitar conexões ilegais de furto de energia.

CONJUNTO VAI GANHAR 16 NOVAS CÂMERAS

Dezesseis novas câmeras de videomonitoramento sejam instaladas entre os prédios do conjunto habitacional. A previsão, segundo o secretário Jailson Miranda, é para início de janeiro de 2019. Atualmente já existem duas câmeras, ambas fora da área que era cercada pelas cercas e por portões, mas uma delas não está funcionando. Miranda afirmou que a Sesp já trocou o equipamento na terça-feira, mas ainda não voltou a funcionar. Por meio de nota, a Polícia Militar informou que dispensará ao condomínio Ourimar a mesma atenção que oferece aos demais bairros da região, composto por cerca de 140 mil pessoas.

A corporação ainda informou que para que possa atender de forma mais eficaz as demandas que surgem, a PM conta com o apoio dos moradores para acionamentos pelo 190, nos casos de crimes em andamento e com denúncias pelo telefone 181 para crimes que já aconteceram. Em 2017, 48 famílias foram expulsas do condomínio por traficantes. Este ano, são nove registros. Muitos dos imóveis abandonados foram invadidos por traficantes ou tomados por outras pessoas. Por isso, a pedido da Caixa, corre uma ação de reintegração de posse.

“Há uma organização para disponibilizar mudanças e também para a PM se organizar para que aconteça essa reintegração de posse. Mas isso vai acontecer”, afirmou o coronel Miranda.

 

 

 

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