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Justiça concede liberdade para PM que deu tiros em hospital no ES

O policial militar Marcelo Pain Maciel Filho, de 25 anos, deu cerca de seis tiros dentro do Hospital Santa Mônica, na Praia de Itaparica, em Vila Velha, na madrugada do dia 2 de janeiro

Tenente Marcelo Pain Maciel Filho teve um surto e deu tiros dentro do Hospital Santa Mônica, em Vila Velha
Tenente Marcelo Pain Maciel Filho teve um surto e deu tiros dentro do Hospital Santa Mônica, em Vila Velha
Foto: Reprodução | Facebook

A Justiça concedeu nesta terça-feira (22) a liberdade provisória sob pagamento de fiança para o tenente da Polícia Militar Marcelo Pain Maciel Filho, de 25 anos, que atirou dentro do Hospital Santa Mônica, na Praia de Itaparica, em Vila Velha, na madrugada do dia 2 de janeiro. Na ocasião, funcionários do local chegaram a relatar que o PM deu seis disparos no interior da unidade.

De acordo com a Polícia Civil, o tenente foi autuado por disparo de arma de fogo. Pela prisão ter sido em flagrante, o Ministério Público ofertou uma denúncia em desfavor do PM e a prisão de Marcelo Pain foi convertida em preventiva durante audiência de custódia. Ele está preso no Quartel da PM, em Vitória.

A juíza Adriana Costa de Oliveira decidiu que, ao pagar fiança de R$ 5 mil, Marcelo Pain ainda seja submetido a um exame-médico legal para atestar a sanidade mental do acusado, e que só depois seja liberado. Na decisão, ela ainda formula alguns quesitos que devem ser respondidos na realização do teste. (veja abaixo)

1º. O acusado, ao tempo da ação, era portador de doença mental, desenvolvimento mental incompleto ou desenvolvimento mental retardado?;

2º. Em caso positivo, qual doença ou anomalia psíquica?;

3º. Em razão da doença/anomalia psíquica, o acusado era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento?;

4º. Em razão das mesmas circunstâncias referidas no quesito anterior, o acusado possuía, ao tempo da ação, reduzida capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento?;

5º. Há outras informações ou esclarecimentos que os senhores peritos entendam necessárias ? Quais?

O CASO

O policial chegou ao hospital por volta das 4h30 da madrugada e, ao entrar na unidade, informou que era policial e que queria ser atendido rapidamente por um psiquiatra. Uma médica foi chamada e atendeu o tenente. Ele teria dito para ela que fez uma coisa muito errada, que estava arrependido e que tinha usado drogas.

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A médica, então, o colocou em uma sala de repouso e o receitou sedativo, que foi aplicado por meio de soro. Em seguida, a médica foi fazer outros atendimentos. De repente, o policial sacou uma arma e atirou para cima e para os lados. Foram seis tiros, segundo os funcionários, o que gerou muito pânico e desespero. As pessoas saíram correndo assustadas para fora da unidade.

"ELE FALOU QUE ESTAVA MUITO ARREPENDIDO"

Em entrevista à TV Gazeta, a médica que atendeu o tenente contou como o policial chegou ao hospital. "Ele passou pela triagem, pelo enfermeiro e foi um tanto quanto grosseiro. O enfermeiro já me abordou pedindo para atendê-lo com certa agilidade, porque ele tinha jogado o prontuário em cima dele. Ele se identificou como policial e pediu atendimento rápido. Eu já estava dentro do consultório quando ele chegou. Ele falou que estava muito arrependido, muito triste de uma coisa que ele havia feito. E então pediu que fizesse uma medicação para que ele se acalmasse. Falou que já estava fazendo tratamento com um médico psiquiatra".

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Segundo a médica, o policial afirmou ter feito uso de droga ilícita e que, por esse motivo, ele estava muito envergonhado. "Foi a palavra que ele usou. Ele falou que fez uso de maconha".

Policial atira dentro de hospital em Vila Velha
Policial atira dentro de hospital em Vila Velha
Foto: Daniela Carla | TV Gazeta

Perguntada sobre a causa desse arrependido, a médica respondeu que, "pelo que deu a entender, foi o uso da droga, que não faz uso habitual e por isso estava arrependido. Mas, de fato, não me contou o que foi não".

"MUITO ASSUSTADOR"

Uma técnica de enfermagem que participou do atendimento ao policial detalhou à TV Gazeta como tudo aconteceu. "Ele jogou a folha com agressividade no balcão. Pedimos que ele aguardasse no boxe. Fomos pegar o medicamento dele na farmácia. Assim que a gente entrou dentro do boxe, ele estava lateralizado (de lado) para poder a gente fazer a endovenosa. Deitado de lado, como se já estivesse escondendo alguma coisa. Estava eu a minha companheira, eu fiz a diluição do medicamento e a minha colega foi fazer a pulsão. Fizemos a pulsão. Quando viramos as costas, ouvimos o primeiro tiro e saímos correndo. Foram bastante tiros, muito assustador".

MARCAS DE TIROS

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